1 de junho de 2011

Ser contemplativo na acção

Uma das mais habituais queixas das nossas vidas é que estamos muito ocupados. (...) paradoxalmente, as tradições espirituais - tanto cristãs como não cristãs - não costumam imaginar Deus tão ocupado como nós. (...) Mas há uma tradição espiritual que oferece um certo correctivo à nossa imagem de um Deus a descansar eternamente. Essa tradição vem de Inácio de Loyola, que tinha uma certa predilecção para descrever Deus, Trindade e Encarnado, a trabalhar. Ele imaginava Deus activo e Jesus atarefado com os assuntos deste Deus a quem chamava Abba, Pai. (...)

Então, onde é que começamos a procurar Deus? Na actividade, no trabalho. O que distingue a perspectiva de Inácio não é chamarmos por Deus para Ele estar presente connosco nos nossos trabalhos, mas antes cairmos na conta que somos privilegiados por nos juntarmos a Deus nas Suas actividades, nos trabalhos de Deus. Mais correctamente ainda: devemos estar sempre a trabalhar com Deus e com o mundo de Deus. A nossa união com Deus, com Cristo, é encontrada primariamente, portanto, na actividade em conjuncão com Deus, com Cristo. (...)

O dom de lnácio para nós, nos nossos dias, é ainda o de nos apontar o caminho para a nossa vida peregrina, feita de movimento e actividade. O trabalho que fazemos deve envolver-nos na divina história que contemplamos. (...) Encontrar um Deus ocupado fornece um incentivo para o nosso trabalho, porque descobrimos que o próprio labor que nos caracteriza como humanos é um lugar especial onde Deus está. Tanto que precisa de ser feito e Deus chama-nos para a tarefa de construir com Ele um mundo ao mesmo tempo mais humano e mais divino.

Ao mesmo tempo, encontrar um Deus ocupado dá-nos um meio de nos libertarmos da ansiedade inútil e da impaciência de querermos terminar qualquer trabalho de acordo com o nosso calendário. Embora Deus nos tenha criado para O ajudarmos nas Suas ocupações, continuamos a ser apenas colaboradores. Cada vez que rezamos como Jesus nos ensinou, expressamos a nossa fé na vinda divinamente assegurada desse Reino. "Venha a nós o vosso Reino”, rezamos.

Por essa esperança trabalhamos; nessa divina certeza nos descontraímos.

David Fleming, Finding a busy God

23 comentários:

Anónimo disse...

Continuam os vigários a falar em nome de Deus...

Foi Deus que disse?

«Embora Deus nos tenha criado para O ajudarmos nas Suas ocupações»

manel disse...

Continuam os anónimos a falar em nome da deusa razão cientifico-formal...

Foi a Deusa Razão que te disse?

«?»

Anónimo disse...

Caro Manuel,

"Deusa Razão" é uma expressão sua... o que é?

Felizmente não preciso de ninguém a me dizer o que está certo ou o que está errado, e o que devo fazer.

Anónimo disse...

«Embora Deus nos tenha criado para O ajudarmos nas Suas ocupações»

Parece mais uma acção de Satanás... criar só para benefício próprio...

Anónimo disse...

Caro Manel,

No lugar de rezar à Nossa Senhora da Estrada, escrevo-te, talvez a mensagem chegue mais rápido...

Peço que treine o seu espírito santo e que embuído do espírito santo repare que vigários são vigários.

Apenas e só no caso de serem falsos vigários é que não passam de vigaristas.

Perguntar ofende?

A pergunta era apenas para saber com que base é que afirmam:
«Embora Deus nos tenha criado para O ajudarmos nas Suas ocupações»

É que Deus... nem vê-lo...
(nem ao longe, nem ao perto) quanto mais falar com ele...

Mas posso estar enganado...

Cordiais saudações,

manel disse...

Caro sem nome,

Como se chama? E o que o motiva a comentar este Blog?


«Perguntar ofende?»

saudações,
manel

Anónimo disse...

Caro Manel,

Qual a importância do nome?

Motivação para comentar este Blog:
Jesuítas e filósofos, talvez eles saibam explicar as contradições de uma instituição que defendem. Se esta elite não sabe, não é capaz, quem será?

Cumprimentos,

Anónimo disse...

Como dizia o P. António Vieira, há pessoas que fazem perguntas não para se esclarecerem, mas para confundirem os outros...

Anónimo disse...

Ou para clarificar os erros dos outros...

Anónimo disse...

De qualquer forma uma pergunta é um canal de comunicação e só fica confuso quem faz as coisas de forma não estruturada e que, com uma simples pergunta, fica sem resposta.

Com o canal de comunicação há sempre a possibilidade de esclarecimento da confusão do que faz as coisas apenas "pelo espírito santo de orelha" ou de quem faz a pergunta.

Anónimo disse...

Afinal os Jesuítas apenas sabem «azucrinar o juízo» dos ignorantes, porque ficam «azucrinados» em sociedades que têm o mínimo de «razão cientifico-formal» ...

Nuno disse...

"Ser contemplativo na acção" é ter presente Deus nas nossas vidas.

manel disse...

Regressando à sua pergunta inicial:

O texto refere-se a tradições espirituais não coincidentes e a imaginários sobre Deus. Assim, talvez fosse mais interessante perguntar: "Que credibilidade tem esta tradição espiritual para afirmá-lo?" em vez do irónico: "Foi Deus que disse?".Essa pergunta, que presumo queira ver respondida, poderia ser respondida pelos frutos de 500 anos de gente a viver bem e frutiferamente com essa noção. Essa é a melhor prova. Mas esta prova quem não quer, não a percebe, pois não é cientifico-formal, mas vivencial.

Então, pergunto:
Que poderia ser prova de que foi Deus que disse? Segundo o seu critério, que condições teriam que ser preenchidas para tal prova ser aceite?

Anónimo disse...

Caro Manel,

O que me pergunta foi o que Moisés perguntou... Ex 6:28-30

E claro a resposta está em Ex 7:1-2
e Ex 7:8-12

Menos do que isso é uma simples ilusão.

Mas o problema está mesmo nos 500 anos de experiência vivencial de que fala.

Em que os benefícios foram para a instituição e muito pouco para a população.

Porque temos fome no mundo?
Porque temos pobres no mundo?
Porque temos violência do marido com a sua esposa?
Tiveram 2000 anos para educar um povo e o que é que a história vivencial nos diz?

A própria igreja ainda não reconhece a igualdade entre géneros.

«A ruína do opressor» romano está para breve. O pontífice do Roma também sabe que está para breve.

Lembra-te, ó homem, que és pó, e que em pó te hás de tornar.

Petrus

Anónimo disse...

Javé é um Deus ciumento e vingador!
Javé é vingador e sabe enfurecer-Se.
Javé vinga-Se dos seus adversários e é rancoroso com os seus inimigos.
Javé é lento para a ira e muito poderoso, mas não deixa ninguém sem castigo.
Borrasca e tempestade fazem o caminho dEle; as nuvens são a poeira de seus passos. Ameaça o mar, e o mar seca; ele enxuga todos os rios. O Basã e o Carmelo secam, e murcham as floradas do Líbano. As montanhas estremecem diante d'Ele e as colinas derretem-se.
Frente a Ele a terra levanta-se, o mundo e todos os seus habitantes.
Quem resistirá à sua cólera e enfrentará o furor da sua ira?
O seu furor espalha-se como fogo, diante deles rochas rebentam.
Javé é bom!
Refúgio seguro nas horas de aperto: conhece aqueles que n'Ele confiam, quando acontece uma inundação. Extremina quem se levanta contra ele, persegue os inimigos até ao escurecer.

Na 1:2-8

É essa a vivência?

manel disse...

Caro(s) sem nome,

A sua resposta é uma não-resposta. Lançar citações sem nexo para o ar não trás futuro. Nietzsche, Freud e Marx levantaram boas perguntas à religião e à humanidade, assim abrindo futuro a todos; mas a argumentação que expôs é tão dispersa que ninguém consegue dela tirar proveito.

Colocar referências de citações biblicas pode parecer uma argumentação sonante, mas depois, quando se vê as ditas, bem se percebe porque não as transcreveu: porque vêm a despropósito.

Quanto à história, idem idem aspas aspas... se quiser contar assim a história da igreja, pode fazê-lo, mas, para ser coerente tem que condenar igualmente a Primeira Republica e praticamente todas as grandes instituições. Nenhuma instituição pode fugir de assumir as suas culpas, mas a sua condenação tem de vir pelo total da sua acção e não apenas pelas partes negativas; tal como não se pode idolatrar a Primeira República ignorando todos os assassinatos políticos que nele se deram...

Seja construtivo e use argumentos de largo espectro, não se feche em noções parciais que são mais barulho que conversa. Afinal de contas, isto não pretende ser uma troca de galhardetes entre adeptos de futebol que gritam pelo seu Clube na esperança que os decibeis lhes garantam esse estatuto. Até porque quem decide os grande Clubes são os desempenhos desportivos, não as argumentações no café.

saudações,

Anónimo disse...

Caro Manel,

«A sua resposta é uma não-resposta.»

É exactamente o que está a fazer.

Pelo contrário eu respondi. Perguntou:
«Que poderia ser prova de que foi Deus que disse? »

e eu disse:
«O que me pergunta foi o que Moisés perguntou... »
Ex 6:28-30
«Quando Deus falou a Moisés no Egipto, Deus disse-lh: "Eu sou Javé. Diz ao Faraó, rei do Egipto, tudo o que te estou a dizer". Moisés respondeu a Javé: "Não sei falar com facilidade. Como é que o Faraó vai ouvir-me?»

E claro a resposta está em Ex 7:1-2

«Javé disse a Moisés: " Vou fazer de ti um deus para o Faraó, e o teu irmão Aarão será o teu profeta. Dirás o que Eu te ordenar e o teu irmão Aarão falará ao Faraó, para que deixe partir os filhos de Israel da sua terra.

e Ex 7:8-12
«Deus disse a Moisés e Aarão: " Se o Faraó pedir para fazerdes algum prodígio, dirás a Aarão que pegue na tua vara e a lance ao chão diante do Faraó e ela transformar-se-á numa serpente» [...] O Faraó, porém mandou chamar os sábios [...]»

É capaz de fazer algo que impressione os sábios de hoje e que sirva de prova do prodígio de ter falado com Deus?

Como vê não são a despropósito.

Mas seja claro. Porque quer fazer algo que sirva de prova de que falou com deus? Falou? E olhe que quando morrer não poderá dizer que fez e disse o que a igreja mandou.

Claro que como leigo, estou aqui apenas para aprender e não para construir. A questão é que apresentam ideias sem estrutura e incompletas e muitas vezes simplesmente erradas!

Só chamei a atenção de que a visão que queria apresentar dos 500 nos é falsa! No mínimo incompleta como bem reconheceu.

E tenho a dizer que a sua resposta parece a de um animal ferido que não quer reconhecar as próprias feridas e que quer atacar em todas as direcções, sem pensar.

Sabe que não falou com Deus, sabe que não tem prova de representação de Deus e está pronto a tentar mentir ou iludir se necessário para manter um Status Quo de uma instituição cada vez mais com menos credibilidade. É uma figura triste, irada e revoltada.

Para mim as questões são muito simples: acredita no Pai Natal? Acredita em Deus? Acreditou no Pai Natal? Acreditou em Deus? Tem um fantasma debaixo da cama? Prove que não tem!

Quando os benefícios forem claramente para a população no lugar da instituição... aí participarei dessa vivência.

Enquanto tentarem usar a ignorância para manter a instituição com prejuízo para a população... não há fantasia que me convença.

Prova: Quais são as motivações das comissões fabriqueiras?

Anónimo disse...

«"Que credibilidade tem esta tradição espiritual para afirmá-lo?" [...] Essa pergunta, [...] poderia ser respondida pelos frutos de 500 anos de gente a viver bem e frutiferamente com essa noção. Essa é a melhor prova. Mas esta prova quem não quer, não a percebe, pois não é cientifico-formal, mas vivencial.»

«Mas o problema está mesmo nos 500 anos de experiência vivencial de que fala.
[...]
Porque temos violência do marido com a sua esposa?
[...]
e o que é que a história vivencial nos diz?

A própria igreja ainda não reconhece a igualdade entre géneros.»

Nuno disse...

Amar a imperfeição

Ouvi aí umas duzentas vezes o poeta Tonino Guerra citar o verso de um monge medieval: «É preciso ir além da banal perfeição».

É isso mesmo: a perfeição pode ainda ser um caminho que trilhamos pela superfície ou constituir uma ilusão que nos impede de aceder ao verdadeiro e paradoxal estado da vida.

Levamos tanto tempo até perder a mania das coisas perfeitas, até nos curarmos do impulso que nos exila no aparente conforto das idealizações, ou finalmente vencermos o vício de sobrepor à realidade um cortejo de falsas imagens! «É preciso ir além da banal perfeição».

Lembro-me de um filme de Nanni Moretti, acho que é “O quarto do filho”, em que uma personagem, estando a viver um duro luto, se coloca a arrumar no armário as chávenas de chá. Percebe então que uma tem um lado partido.

Tenta disfarçar o facto, colocando visível apenas o lado intacto. Mas ela sabe que àquela chávena falta alguma coisa. Aquela chávena é o símbolo da sua vida, da nossa vida, que ela e nós temos de aceitar e redescobrir continuamente.

Acolher isso é uma condição necessária no amor e na amizade, no viver comum e na maturação pessoal que nos cabe fazer.

Há aquele mote de Samuel Beckett que, se o soubermos ouvir, derrama sobre os nossos embaraços grande luz. Diz assim: «Errar, errar de novo, errar melhor». O que é errar melhor? É saber que, no fundo, erramos sempre.

Isto é: a perfeição encontrámo-la nos catálogos, mas não nos nossos gestos ou em nós próprios. O mais sensato é mesmo adotar a humilde sabedoria de quem procura conscientemente o melhor, mas sabe que o seu melhor ficará ainda aquém.

O que podemos aprender é, pois, a semear, num trabalho de confiança, de desprendimento e simplicidade cada vez maiores. Jung escrevia: «o importante não é ser perfeito, mas sim inteiro». E para nós, o que é realmente importante?

Durante anos tive em casa um cartaz de uma peça de teatro infantil, de um grande autor italiano. Para saber falar às crianças como ele o faz, a gente percebe que se tem de apetrechar não apenas uma enorme habilidade, mas uma afetuosa esperança.

Os miúdos sabem distinguir bem quem lhes fala para entreter ou quem realmente lhes quer comunicar uma verdade de coração. Este autor, chamado Gianni Rodari, é assim.

Durante anos tive um cartaz seu com esta frase: «errando também se inventa». Olhar para aquela frase transmitia-me o ânimo e a leveza de que precisava.

A perfeição coloca-nos perante a realidade como se de um facto consumado se tratasse: se formos mexer, intervir, retocar ou alterar, sentimos isso como uma perturbação.

Essa perfeição é estática. Existe só para ser admirada… à distância.

A imperfeição, porém (e penso também naquelas que identificamos na nossa vida interior), é uma história ainda em aberto, que conta ativamente connosco.

Na imperfeição é sempre possível começar e recomeçar. A imperfeição permite-nos compreender a singularidade, a diversidade, o real impacto da passagem do tempo, o traço dos seus vestígios.

A imperfeição humaniza-nos.

José Tolentino Mendonça

Anónimo disse...

Os paradoxos...

Deus é amor.

Deus é perfeição.

Amar a imperfeição.

Nuno disse...

Não somos nós pessoas com paradoxos no nosso ser?...

E queremos ver a Deus.

Anónimo disse...

O problema dos humanos é que o seu cérebro é um "aproximador universal" pode ser treinado para acreditar em tudo o que for ensinado para acreditar...

A única forma de poder evoluir é olhar para fora do universo em que o cérebro foi treinado para fazer validação dos modelos aprendidos...

O mais importante é aprender a desaprender, porque muitos modelos apresentam defeitos e a validação é residual.

Depois disto resta só o querer não evoluir... e ser o pior cego de todos... o que não quer vêr!

Anónimo disse...

"Atão" Manel,

Seja claro. Porque quer fazer algo que sirva de prova de que falou com deus? Falou?

É capaz de dar uma resposta estruturada?

Sem ser de "largo espectro" em que cabe o que diz e o seu contrário...