27 de março de 2011

Temos sede!

Aquando dos últimos dois grandes, e trágicos, tsunamis que se registaram no nosso planeta, no meio de tantas mortes, destruição e sofrimento, ouvimos histórias muito felizes de pessoas que sobreviveram depois de vários dias debaixo dos escombros, principalmente porque tinham algo para beber (a água é um bem essencial para o nosso organismo, sendo que mais de 70% do nosso corpo é constituído por água), e porque alguém não desistiu de as procurar. Foram salvas!

No Evangelho de hoje fala-se também de água , de sede, e do desejo de salvação. Mas não só de sede de água, de H2O (fórmula química da água). Fala-se de sede de vida, de sede de esperança. Num horizonte espaço-temporal de maior proximidade, qual de nós, portugueses, não procura hoje sinais de esperança perante a situação tão difícil em que se encontra o país? Qual de nós, portugueses, não tem hoje sede de justiça social, sede de alguém que nos dê sinais indicando que as dificuldades pelas quais passamos terão solução?

Esta é uma sede de algo tão vital para o homem como vital é a água. É sede de esperança, de confiança, de ajuda, de alegria, de felicidade,...

Mas onde procuramos nós tudo isso? Onde procurar tudo isso?

No diálogo entre Jesus e a Samaritana, quem pede ajuda primeiro é o próprio Jesus: “Dá-Me de beber” (Jo 4, 7). Esse pedido pode ser visto como um sinal de que Deus procura a ajuda da humanidade, de que Deus precisa da humanidade, de que Deus dialoga, quer dialogar, com a humanidade. Provavelmente, por isso poder parecer-nos muito estranho, a nossa primeira reacção é igual à da Samaritana, e perguntamos: “Como é que Tu, sendo Deus, me pedes de beber, sendo eu um homem, sendo eu uma mulher?” E se, muitas vezes, ou sempre, não encontramos resposta a esta pergunta, porque não começar por ouvir o que Jesus responde: “Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!” (Jo 4, 10). Então, porque não procurar ajuda onde muitas vezes penso que ela não está? Quando a Samaritana percebeu que Jesus a poderia ajudar a suprimir as suas “sedes” mais profundas, suplicou: “Senhor, dá-me dessa água, para eu não ter sede, nem ter de vir cá tirá-la.” (Jo 4, 15).

Depois, de tal forma a sua vida se transformou que, “Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram Nele devido às palavras da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz.» [...] então muitos mais acreditaram Nele por causa da sua pregação, e diziam à mulher: «Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.».” (Jo 4, 39-42).

Encontro alguém à minha volta que me ajude a matar “as sedes”? A reencontrar a esperança, a reganhar confiança,... Quando não encontro, disponho-me a procurar? Abro-me à possibilidade de essa ajuda poder vir de onde menos espero? De quem menos espero? Não vale desistir!

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.” (Cf. Refrão do Salmo da Missa de hoje).


Leituras da Missa de hoje: LEITURA I Ex 17, 3-7 | SALMO RESPONSORIAL Salmo 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8) | LEITURA II Rom 5, 1-2.5-8 | EVANGELHO Jo 4, 5-42

6 comentários:

Anónimo disse...

Curioso...
Parece que esta estória é muito parecida com as histórias de Calígula nos seus passeios pela Galileia... a diferença cultural era tanta que parecia um Sábio Doutor no meio do seu rebanho...

Anónimo disse...

hum...

O Primeiro Imperador Romano que se considerou Deus em vida...

a passear pela Galileia...

O filho de Deus... que diz que... Deus, é todo poderoso...

O Pai é Deus...

o Filho e o Pai são Deus...

ou pelo menos assim se auto-designam...

Calígula passou muito tempo entre os Levitas?

Terá deixado o "sang royale" para império Romano Oriental?

Anónimo disse...

Há cada coincidência...

É o Oblisco de Calígula na praça de Pedro...

no Vaticano...

Um local muito à imagem da simplicidade de Cristo...

Nada com a arrogância dos Romanos...

Anónimo disse...

Posso morrer...
mas a minha alma é eterna...

As opções que temos diariamente tem eco na eternidade...

Qual é a vossa opção?

TNC disse...

A melhor opção é mesmo abraçar a vida em sua totalidade, amar e cuidar deste eco como se ama a si mesmo aqui e agora , pois este eco é também algo de si mesmo....

Anónimo disse...

A capacidade de desinformação. Desinformação no sentido de remover a forma primeira para lhe dar outra e dominar a acção a alma...

Terá acontecido com o mito huno?
Terá acontecido com o mito Judaico?

Tantos outros mitos locais (as ditas festas pagãs...) que agora tem uma alma escravizada...

E tudo começou com um grito de liberdade... libertar o povo... e agora até as roupas levam uma gola... tudo porque o actual assim o indicou...