13 de novembro de 2011

Talentos

«Um homem ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.» A história é conhecida: um ganha cinco e produz mais cinco; outro, de dois cria mais dois e o que recebe um esconde o único que recebe. Com medo.

Ouço sempre esta passagem do Evangelho como uma chamada de atenção importante na minha vida. Hoje, sobretudo, procurei escutá-la num sentido mais comunitário: olhar não só para mim, mas alargar o meu olhar à família a que pertenço: a Igreja. E veio-me a questão: e nós, como Igreja, qual dos três servos seríamos? De facto, muito nos é confiado, muito nos é dado. Mas, como temos posto a render o muito que recebemos?

Confesso que, algumas vezes, me sinto preocupado com este aspecto. Em nome de uma “tradição” – por vezes mal entendida – julgo que também nós enterramos o Tesouro que recebemos. Que temos medo do risco. Somos conservadores, no pior sentido que esta palavra possa ter. Tememos estar na linha da frente, não somos arrojados nas propostas que fazemos. Temos medo de denunciar a injustiça, a opressão, o poder despótico, a falta de liberdade. Preferimos repetir modelos. Preferimos, muitas vezes, manter tudo como está. Parece mais seguro… Mas nesta parábola, aquele que teve medo acabou por ser rejeitado pelo seu senhor.

Como dizia, o Evangelho de hoje poderia levar-nos, nos quatro cantos do mundo onde haja catolicismo, a um exame de consciência sobre o modo como temos arriscado ser mais de Cristo. S. Paulo, na 2ª leitura, alerta-nos: «não durmamos como os outros».

Mt 25, 14-30