29 de julho de 2011

MAGIS 2011

MAGIS 2011: Experiência desafiante e internacional dos jesuítas

Poderíamos perguntar o que têm em comum um grupo internacional de peregrinos a fazer a “Rota das 3 Igrejas” nos verdejantes vales do País Basco espanhol, outro grupo em contacto com imigrantes subsarianos nos centros de detenção em Ceuta, ou ainda um terceiro grupo num atelier de teatro em Campo Benfeito, aldeia remota da Beira Alta portuguesa. E perguntar ainda como é que estas atividades preparam para as próximas Jornadas Mundiais da Juventude em Madrid.

Pois a verdade é que o grupo organizador do MAGIS 2011 (jesuítas, ordens femininas inacianas e alguns movimentos de leigos de Espanha e Portugal) confia que sim, que estas experiências são não só uma boa preparação para as Jornadas, com também uma ótima oportunidade de crescimento na fé, na partilha com o próximo (mesmo quando vem de outro país), e na abertura e capacidade de lidar com realidades novas e complexas.


“Internacionalidade”, “desinstalação” e “oração sobre o vivido” são de facto os 3 pilares sobre os quais se pensaram as 3 experiências acima, a par de muitas outras - num total de 100 - que acontecerão espalhadas um pouco por toda a Península Ibérica (e ainda sul de França e norte de Marrocos) nos dias anteriores às Jornadas. Serão experiências internacionais pois cada grupo terá 25 participantes de 3 ou 4 países diferentes (vindos desde Taiwan ao Chile, num total de mais de 50), o que permitirá o contacto e a partilha próxima e permanente durante os dias da atividade. Serão experiências desafiantes porque o “sair das zonas de conforto” obrigará os participantes a crescer na flexibilidade e na capacidade de adaptação, seja qual for o seu tipo (havendo 6 tipos diferentes de experiências: peregrinação, ação social, arte e criatividade, ecologia, fé e cultura, e espiritualidade). Serão finalmente experiências de fé, não só pelas eucaristias e orações diárias mas também pela “tomada de consciência” ao final de cada dia que os participantes, em pequenos círculos de partilha (os “círculos MAGIS”), serão convidados a fazer: “Onde esteve Deus presente no meu dia de hoje? Que alegrias Lhe agradeço? Onde não respondi aos Seus apelos, onde houve desânimo e menor entrega?”.

Ainda antes das experiências, o MAGIS começará com o encontro de todos os participantes (mais de 2500) em Loyola, terra natal de Santo Inácio (o fundador dos jesuítas), durante o fim de semana de 5 a 7 de agosto. Aí haverá um “Festival das Nações” e oração, workshops variados e uma celebração de envio. De Loyola os participantes partirão para as experiências MAGIS, a decorrer de 8 a 15 de agosto. Nesse dia, finalmente, todos os participantes voltarão a encontrar-se, agora já em Madrid, para um “dia de transição” final, antes da entrada em pleno nas Jornadas (que começam a 16 de agosto).

O MAGIS 2011 começou a ser preparado no verão de 2009, com reuniões mensais do grupo organizador e ainda uma equipa executiva permanente em Madrid. E diante da complexidade que é organizar um evento assim, aparece sempre a questão “valerá a pena todo o trabalho?”. E a verdade é que as experiências anteriores confirmam-no sem reservas. Já em 2000 tinha havido o HORIZON 2000, peregrinações pelos caminhos da arte italiana, partindo a pé de diferentes cidades até Roma. Em 2003 realizou-se o ANYA em Toronto, seguindo os passos dos missionários jesuítas entre os índios da zona dos lagos canadianos. Em 2005 e 2008 houve já MAGIS em Colónia e em Sidney. Em todos eles os portugueses regressaram muito marcados pela partilha e a vida em comum com jovens de outros países, descobrindo afinal que isto da fé não é uma “panca” de uns poucos e com tendência a desaparecer. Voltaram com horizontes mais abertos, “desinstalados” dos seus “mundos pequenos” pelo caminho feito em comum, pelo contacto com a arte, e pelo serviço a quem mais sofre no corpo e no espírito. Regressaram com uma mais clara perceção do “Deus presente em todas as coisas”, para lá das celebrações e dos momentos explícitos de oração. E vieram com mais disponibilidade, finalmente, a deixar-se mover por Deus na construção de um mundo mais justo e mais fraterno, com menos gente deixada à sua sorte e com menos desigualdades entre países e entre continentes. A esperança é que o mesmo suceda aos 99 participantes portugueses no MAGIS 2011. E assim todo o trabalho terá valido a pena.

Padre Filipe Martins, sj

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