9 de novembro de 2011

Ao meu encontro


Tenho um copo e tenho sede,

olho, pergunto, anseio.

O tempo passa e eu, sem água.

Tenho sede, e tenho um copo.

Urjo, pergunto, olho.

Ando à procura de água, e não a encontro,

e tenho sede.


E o copo sou eu,

e a sede, minha angústia,

e a água és Tu,

e eu, quem te procura.


Tenho um abrigo e tenho frio,

comprovo, forço, canso-me.

Passa o tempo e eu, sem chave,

tenho frio, e não consigo entrar.

Desisto, forço, fracasso.

Busco a chave, mas não a encontro,

e tenho frio.

E o abrigo é tua casa,

e o frio, minha luta,

e a chave és Tu,

e eu quem anda à tua procura.


E busco-te sempre

chave, água ou vento,

mas busco mal,

pois não olho para dentro.


E acabo por acreditar que,

embora sem pretender,

adivinho: és Tu

quem sai ao meu encontro.


(Miguel Diez, in “Silencios guiados”, Valladolid: 2008)

1 comentário:

Anónimo disse...

Se eu fosse igual a ontem...
Se eu fosse igual a amanhã...
Sou feliz, mas sei que o que penso que eu sou não é o mesmo que os outros pensam que eu sou e não é o mesmo do que eu penso que faço porque apesar de pensar que sou as acções ficam com uma alma própria.

Olhar para dentro e saber que se é, não é suficiente, também é preciso parecer que se é. Os que só parecem que são, precisam saber que os outros percebem que não são.

E continua um uso vão, do Tu, Ele, Senhor, Deus, Pai. Uma ilusão como outra qualquer.