14 de maio de 2011

Andrés Torres Queiruga, sobre "Repensar el Mal"

Andrés Torres Queiruga, teólogo espanhol, deu uma estrevista sobre o seu novo livro "Repensar el mal", que acaba de publicar. O livro trata o velhinho problema do mal, mas aborda-o renovadamente. Para adoçar o interesse, acrescento ao filme da entrevista, alguns parágrafos do artigo que Anselmo Borges dedica a "Repensar el Mal", no DN de hoje.

Penso que Andrés Torres Queiruga, da Universidade de Santiago de Compostela, é um dos mais vigorosos e penetrantes teólogos católicos vivos, numa ousadia única de colocar a fé cristã em confronto radical com a modernidade e vice-versa. Acaba de publicar em castelhano uma obra seriamente original sobre o tema em epígrafe: Repensar el mal, que obriga a pensar.

Lá está o famoso dilema de Epicuro: Ou Deus pôde evitar o mal e não quis; então, não é bom. Ou quis e não pôde; então, não é omnipotente. Ou quis e pôde; então, donde vem o mal?




Sim, a pessoa é um ser finito, mas com uma abertura infinita. Este é o mistério do Homem. Nunca estamos acabados, nenhum ser humano morre definitivamente feito. Não há nada finito que possa preencher a abertura humana, não há nada finito que possa realizar a nossa capacidade de conhecer e amar. Há aquele passo de Tristão e Isolda, na experiência amorosa, quando Tristão diz: "tu és Tristão e eu sou Isolda". E Isolda: "tu és Isolda e eu sou Tristão". Esta reciprocidade no amor, que não anula a pessoa, porque quanto mais amas mais és, cria uma relação especial. Ora, esta é a possibilidade que se abre ao crente a partir da fé, apoiada em razões: "Deus pode entregar-se-nos nesta abertura infinita, de tal modo que podemos dizer, como Tristão e Isolda, que somos Deus, que está em nós", desde sempre.

2 comentários:

João Cunha disse...

Para Deus não existe "o bem" nem existe "o mal".

Para Deus existe apenas "o natural".

João Cunha Amarante 30-03-2012

João Cunha disse...

"O bem e o mal" existem apenas para os seres humanos quando sofrem a acção do "natural".