28 de abril de 2011

2/2 - Críticas Teístas ao Ateísmo de W. Craig


Este post é a segunda de duas partes de um resumo do artigo «Críticas Teístas ao Ateísmo» de W. Craig in: Um Mundo sem Deus. Ensaios sobre o Ateísmo, dir. Michael Martin, Edições 70.

1. Argumentos Cogentes a favor do Teísmo

a. Argumento da contingência

i. Se o universo inclui toda a realidade física, então a causa do universo tem de transcender o espaço e o tempo {\(~ material ^ ~ temporal)} → {( mente v obj abstracto) ^ ~ obj abstracto}→ mente
ii. Deus existe = o universo não existe por necessidade da sua própria natureza.

b. Argumento cosmológico

i. O que começou a existir tem uma causa
1. Algo não passa a existir a partir do nada
2. Se o universo só começou com o Big Bang, antes disso não havia sequer a potencialidade da existência.
ii. O universo começou a existir.
1. ~ regressão temporal infinita de acontecimentos
2. Argumento de Cantor não pode ser transposto para o mundo espaço-tempo.
3. Colecção formada por adição sucessiva → não pode ser efectivamente infinita.
4. Modelo do Big Bang descreve a expansão do próprio espaço e não preenchimento vazio.
5. Argumento termodinâmico do equilíbrio calórico.

c. Argumento teleológico

i. Ajustamento Perfeito → (Necessidade Física w Acaso w Desígnio)
1. Só existe vida se as constantes e quantidades se encontram perfeitamente ajustadas. Se não houvesse ajustamento, então nem mesmo a matéria e a química existiriam.
ii. Necessidade física implausível.
1. Teoria M substitui o ajustamento perfeito de forças, pelo geométrico perfeito.
iii. É impossível o acaso.
1. Complexidade do ajustamento, abordagem estatística da inferência por desígnio. Bayesianismo aponta para a maior probabilidade do desígnio face ao acaso.
2. Multiverso não é uma boa explicação
a. Hipótese do desígnio é mais simples; Não há maneira conhecida de gerar um agregado mundial; ~ Indícios a favor agregado mundial à parte do próprio ajuste perfeito; Multiverso é posto em causa pela biologia evolucionista.
iv. \ Ajustamento Perfeito → Desígnio

d. Argumento Moral

i. Se Deus não existe, então valores e deveres morais não existem.
1. Mundividência naturalista não justifica a existência de valores e deveres morais.
2. Exige-se à explicação metaética o porquê dos seus princípios serem verdadeiros.
ii. v Realismo Moral Ateu
1. Natureza da obrigação moral ~= Realismo Moral Ateu
2. Do processo evolutivo cego não emergem aqueles géneros de criaturas que correspondem ao domínio abstractamente existente de valores morais.
3. \ ~ Realismo Moral Ateu

e. \ É mais plausível encarar tanto o natural como o moral como domínios que estão sob a hegemonia de um criador e legislador divino do que pensar que estas duas ordens inteiramente independentes da realidade se encaixam por mero acaso.

3 comentários:

Anónimo disse...

a. Argumento da contingência.
Especulação apenas com base na nossa ignorância. Não há dados.

b. Argumento cosmológico.
Especulação apenas com base na nossa ignorância. Não há dados.

c. Argumento teleológico.
A realidade é uma mistura de desígnio e acaso. O desígnio tem influência limitada pela informação. Ex: As estações do ano são um desígnio. Mas tendo a informação da mesma são: o livre-arbítrio e o acaso, as forças maiores na determinação do futuro.
O acaso é a força maior quando não é aplicada energia suficiente na aplicação da informação desejada.
O Multiplexo é uma especulação apenas com base na nossa ignorância. Não há dados.

d. Argumento Moral.
Os valores morais existem mesmo sem deus.
A mundividência naturalista justifica a necessidade de valores morais como variáveis na maximização do bem comum. Todos perdem sem valores morais. Todos ganham com valores morais. Por isso os valores morais existem sem deus de forma natural. Os elefantes têm valores morais transmitidos de geração em geração. Sem valores morais os jovens elefantes chegam a ser extremamente destrutivos só porque podem...

Existe o paraíso para os Elefantes?
Deus foi feito há imagem e semelhança dos elefantes?

Ricardo disse...

Caro Anónimo,

a. e b.) concordo consigo, além de não haver dados, pela nossa experiência habitual, temos dificuldades em pensar estas questões fora dos nossos próprios limites, por causa disso temos dificuldades na abstracção das variadas possibilidades das teorias das cordas e das suas múltiplas dimensões, pelo que concordo que estes argumentos são especulação.

d) também concordo, os valores morais não necessitam de Deus, e este é ainda o velho argumento presente nas discussões entre teismo e ateismo, não percebo porque é que o Craig voltou a trazer este argumento.

Com respeito à existencia de paraiso ou não, isso apenas se funda em crenças de controlo que adquirimos, e que nos são dados dentro de um contexto de múltiplas crenças inter-ligadas entre si. Se existe ou não, eu não lhe sei dizer.

Abraço,

Anónimo disse...

Prezado anônimo,

Para encurtar, vou ater-me a (d), começando por essas afirmações:
1) Todos ganham com valores morais. Por isso os valores morais existem sem deus de forma natural.
2) Os elefantes têm valores morais transmitidos de geração em geração.
3) Sem valores morais os jovens elefantes chegam a ser extremamente destrutivos só porque podem...

Está evidente que ignorou a semântica comum de "valor moral" e "Deus" em favor de algum significado pessoal que desconhecemos, pelo que fica difícil dialogar consigo. É-nos impossível compreender sem mais detalhes ao que está chamando, por exemplo, de "valor moral", uma vez que para si os elefantes os tem.

Sobre "sem valores morais os elefantes chegam a ser extremamente destrutivos"... Mas o que é isso? Essa afirmação faz muito menos sentido do que as que pretendia refutar, e se quer defender a tese de que elefantes têm inteligência e caráter com os seres humanos, ou que os homens agem somente por instinto como os elefantes, esteja a vontade. Apenas cabe lembrar que isso não é pressuposto.

E para não continuar com questões de gramática e debates sobre semântica, termino com uma observação sobre uma de suas interrogações:
- Existe o paraíso para os Elefantes?
Isso terá que perguntar a eles mesmos, certo? Se têm valores morais e ética, provavelmente serão capazes de filosofar e talvez te apresentem uma boa resposta esclarecedora.

Att.