19 de maio de 2011

Resumo de ASCHENBRENNER, George – “Consciousness Examen”

Neste artigo, o pe. Aschenbrenner considera o exame de consciência como um exercício de discernimento de Espíritos. Portanto, ele tem que estabelecer duas distinções, a saber: i) a distinção entre dois tipos de espontaneidade, centra o exame na espontaneidade da comunicação de Deus, e não na do mau espírito; ii) A distinção entre consciência moral, conscience, e consciência psicológica, consciousness, centra-nos na percepção dos subtis toques de Deus na nossa consciência psicológica existencial. Então, o exame é uma ferramenta de índole vocacional porque nos permite medir continuamente o que Deus nos vai mostrando e as nossas respostas aos seus toques. Porquanto, o exame é um tempo de oração. Examinar-me a partir de padrões morais auto, ou hetero-impostos é diferente da escuta do chamamento de Deus, esta só pode acontecer na sua proximidade. Aliás, o tempo de oração formal, sem o exame, pode tornar-se um tempo alienado do resto da vida – a prática do exame ensina a encontrar a Deus em todas as coisas, tornando-nos alter Cristus.

O pe. Aschenbrenner troca a ordem dos dois primeiros pontos do exame. Parece-lhe que pedir ao Espírito que faça ver como Deus vê, deve anteceder a expressão da nossa pobreza agradecida por tanto bem recebido. Ou seja, que a iluminação da nossa consciência psicológica, precede o reconhecimento do Dom. O exame das nossas acções, para o pe. Aschenbrenner, centra-se na pergunta: como se tem relacionado Deus comigo desde o último exame? E, só numa segunda fase, como tenho eu respondido ao chamamento do Espírito. A possibilidade desta pergunta dimana da nossa receptividade, passividade e conhecimento da dependência de Deus. Por isso, o exame particular não pode ser a enformação de um ideal exterior, mas a informação de Deus sobre o próximo passo da nossa conversão. Esta distinção é importante porque o mau discernimento do itinerário é tentação que nos afasta da conversão sob aparência de bem.

Se o examinante recebeu o dom de se ver como Deus o vê, se, agradecidamente, percebeu a graça superabundante, e percebeu por onde Deus o chama, além da incapacidade das suas respostas; então, o mais natural é que se apresente a Deus como penitente, como interlocutor incapaz do Espírito. No entanto, a contrição e a tristeza não são vergonhosas ou depressivas, são Graça para ver a realidade. Graça essa que se projecta na resolução esperançosa para o futuro.

Resumindo, o autor considera que: a) o exame da consciência psicológica, ou o exame de tomada de consciência, é ferramenta central para o nosso itinerário de fé pessoal, por isso não pode ser negligenciado, antes, é até mais relevante que o tempo de oração formal; b) a nossa relação com Deus deve ser guiada por Ele, não somos nós que escolhemos o itinerário da nossa conversão; c) Deus está na nossa vida e podemos ganhar sensibilidade para O encontrar em todas as coisas, essa sensibilidade passa pela distinção do bom e do mau espírito, que se adquire pela prática regular do Exame de Consciência.

20 comentários:

Anónimo disse...

É realmente verdade que é necessário esse tempo de exame de consciência.

Pode colocar todas essas questões sem referir Deus...

Apenas tem o efeito de passar o seu conhecimento tácito, inconsciente, para o seu conhecimento explícito, estruturado e consciente.

Quais são os meus objectivos de vida?

O que fiz hoje para os alcançar?

O que me faz sentir bem?

O que me faz sentir mal?

Será que estou a mentir a mim mesmo?

Será que estou a enganar a mim próprio?

Anónimo disse...

Olá!

Pois... mas talvez seja diferente encontrar-me só comigo mesmo, ou encontrar-me com Alguém que fala discretamente no meu coração ao longo do dia. Não?

Parece até que um dos pontos é mesmo esse: que não se quer um monólogo moralista... ou uma questão de metas pessoais auto-centradas...

Anónimo disse...

E se esse Alguém que fala discretamente no seu coração não é mais do que você mesmo?

E se esse Alguém que fala discretamente no seu coração não é mais do que o seu inconsciente?

E se essa dualidade não é mais do que o que quer/(deve fazer) e o que pensa que quer/(deve fazer)?

Anónimo disse...

E se esse Alguém que fala discretamente no meu coração, e no seu, é mesmo Alguém?

Anónimo disse...

O único recanto para esse Alguém, continua a ser a ignorância...
Como não sei...

Mas a neuropsicologia permite uma abordagem para perceber o que é essa voz ou o que são essas vozes:
Hannay, H.J. (1986). Experimental Techniques in Human Neuropsychology. New York: Oxford University Press.

O omniomni no recanto da ignorância?
Não é estranho?
Alguns representantes falam de TUDO e depois resume-se a NADA?

Anónimo disse...

O único recanto para esse Alguém continua a ser o encontro.

As pessoas com quem se cruza no seu dia, entre as quais aquelas que ama, são apenas percepções, ou impulsos nervosos que circulam no seu cérebro, ou activações bioquímicas de determinadas zonas cerebrais?

A neuropsicologia fala-nos apenas de como funciona o nosso cérebro (tanto quanto lhe é possível apurar), não de como "funcionam" os encontros.

Anónimo disse...

«são apenas percepções, ou impulsos nervosos que circulam no seu cérebro, ou activações bioquímicas de determinadas zonas cerebrais?»

Depende...

Se há outras pessoas que percepcionam essa pessoa e se essa pessoa é capaz de interagir com objectos materiais de forma consistente e verificável, então essa pessoa, esse encontro, existe para além dos meus impulsos cerebrais.

Levando esta possibilidade ao extremo, caímos na alegoria da caverna, sendo uma possibilidade impossível de refutar, mas improvável.

O que entende por:
«como "funcionam" os encontros.»?

Há muita literatura sobre o assunto. O Neuromarketing tenta maximizar um tipo encontro, o desejo, a vontade.

Anónimo disse...

«Levando esta possibilidade ao extremo...»: por isso me parecem arriscados os reducionismos e cepticismos da neuropsicologia, concordando que os seus progressos são uma mais valia para a compreensão do que é o nosso modo de nos relacionarmos e, em particular, o modo de relação que é a oração e a fé. Mas, de facto, há que não fazer dos cepticismos argumentos para a inexistência de uma realidade, só para a impossibilidade de a verificar empiricamente.

Mas levantou uma questão interessante, a da comunidade que interpreta os dados de que dispõe: «Se há outras pessoas que percepcionam essa pessoa...». O entendimento do que é uma comunidade de fé poderia ser formulado sumariamente de modo semelhante.

«...e se essa pessoa é capaz de interagir com objectos materiais de forma consistente e verificável...»: A crença, partilhada pela comunidade de fé, na pessoa de Deus fala de alguém capaz de interagir com as pessoas. Como uma pessoa cativa o coração de outra, sem "interagir com objectos materiais de forma consistente e verificável". Não é isso até mais significativo?

Sobre «como "funcionam" os encontros.»: os encontros jogam-se a outro nível que o de um circuito de impulsos neuronais. Nesse sentido, explicar o que são os encontros é mais do que dizer como "funcionam". É contar uma história, é implicar biografias. E isso é considerar mais que o puramente neuronal, que muitas vezes pretende dar uma resposta total e definitiva do que são os fenómenos.

Anónimo disse...

Perguntou:

«...e se essa pessoa é capaz de interagir com objectos materiais de forma consistente e verificável...»: A crença, partilhada pela comunidade de fé, na pessoa de Deus fala de alguém capaz de interagir com as pessoas. Como uma pessoa cativa o coração de outra, sem "interagir com objectos materiais de forma consistente e verificável". Não é isso até mais significativo?

Pode ser signifcativo de que sofre de uma imaginação delirante e irreal. Uma psicose que deve ser tratada para bem próprio podendo chegar a colocar em perigo a própria vida e a dos outros.

Não percebo a sua definição de:
«como "funcionam" os encontros.»?

É contar uma história, é implicar biografias. Uma ilusão pode desenrolar um estória e implicar biografias irreais...

Anónimo disse...

«Pode ser significativo de que sofre de uma imaginação delirante e irreal.»: Se pode ser, não tem que ser.

«Uma ilusão pode desenrolar um estória e implicar biografias irreais...»: Naturalmente, estou a falar de biografias reais...
E se pode ser uma ilusão, tem que ser uma ilusão?

Digo eu que: «A crença, partilhada pela comunidade de fé, na pessoa de Deus fala de alguém capaz de interagir com as pessoas. Como uma pessoa cativa o coração de outra, sem "interagir com objectos materiais de forma consistente e verificável"». A segunda frase, sobre o modo "como uma pessoa cativa o coração de outra, sem..." refere-se a qualquer pessoa humana. Porquê empurrar logo a questão para a imaginação, o delírio, o irreal e a psicose?? Nem atentou a que eu me referia às experiências mais comuns de relação, mas apressou-se a rotular de psicótico porque lhe cheirava a religioso. Que diálogo é que quer conseguir?

Anónimo disse...

«Porquê empurrar logo a questão para a imaginação, o delírio, o irreal e a psicose??»

Porque:«pessoa de Deus fala»

Como não há manisfestações de Deus...

Toda a relação com base nesse pressuposto, tem por base, a imaginação, o delírio, o irreal e possivelemente psicose...podendo chegar a colocar em perigo a própria vida e a dos outros.

«Que diálogo é que quer conseguir?»
A autodescoberta é pessoal, como tal o diálogo depende da sua capacidade de auto-análise das suas crenças.

Quando perceber que as suas crenças têm por base um pressuposto irreal, que historicamente é responsável por guerras e mortes, mártires, genocídeos... quando perceber que vive numa prisão psicológica...

talvez aí seja possível dialogar sobre os valores canónicos de uma sociedade de bem sem subjugação tácita dos cidadãos livres.

Anónimo disse...

Parabéns por ter as ideias tão bem arrumadas... ou talvez não.

Mesmo assim, desejo-lhe melhor sorte.

Anónimo disse...

Agradeço as suas palavras.

Deixo estas perguntas:

Porque limita a sua liberdade?

Porque não dá liberdade ao seu coração de acreditar no que considera mais sincero?

A sorte está nas nossas mãos...

Anónimo disse...

Se o seu coração acredita no que considera mais sincero, porque não me dá liberdade a mim de fazer o mesmo, em vez de ter que acreditar no que o seu considera mais sincero. Absolutismos não, obrigado.

Donde me conhece para dizer que não sou livre?? Uma ideia feita, novamente...

Pelo contrário, a minha fé faz-me mais e mais capaz de alcançar o que desejo, de fazer o que quero. Liberta-me também cada vez mais daquilo que prende a vontade, ou dos esquemas arrumados, mas fechados e abafados. O meu coração é livre e o meu entendimento arejado.

A sorte está na abertura de espírito.

Anónimo disse...

Se acredita sinceramente.
Tem toda a liberdade para acreditar...

Mas se colocar em perigo a sua própria vida ou a dos outros, então a sociedade tem a obrigação ética de salvaguardar a vida.

Considera legítimo o apelo ao heroísmo pelo martírio?
Eu não.

A estrutura da religião, por definição, obriga a restrições que limitam a liberdade, e se ultrapassados alguns limites colocam castigos que poderam ir da excomungação ao assassinato.

Plenamente de acordo com o uso da fé... não implica Deus.

As vítimas de violência, quer física ou psicológica, tendem a justificar os abusos sofridos como limites necessários para serem "melhores"...

Dada a construção de "normalidade" dentro de uma gaiola um pássaro nunca saberá o que é a liberdade se não tiver exemplos de pássaros livres...

Necessita de mais exemplos de violência psicológica para além da que a imposição de castidade?

Se jurou castidade é livre?

Anónimo disse...

«Considera legítimo o apelo ao heroísmo pelo martírio?»: O apelo à coerência de vida, mesmo que implique perder o bem mais precioso, que é a própria vida, porque afinal se sabe ter e esperar um bem maior? Arriscar negar a própria vida porque não se quer negar um bem mais precioso? Claro que sim. O martírio cristão não é igual a outros como o de bombistas suicidas, cujo intuito é exclusivamente o de eliminar "inimigos da fé". O martírio cristão só acontece quando o próprio que morre é vítima daqueles que pretendem que negue algo que para ele é o bem mais precioso, a fé num Deus que é amor e justiça. Os mártires cristãos são aqueles que morrem às mãos daqueles que os obrigam, sob pena de morte, a negar a sua fé em Deus. O que não couber nessa definição não é mártir cristão.

«A estrutura da religião, por definição, obriga a restrições que limitam a liberdade, e se ultrapassados alguns limites colocam castigos que poderam ir da excomungação ao assassinato.»: Vou ter de investigar, pois conhece uma igreja que eu não conheço. Assassinato? Que romances anda a ler? E mesmo que se afirme que isso acontece ocultamente, por acontecer ocultamente é precisamente algo em dissonância com o que é a fé e, por isso, não representativo de um defeito intrínseco desta. Restrições? Cada programa colectivo de vida tem as suas. São o acordo entre aqueles que têm um projecto comum e o querem levar por diante. O seu projecto também tem as suas, que limitam acções. Faz parte. Excomunhão? É precisamente saber quando uma posição ou comportamento leva a pessoa a colocar-se por ela mesma fora desse projecto colectivo. Cada projecto tem as suas excomunhões. Até a comunidade científica!

Já agora, arranje-me por favor, essa "definição"...
Se é que há só uma, total e definitiva...

«As vítimas de violência, quer física ou psicológica, tendem a justificar os abusos sofridos como limites necessários para serem "melhores"...»: No meu caso, não se trata de justificar. Trata-se de não experimentar qualquer violência, abuso, ou limite, que seja necessário justificar. Você parece que julga conhecer-me. De onde?

«Dada a construção de "normalidade" dentro de uma gaiola um pássaro nunca saberá o que é a liberdade se não tiver exemplos de pássaros livres...»: Acha que eu só conheço cristãos e católicos?

«Necessita de mais exemplos de violência psicológica para além da que a imposição de castidade? Se jurou castidade é livre?»: Nos dias de hoje, só mesmo querendo. Sim, faz voto de castidade quem o faz por adesão livre. E conheço quem o faça e viva desse modo livremente, e verdadeiramente feliz. Não com uma felicidadezinha beata, que é o que vai deduzir logo, no seu preconceito. Há mais mundo para além da sua mente "iluminada". Se você não conhece alguém que viva isso, não pense que conhece todo o universo dos possíveis.

Sinceramente, acho pior mal para a sociedade humana o seu preconceito, a sua arrogância de "iluminado", e o seu dogmatismo que quaisquer tropeços da Igreja.

Diálogo, definitivamente, não é consigo.

Anónimo disse...

A cada resposta que dá, revela um pouco mais da sua visão do mundo uma vez que projecta a sua interpretação no que pensa que foi apresentado.

A violência não é uma atitude normal.
Ser treinado para aceitar morrer por uma instituição não é normal. É uma violência. Talvez um dia perceba isso...

Assassinato?
O que acontece a um convertido, muçulmano que queira desistir?
É uma religião menor?

Arrogância?
Estou apenas a tentar mostrar outros caminhos. Nunca me arroguei a representação de um deus que não se manifesta, ao contrário de outros.

Preconceitos? Sim todos os conceitos que me permitem interpretar o mundo que me rodeia e que a minha memória me permite.
No entanto sei que o mais importante é aprender a desaprender.
Consegue ensinar algo de forma consistente sem serem estorinhas?
Ou os benefícios de ilusões colectivas?

Claro que há mais mundo... um universo inteiro para além da mim... o que o assusta nesta simples mente? a verdade "iluminada" como refere?

Uma vez que refere cristãos e católicos, tem a liberdade de opinião de que o preservativo deve ser usado e de que a proibição do preservativo é um acto criminoso no mundo em que vivemos?

Que dogmatismo? se acha que apresento algo de forma dogmática não tenho consciência disso e agradeço que o indique. Todas as estruturas que procuro devem apresentar bases sólidas ou as melhores possíveis dentro do conhecimento actual...

16 comentários, espero que este diálogo lhe abra o coração e que possa ver a realidade que o rodeia, por isso é que aqui estou.

"Consciousness examen"

Será que estou a mentir a mim mesmo?

Será que estou a enganar a mim próprio?

Anónimo disse...

Afinal quando confrontado com a pergunta:

«Consegue ensinar algo de forma consistente sem serem estorinhas?

Ou os benefícios de ilusões colectivas?»

Fica o silêncio.

Anónimo disse...

Silêncio? Talvez não tenha a sua vida para gastar tanto tempo a azucrinar a paciência de quem está de boa-vontade...

Simplesmente deixei de querer perder o meu tempo consigo. Confesso-lhe, tenho pena. Quando comecei este diálogo, pensei que, sem ficarmos necessariamente persuadidos pelo outro, nos entenderíamos na boa-vontade. Percebi entretanto que, da sua parte, isso não é possível. Não insistirei mais.

«16 comentários, espero que este diálogo lhe abra o coração e que possa ver a realidade que o rodeia, por isso é que aqui estou.» Por favor, poupe-se ao ridículo...

Anónimo disse...

«azucrinar a paciência»?
«poupe-se ao ridículo...»?

Frases pouco católicas... porquê?

Mostrei as minhas convicções para o seu bem. Espero que um dia perceba isso.

Acusou de dogmatismo. Se acha que apresento algo de forma dogmática não tenho consciência disso e agradeço que o indique.

E quando confrontado com as perguntas:

«Consegue ensinar algo de forma consistente sem serem estorinhas?

Ou os benefícios de ilusões colectivas?»

Fica o silêncio. Interrompido por frases pouco católicas...