20 de novembro de 2011

Domingo da Festa do Cristo Rei | O Senhor abençoará o seu povo na paz.


As leituras desta Festa falam-nos de pastoreio e de reinado, de Pastor e de Rei. À partida poderá parecer um pouco estranha esta “combinação”. Talvez porque nos dias que correm seja difícil imaginar um pastor a governar um Estado, e talvez difícil imaginar um Rei, um Chefe de Estado, a pastorear um rebanho de ovelhas. Será porque vivemos num tempo em que se procura exaltar palavras como “soberania”, “poder”, “autoridade”, e atenuar palavras como “simplicidade”, “bondade”, “respeito”, “confiança”? Mas hoje ouvimos exactamente falar de um Rei que se auto-intitula de "Bom Pastor". De facto, a imagem que tenho de um pastor é a imagem de alguém que se preocupa em vigiar, proteger, alimentar, …, o rebanho que está debaixo do seu cuidado. O rebanho que está à sua confiança e que, por isso, também confia no pastor. É alguém que diz: “Hei-de procurar a ovelha que anda perdida, reconduzir a que estiver desgarrada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa.” (Ez 34, 16). E não seria dessa forma que gostaríamos que alguém nos ajudasse e gerisse o bem comum? Em tempos tão difíceis como os que vivemos actualmente não desejamos ainda mais que cuidem de nós? Não desejamos ainda mais ter estas atitudes para com todos aqueles que passam por maiores dificuldades? É através destas pequenas grandes acções que se vai construindo o Reino de Cristo Rei. Um Reino que não é imposto, mas sim oferecido, e que precisa de cada um de nós para se tornar cada vez mais visível.

Aproximamo-nos do Natal, sendo que no próximo Domingo começa o tempo do Advento. O tempo em que nos preparamos para acolher o nascimento deste Cristo Rei. Por isso, no Evangelho, Jesus convida-nos a olhar para aquilo que fazemos e para a forma como queremos contribuir para a construção do Reino. As imagens que nos dá das ovelhas e dos cabritos, e as respectivas diferenças, poderão ajudar-nos a definir um caminho que ajude a transformar as nossas vidas, num esforço de conversão para acolhermos o Salvador e para ajudarmos o próximo a acolhê-Lo connosco.

Com tudo isto, tal como nos diz S. Paulo, Jesus poderá entregar o Reino a Deus Pai. Mas “é preciso que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.” (1 Cor 15, 25), ou seja, até que tenha aniquilado todo o tipo de iniquidade.

Entretanto, não nos esqueçamos que a paz com que o Senhor, o Cristo Rei, nos quer abençoar é aquela paz que, tal como ao salmista, nos permite dizer: “O Senhor é meu pastor, nada me falta” (Salmo 22(23), 1).

Leituras: Ez 34, 11-12.15-17 | Salmo 22 (23), 1-2ª.2b-3.5-6 (R.1) | 1 Cor 15, 20-26.28 | Mt 25, 31-46