9 de outubro de 2011

Acima de tudo Deus e a Sua vontade.

- O que aconteceu? Diz-me o que aconteceu.
- O Pe. Luís foi para o Céu…
- Morreu?
- Foi para o Céu, meu Amor, foi para o Céu…

Não posso compreender a morte e muito menos a vida. Eu gostava do Pe. Luís e não posso compreender o sentido da sua finitude. Não posso compreender o sentido do que não é eterno. Quem é aquele que ama e compreende a morte daqueles a quem ama? O afectivo é o efectivo, dizia Santo Ireneu, e efectivamente a morte é absurda. Ela dilacera os nossos afectos, tritura-nos na cronologia da saudade, joeira-nos como trigo e lança-nos no inferno da nossa incredulidade.
E no entanto permanecemos aqui, vivos, e não estamos livres da nova vida que constantemente vem ao mundo: filhos, sobrinhos, netos, os futuros vizinhos, cada criança que nasce e a quem, naturalmente, vamos amando. A vida continua, dizemos. A morte continua, vemos. É a vontade de Deus, repetimos. E a verdade… a verdade permanece do outro lado do abismo que existe entre o já e o ainda não, a morte que tudo separa.

O Pe. Luís Archer morreu hoje. Deixou-nos um testemunho contrário a quanto acabo de dizer. Cumpriu um destino que ele próprio não esperava, levar uma vida dedicada à investigação científica, quando tudo o que ele queria era ser sacerdote, receber tudo de Deus, oferecer-se todo no crisol da existência onde o Pai purifica o sem sentido e o absurdo que ainda sobra em nós. Paradoxalmente descobriu que a sua vontade de servir não era nada se não fosse uma vontade pedida e recebida. Foi assim que acabou por ser sacerdote do Senhor e cientista do Senhor ao mesmo tempo. Abnegou-se sem se entristecer e recebeu a alegria serena dos santos. O Pe. Luís, percebo agora, soube deixar-se morrer com aceitação durante toda a vida, porque acreditou mais na graça de Deus que nas suas próprias forças e determinações. Todo o amor seria vão sem eternidade. E o que é mais, toda a vontade é pobre se não for recebida do infinito.
Pe. Luís, obrigado por ter levado leal e humildemente a tocha ardente da esperança até ao seu destino. Obrigado por nos ajudar a continuar. Vemo-nos no Céu.
 

9 comentários:

Anónimo disse...

Mesmo sem deus, mesmo sem saber a vontade de deus ou se existe. O falso altruísmo de dar "amor" apenas por troca da "eternidade" é muito limitado.

Dar. Sem me identificar. Dar. Uma base sólida, moral, ética, amor e felicidade.

Não sei se toquei a vida do Pe. Luís Archer. Não sei se o Pe. Luís Archer tocou a minha vida.

Mas deixo a certeza de que o que cada um faz em vida ecoa na eternidade, mesmo que não se saiba que foi o Pe. Luís Archer.

Que os seus entes queridos aceitem o destino da vida. Que a alma do Pe. Luís Archer continue no seu mais belo e positivo nos seus entes queridos. E que a vida no seu explendor continue com os seus ecos.

Mesmo sem deus, mesmo sem saber a vontade de deus ou se existe.

paulo,sj disse...

Filipe,

Simplesmente: muito obrigado!

Um Abraço!

Missé sj disse...

Muito obrigado, Filipe!
Um abraço

Anónimo disse...

Filipe, quando parte um amigo, junta-se ao AMIGO na comunhão intercessora por todos nós, e nesta comunhão também está connosco para nos ajudar na nossa caminhada. Tenho saudades do P. Luís Archer, mas estou convicto que está a usufruir do que sempre ansiou e não tão longe de nós! Abraço, belchior

Nuno disse...

Vivi umas Páscoas com o Pe. Luís Archer, em Palmela, aí há uns vinte anos.

Foi simples, as celebrações eram muito marcantes.

E dele guardo a memória de quem servia aquele grande grupo de gente nova que dava os primeiros passos na Igreja.

Ele anunciava Jesus morto e ressuscitado e, a ele próprio, deixava-se ficar em segundo plano, na sombra.

Estas páscoas marcaram-me profundamente - e uma parte importante devo-a ao Pe. Luís Archer...

other disse...

Que maravilha, Filipe. Obrigado e um abraço

other disse...

Ass. Salvador O.! :)

Anónimo disse...

Será que a eternidade dos romanos é diferente da eternidade do árabes ou dos judeus?
Jacob, Jesus ou Alá serão assim tão diferentes?
Os ortodoxos coptas não são bons cristãos?

Anónimo disse...

A inveja é muito feia...

Ele já está no paraíso.

Os que cá ficam... ficam com os Portugueses... uns na miséria e alguns com 3 milhões de euros por ano...

A inveja é muito feia...

http://clix.expresso.pt/veja-os-rendimentos-de-15-politicos-portugueses-antes-e-depois-de-passarem-pelo-governo-grafico-animado=f680329