Tenho um copo e tenho sede,
olho, pergunto, anseio.
O tempo passa e eu, sem água.
Tenho sede, e tenho um copo.
Urjo, pergunto, olho.
Ando à procura de água, e
não a encontro,
e tenho sede.
E o copo sou eu,
e a sede, minha angústia,
e a água és Tu,
e eu, quem te procura.
Tenho um abrigo e tenho frio,
comprovo, forço, canso-me.
Passa o tempo e eu, sem chave,
tenho frio, e não consigo entrar.
Desisto, forço, fracasso.
Busco a chave, mas não a encontro,
e tenho frio.
E o abrigo é tua casa,
e o frio, minha luta,
e a chave és Tu,
e eu quem anda à tua procura.
E busco-te sempre
chave, água ou vento,
mas busco mal,
pois não olho para dentro.
E acabo por acreditar que,
embora sem pretender,
adivinho: és Tu
quem sai ao meu encontro.
1 comentário:
Se eu fosse igual a ontem...
Se eu fosse igual a amanhã...
Sou feliz, mas sei que o que penso que eu sou não é o mesmo que os outros pensam que eu sou e não é o mesmo do que eu penso que faço porque apesar de pensar que sou as acções ficam com uma alma própria.
Olhar para dentro e saber que se é, não é suficiente, também é preciso parecer que se é. Os que só parecem que são, precisam saber que os outros percebem que não são.
E continua um uso vão, do Tu, Ele, Senhor, Deus, Pai. Uma ilusão como outra qualquer.
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