10 de abril de 2011

Entrar pela morte adentro

No man is an island,
entire of itself. Every man is a piece of the
continent, a part of the main. If a clod be washed away by the sea,
Europe is the less, as well as if a promontory were, as well as if a manor
of thy friends or of thine own were. Any man's death diminishes me,
because I am involved in mankind. And therefore never send
to know for whom the bell tolls:
it tolls for
thee.

[John Donne]



Salmo 129
De profundis

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor, *
Senhor, escutai a minha voz.
Estejam vossos ouvidos atentos *
à voz da minha súplica.
Se tiverdes em conta as nossas faltas, *
Senhor, quem poderá salvar-se?
Mas em Vós está o perdão *
para serdes temido com reverência.
Eu confio no Senhor, *
a minha alma confia na sua palavra.
A minha alma espera pelo Senhor *
mais do que as sentinelas pela aurora.
Mais do que as sentinelas pela aurora, *
Israel espera pelo Senhor,
porque no Senhor está a misericórdia *
e com Ele abundante redenção.
Ele há-de libertar Israel *
de todas as suas faltas.


Disseram-Lhe que morria um grande amigo. Disseram-Lhe: e ele morreu. Mas como? Porque deixou que se incrustasse na noite se Ele estava próximo, e com tanta luz?
Disseram-Lhe que morria um grande amigo. Disseram-Lhe: e Ele morreu. Morreu quando lhe sentiu, à distância, o frio; morreu quando as irmãs O apertaram com soluços; morreu porque aquele sepulcro era demasiado estreito, e o seu amigo era maior que tudo aquilo.
Perguntaram-Lhe: onde estiveste? O que Te reteve? se nem mesmo, outrora, o mar Te impedia? Perguntaram-Lhe: e Ele ficou silencioso, por ter muita glória para dar

[e como é discreta, a sua glória].

Perguntaram-Lhe: para quando um novo abraço, se é que haverá novos abraços?

[Quanto duram 4 dias de ausência, se para quem ama toda a ausência é imensa?]

E indo-Se todo mortal pelo sepulcro adentro, chamou o amigo da noite, “porque o dia vai alto, e é tarde para tanto sono”.

O amor não ilude a morte: faz-lhe companhia até que viva. A “morte de Deus” não é tanto o decreto da sua “derrota”, mas a medida da sua disposição para “ser connosco”. A morte só poderia morrer assim: de confusão… de vida...

1 comentário:

Rui Santiago disse...

Espero que não te importes que copie um pedaço do teu texto para o meu blog, Rui, na rubrica "às Sextas com..."

Um abraço!
Rui Santiago cssr