27 de maio de 2011

A Terceira Provação, na Companhia de Jesus

No percurso de formação dos jesuítas, os anos dedicados ao estudo parecem nunca mais acabar mas, na verdade, as diferentes etapas têm oficialmente um final. O termo da formação do jesuíta não é a Teologia, como poderia pensar quem lida mais com os sacerdotes. Os irmãos também dedicam algum tempo ao estudo e ao conhecimento técnico e prático de um determinado ofício. Assim como o começo é para todos o Noviciado, também o final é para todos igual e tem um nome: Terceira Provação.


Pressupõe duas outras provações: a primeira logo a seguir à entrada do candidato e a segunda a partir do próprio Noviciado. Ainda que distante no tempo, a Terceira Provação tem a sua similitude com o Noviciado. Muitos dizem que é como regressar àqueles primeiros anos onde se aprendiam os fundamentos do que é ser Companheiro de Jesus. Esta etapa final, por um período de seis a nove meses, acontece habitualmente após dois ou três anos de actividade apostólica.

Tal como as outras fases se inspiram no percurso formativo de Santo Inácio, também esta vai beber, de algum modo, às experiências que ele e os primeiros companheiros, já sacerdotes, viveram na região de Veneza.

Escola do Coração ou Escola do Afecto é outro nome dado a este momento que encerra, no sentido formal, o período formativo: "uma vez acabada a preocupação e o empenho de cultivar a inteligência, no tempo da última provação, insistam na escola do afecto" (Constituições da Companhia de Jesus, nº 516). Esta etapa, que como vimos, vem já desde o tempo de Santo Inácio, não sendo nos nossos dias uma originalidade no contexto da vida religiosa foi-o sem dúvida na sua origem. Inácio mostra o seu génio intuitivo ao perceber os mecanismos psicológicos da pessoa. A preocupação de que a prolongada formação do jesuíta no plano intelectual o possa desequilibrar, fá-lo ver como necessário formar agora o coração para que o jesuíta se possa entregar à exigência da missão na totalidade da sua pessoa.

Do mesmo modo que todos os momentos da formação são pedidos pela missão da Companhia de Jesus, também este tem a sua razão de ser naquilo a que cada um é chamado a realizar na vida de cada dia.

Só após a Terceira Provação e com a realização dos "últimos votos" o jesuíta está plenamente integrado no corpo apostólico que é a Companhia de Jesus. De integração se trata na verdade. Esta procura-se que seja a melhor possível nos diversos âmbitos da vida: "relação consigo próprio e com Cristo, com a Companhia de Jesus, com a Igreja, com o Mundo.

Este processo acontecerá através das diversas "provas" que na Terceira Provação serão proporcionadas ao jesuíta. À semelhança do que aconteceu no Noviciado, o mais marcante é sem dúvida a repetição dos Exercícios Espirituais de mês, só que agora enriquecida por alguns anos de vida na Companhia. Uma posterior reflexão sobre esta experiência vai facilitar a interiorização da letra e do espírito dos Exercícios, fundamental em todo o modo de proceder do jesuíta.
O estudo também não está esquecido mas agora não tanto no plano meramente técnico ou intelectual, mas mais numa orientação sapiencial: a vida como o grande lugar de aprendizagem do que Deus quer dizer. O jesuíta voltará de novo aos textos fundantes e fundamentais da Companhia de Jesus: A Fórmula do Instituto; as Constituições, os escritos de Santo Inácio de Loiola.

Acresce a tudo isto, o exercitar apostólico que procura abrir à universalidade e ao discernimento da missão levando o jesuíta a campos de apostolado com os quais ainda não se confrontou ou a que mais dificilmente parece ter acesso.

Todos estes elementos procuram tocar os aspectos mais profundos do mundo afectivo do jesuíta para que seja cada vez mais dócil à acção de Deus na sua vida. Este, poder-se-ia dizer, é o fim desejado por Santo Inácio com a Terceira Provação. A Escola do Coração ou do Afecto é crucial na maturação do apóstolo que o Companheiro de Jesus procura ser.

6 comentários:

Anónimo disse...

E os textos fundantes da religião monoteísta?

Ou os textos da conversão de Roma ou Catolicismo?

Ou os textos das dificuldades dos militares romanos com o povo de Israel (literalmente: o povo que vê Deus)?

Ou os textos dos apóstolos:
Tomé,
Filipe,
Judas,
ou de Maria?

Afinal o que se sabe realmente do que se passou com Jesus? A data de nascimento? A data da sua morte? Não sabem o que fez aos 20 anos? aos 30 anos?

Yeshua, "Deus é salvação", dizia um soldado ao povo de Israel, há um novo Deus mais poderoso do que todos os Outros. E Agripa I tremeu... Vai aparecer o Filho de David...

Hoje sabemos que nunca foi rei dos Judeus.

E mesmo assim as crenças de Agripa I continuam a ser manipuladas por quem consegui fazer quase tudo o que as escrituras diziam...

A quem interessa tamanha confusão?
Melhor: A quem interessou tamanha confusão?

É esse um contributo para a liberdade?

Ou será um contributo para o Pontífice de Roma que não conhece o João, a Maria ou o Zé?

Anónimo disse...

A prisão futura, presente pela coação do espelho.

Olha para ti, tens uma opinião agora e no futuro não poderás mudar a tua opinião, estás a jurar.

E para isso lá está o mestre, garantia da pressão psicológica porque se o aprendiz não fizer o que se espera, o dano não é só para o aprendiz... mas também para o mestre e o aprendiz não quer ferir o mestre que tanto fez por ele...

E é esta prisão psicológica que querem criar para os outros seres Homo sapiens?

Anónimo disse...

«(I Reis 12,11)

Se meu pai vos impôs um jugo pesado, eu o farei ainda mais pesado. Se ele vos castigou com açoites, eu vos castigarei com escorpiões. »

O preservativo deve ser usado por exemplo entre casais em que um dos membros é HIV positivo.

É um crime proibir o preservativo.

Algum dia terão a liberdade de dizer isto em público?

Anónimo disse...

«(Jeremias 27,2)

Eis o que me disse o Senhor: prepara laços e barras de jugo e coloca-os ao pescoço. »

É esse o pensamento dos romanos.

Anónimo disse...

«(São Mateus 11,29)

Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. »

Apenas se forem mansos.

Anónimo disse...

«(Gálatas 5,1)

É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão. »