21 de março de 2011

PÁTIO DOS GENTIOS | A falar é que a gente se entende!


“Penso que a Igreja deveria também hoje abrir uma espécie de "átrio dos gentios", onde os homens pudessem de qualquer modo agarrar-se a Deus, sem O conhecer e antes de terem encontrado o acesso ao seu mistério, a cujo serviço está a vida interna da Igreja. Ao diálogo com as religiões deve acrescentar-se hoje sobretudo o diálogo com aquelas pessoas para quem a religião é uma realidade estranha, para quem Deus é desconhecido, e contudo a sua vontade não é permanecer simplesmente sem Deus, mas aproximar-se d'Ele pelo menos como Desconhecido."

In Discurso do Papa Bento XVI à Cúria Romana para a apresentação dos bons votos de natal, no dia 21 de Dezembro de 2009.

Passados três meses, no passado dia 18 de Março, o Vaticano apresentou uma nova estrutura para o diálogo com os não crentes, denominada “Pátio dos Gentios” (evoca o espaço com o mesmo nome que no antigo Templo de Jerusalém hospedava os não judeus.), a qual, segundo o presidente do Conselho Pontifício da Cultura (CPC), o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, se destina a «derrubar» muros. “Crentes e não crentes estão em territórios diferentes, mas não se devem encerrar num isolamento sacro ou laico, ignorando-se ou, pior, lançando troças e acusações recíprocas, como desejariam os fundamentalistas de uma e outra parte», sublinhou o prelado na conferência de imprensa realizada no Vaticano.

O “Cortile dei Gentili”, cujo objectivo é, segundo a Santa Sé, «contribuir para que as grandes interrogações da existência humana, sobretudo as de carácter espiritual, sejam verdadeiramente tomadas em conta», vai ter a sua primeira iniciativa internacional já a 24 e 25 de Março em Paris, cidade escolhida por representar a «herança do iluminismo». Três colóquios sobre o tema “Iluminismo, religiões e razão comum” ganham destaque nesta «iniciativa de intercâmbio, diálogo e acção comum entre crentes e não crentes», promovida por indicação do Papa Bento XVI. As conferências, que decorrem em espaços simbólicos do mundo laico, realizam-se na tarde de 24 de Março (na sede da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), e no dia seguinte (Universidade de Sorbonne e Academia de França). A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, o ex-primeiro-ministro italiano Giuliano Amato e o filósofo Jean-Luc Marion são algumas das presenças confirmadas.

Depois das sessões está prevista uma mesa-redonda no Colégio dos Bernardinos, edifício histórico do século XIII. A iniciativa inclui ainda uma festa pensada para os mais jovens, designada “No pátio do Desconhecido”, que vai decorrer na catedral de Notre Dame, também na capital francesa, com música, espectáculos e um encontro de reflexão, seguindo-se uma vigília de oração e uma meditação. Durante este momento, agendado para 25 de Março, o Papa vai falar sobre o «significado e os objectivos» da iniciativa através de uma ligação em directo ao Vaticano.

O Vaticano assinala que, depois de Paris, as iniciativas do «Pátio dos Gentios» vão passar por Florença (Itália), Tirana (Albânia), Estocolmo (Suécia), Berlim (Alemanha), Moscovo (Rússia), Quebeque (Canadá), Praga (República Checa), Chicago e Washington (EUA).

Informação retirada da Agência Ecclesia

16 comentários:

Anónimo disse...

Então falemos...

"o diálogo com aquelas pessoas para quem a religião é uma realidade estranha, para quem Deus é desconhecido" ?

Eu não tive o privilégio de conhecer Deus?

Alguém O conhece?

Já foram apresentados?

Apesar disso a religião não me é uma realidade estranha...

Apenas coloco uma palavra extra... verificação... dos efeitos e factos antes da acção e depois de ouvir... para alguns isso não é obediência... não gostam de ser confrontados com a realidade... Gostam de apenas ter as opções pré-determinadas como a peregrinação... ou serão "cruzadas"?

manel disse...

Caro Anónimo das 11h46 AM,

A qual dos critérios de verificação se está a referir?
Os autore do circulo de viena formularam vários e cada um deles tem aplicações difrentes a factos e efeitos.

saudações

Anónimo disse...

Caro Manel,

Muito obrigado pela referência do Círculo de Viena.
Essa é uma pergunta em aberto. (In)felizmente o nosso cérebro é um adaptador universal e aprende o que quer aprender, só quando confrontado com situações ilógicas e não esperadas é que tem os "ahh.. moment" e aprende qualquer coisa.

Talvez o mais importante na aprendizagem seja aprender a desaprender, ie, desconstruir o que pensamos que sabemos para validar cada afirmação.

A metodologia? Há várias... mas a inteligência artificial mostra um caminho... talvez não exista a melhor... mas é um esforço a realizar.

Saudações,

Anónimo disse...

GENTIO:

A palavra gentio designa um não-israelita

Deriva do termo Latim "gens" (significando "clã" ou um "grupo de famílias") e é muitas vezes usada no plural.

A palavra é especialmente importante em relatos sobre a História do Cristianismo, para designar os povos Europeus que gradualmente se converteram à nova religião, sob a influência do apóstolo Paulo de Tarso (São Paulo) e outros.

Outras acepções: 1 - Quem segue o paganismo;

2 - Quê ou o que não é civilizado;

3- S. m. Pop. Grande porção de gente;

Porque é que a Igreja insiste em desconsiderar quem não pertence ao Clero?

Essa atitude é uma atitude de amor?

Ou uma atitude de subjugação, desconsideração?

Anónimo disse...

Doentio...

Anónimo disse...

“No pátio do Desconhecido” seria aceitável e bem-vindo. Parabéns ao Franceses...

Anónimo disse...

Caro Manel,

Só uma palavra sobre o círculo de Viena.

Apesar da noção de positivismo estar errada, não devemos cair no cepticismo.

Perante uma determinada realidade não existe uma única observável possível mas várias. A incerteza de qual observável ocorre, não implica o desconhecimento das diferentes observáveis.

E se ocorre uma nova observável inesperada, temos de resistir à tentação de considerar como "outlier". O modelo gerador de previsão das observáveis deve ser reformulado tendo em consideração eventos raros mas possíveis e não são considerados fechados nem positivistas.

Saudações,

manel disse...

Caro anónimo das 1:19 PM,

Sim, chamar pátio do gentios é um gesto de amor:

1 - não se trata de gentios, mas de "patio dos gentios", ou seja, não se trata de classificar alguém, mas de re-criar espaço para quem não entra no templo poder estar perto, não ser excluido - abrir um pátio que podemos partilhar, quando até agora nos separavam os muros não me parece desconsideração.

2 - Quanto à expressão pátio dos gentios, a recuperação de uma formulação usada no templo de jerusalém é, por si própria, aproximação ao outro, neste caso ao Judeu, e também sinal de que nos inscrevemos na comunidade alargada dos homens de boa vontade que conviviam no pátio em Jerusalém.

saudações,
manel

manel disse...

Caro anónimo das 3:24 PM,

Não fiz nenhuma menção depreciativa sobre o princípio de verificação, nem sobre o circulo de viena, apenas pedi ao anónimo das 11:46 AM que explanasse melhor o que queria afirmar para eu compreender o que ele queria afirmar. No entanto, reconheço os seus limites, aliás até eles os reconhecem.

Quanto à sua disponibilidade e aceitação de valores não esperados, julgo ser essa a melhor atitude a tomar.
Alguns defendem que as nossas diferenças de base nos condicionam de forma tão radical que habitamos mundos incomensuráveis, mas a minha experiência pessoal aponta para um mínimo de inteligibilidade que permite sempre alguma aproximação - quanto às relações. Quanto ao conhecimento: ainda mais forte me parece essa posição.

Finalmente, o cepticismo não leva nem à paz, nem ao avanço no conhecimento. Por isso, mesmo que algumas vezes sejamos abordados pelo fanatismo ou pela desilusão, continuar a visitar os patíos dos gentios de todos os templos com que nos vamos deparando (religiosos e outros), e partilhar esse pátio com abertura a resultados inesperados pode ser muito enriquecedor

saudações

Anónimo disse...

Caro Manuel,

Plenamente de acordo com a sua última mensagem.

Deixo o repto:
Se alguém considera outro "um ser de conhecimento inferior" é porque pensa que tem mais conhecimento. Para manter esse "status quo" não quer deliberadamente apresentar essa informação ao mundo dos "gentios".

Ou é um "bluff" ou é mau vontade provando falta de amor para com o próximo. De qualquer forma não sai bem na fotografia.

Que informação/informações tem a Igreja para chamar os outros de "leigos" "laicos" ou "gentios"?

Suadações,

Anónimo disse...

Hum...

Se é falta de amor pelo próximo... a imagem de Satanás é a mais próxima...

Se é bluff a imagem de Satanás é a mais próxima...

Conclusão: chamar gentio a outro é um acto de oposição e só reduz a posição do autor que se auto-considera superior.

Lamentável.

Anónimo disse...

Realmente.

É por estas e por outras que a Igreja se mostra como ROMA e não como Cristo.

A humildade e bondade de Cristo...

Cristo alguma vez usou este tipo de desconsideração?

A importância do "Status Quo" do Império Romano, existiu?

Foi Roma que crucificou Cristo e como Satanás, usa a pele de Cristo para esconder ROMA.

Anónimo disse...

Para os conhecedores da alma humana parece ser um erro crasso.

Porquê?
Para quê?

Criar um espaço? excelente. Nada contra o pátio. Um sinal de abertura.

Mas para gentios?

Anónimo disse...

A falar é que a gente se entende?

ou

A falar é que nós nos entendemos.

melhor seria:

A falar é que nos entendemos.

Porquê a separação: a gente? nós? vós? a gentinha?

Anónimo disse...

Pois é...

Para falar... usam palavras...
o significado das palavras que usam são importantes...

Para pensar usam palavras...o significado das palavras que usam são importantes...

Anónimo disse...

Como vai a saúde do Papa Bento XVI?
Existe algum comentário sobre Petrus Romanus?