27 de abril de 2011

S. Pedro Canísio


A Igreja celebra hoje a memória de Pedro Kanis, Canísio na forma latinizada do seu sobrenome. Figura muito importante no século XVI católico. Nasceu a 8 de Maio de 1521 em Nimega (Holanda). Entrou na Companhia de Jesus a 8 de Maio de 1543 em Colónia, depois de ter seguido um curso de exercícios espirituais sob a guia do beato Pedro Fabro (um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola). Ordenado sacerdote em Junho de 1546 em Colónia, já no ano seguinte, como teólogo do Bispo de Augsburgo, esteve presente no Concílio de Trento, onde colaborou com outros dois jesuítas, Diogo Laínez e Afonso Salmerón.

Enviado à Alemanha, trabalhou muitos anos, com seus escritos e pregações, na defesa e conservação da fé apostólica. Disse: «Ali [na Basílica de S. Pedro] senti que uma grande consolação e a presença da graça me eram concedidas por meio de tais intercessores [Pedro e Paulo]. Eles confirmavam a minha missão na Alemanha e pareciam transmitir-me, como apóstolo da Alemanha, o apoio da sua benevolência. Vós sabeis, Senhor, de quantos modos e quantas vezes nesse mesmo dia me confiastes a Alemanha, pela qual depois eu continuaria a ser solícito, pela qual desejaria viver e morrer».

Os seus escritos mais divulgados foram os três Catecismos, compostos de 1555 a 1558. O primeiro Catecismo destinava-se aos estudantes capazes de entender noções elementares de teologia; o segundo, aos jovens do povo para uma primeira instrução religiosa; o terceiro, aos jovens com uma formação escolar a nível de escolas secundárias e superiores. A doutrina católica era exposta com perguntas e respostas, brevemente, em termos bíblicos, com muita clareza e sem comentários polémicos. São Pedro Canísio sabia compor harmoniosamente a fidelidade aos princípios dogmáticos com o devido respeito por cada pessoa.

Em 1580 retirou-se em Friburgo, na Suíça, dedicando-se inteiramente à pregação e à composição das suas obras, e ali faleceu em 21 de Dezembro de 1597. Beatificado pelo beato Pio IX em 1864, foi proclamado segundo Apóstolo da Alemanha pelo Papa Leão XIII em 1897, e pelo Papa Pio XI canonizado e proclamado Doutor da Igreja em 1925.

Mas quem era verdadeiramente Pedro Canísio? Um homem cuja centralidade da vida era a amizade que tinha com Jesus. A difícil tarefa de Canísio só era possível em virtude da oração. Só era possível a partir do centro, ou seja, de uma profunda amizade pessoal com Jesus Cristo; amizade com Cristo no seu Corpo, a Igreja, que deve nutrir-se da Eucaristia, sua presença real. Uma amizade alimentada pelo amor à Bíblia, pelo amor ao Sacramento, pelo amor aos padres, amizade claramente unida à consciência de ser continuador da missão dos Apóstolos na Igreja. Amizade que transmitia na relação que tinha com cada pessoa com quem se cruzava. Assim como o nosso organismo precisa de água e de alimento, a vida cristã precisa de ser alimentada. Esse alimento, como o próprio dizia, recebe-se pela participação na Liturgia, e pela oração individual diária, pelo contacto pessoal com Deus.

É de facto o testemunho de vida de Pedro Canísio, actual e de valor permanente, aquilo que nos pode ajudar a viver no meio da correria do nosso dia-a-dia, no meio de múltiplos estímulos que nos rodeiam e nos fazem andar confusos, baralhados, sem rumo.

1 comentário:

Anónimo disse...

«O primeiro Catecismo destinava-se aos estudantes capazes de entender noções elementares de teologia; o segundo, aos jovens do povo para uma primeira instrução religiosa; o terceiro, aos jovens com uma formação escolar a nível de escolas secundárias e superiores.»

Como saber a diferença? Dar qual a quem?

Existem publicações dos 3 catecismos?