13 de março de 2011

.Sim, sou tentado.

Quanto mais se identifica a sua condição com a nossa fraqueza, mais credível se torna sua grandeza.

No deserto. O filho de Deus tentado. (Mt 4, 1-11)

Eu não sou ninguém para mergulhar sequer nas Suas tentações.

Limito-me apenas a encontrar entre estes homens as suas homólogas.

Existem de todas as cores e tamanhos. Todas imensamente atractivas.

Tentação de crer que este mundo é um trágico erro sem remédio, de pretender impor uma razão que destroça toda a opinião diferente numa conversa, de encarar sempre o que acontece com a violência de uma crítica mordaz, de saber-se melhor e mais capaz do que todos aqueles com os que se partilha comunidade, de ignorar o mais próximo apenas por causa do seu feitio, de deixar que um excesso de passividade entope a iniciativa natural, de não valorizar o pormenor indo em constante procura do sublime, de atirar a toalha ao chão confiando em que isso de confiar é coisa de crentes, de asfixiar todo o gesto espontâneo por culpa de um formalismo mal interpretado, de tingir de pessimismo as inúmeras oportunidades de crescimento que existem, de sepultar-se em baixo duma tristeza sempre menor que toda a alegria escondida, de esquecer que Cristo é pão.

Tentação de inclinar-se para extremismos perigosos que ignoram que o equilíbrio é muito mais recomendável, de estragar a beleza da sexualidade por perseguir apenas uma satisfação pessoal, de marginalizar aspectos da vida que merecem bastante mais atenção, de conformar-se com o suficiente embora haja sempre possibilidades de mais, de tirar proveito da debilidade de quem é encontrado por acaso, de eliminar o privilégio da vida própria ou alheia, de ultrapassar o ritmo de Deus no momento da oração, de idolatrar tudo aquilo que possa ser motivo duma mínima atracção; de reconhecer-se num nível inferior aos colegas, traindo uma data de qualidades inerentes; de esquecer que Cristo é modelo.

Tentação de competir enfurecidamente violando prioridades, de apartar os pobres do projecto de colaboração, de disfarçar com palavras inventadas as acções inatingíveis, de absolutizar o que é só relativo, de pretender fingir uma imagem que em verdade não pertence, de culpar a memória após os tropeções repetidos, de fugir em resposta a uma realidade desagradável, de escolher condenar em vez de perdoar, de construir uma vida sobre os alicerces do egoísmo tão destrutor, de esquecer que Cristo é serviço.

“Tentação de…” Estas são só algumas.

Quais as minhas? Quais as tuas?

A tentação não o é em si mesma, mas só aos olhos do tentado.

Se a consentimos, pecamos.

Se permanecemos cegos a ela, enganamo-nos.

Que situação complicada!

Manter-se espevitado para a reconhecer, acesa a atenção para detectá-la, parece ser bom conselho.

Jesus assim venceu-as.

Aliás, demonstrou que é possível.

Força então!

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