21 de dezembro de 2011

.Natal como convite.

Dezembro. O Natal chega neste tempo, um tempo que pede recolhimento, que pede calor do lar, que pede silêncio e contenção.
Este ano, para nós portugueses, para nós europeus, o Natal apanha-nos no coração de uma grande crise. Uma crise não só económica e financeira, mas também social. Uma crise, em parte fruto de uma alteração de valores que, subterraneamente, nos foi minando por dentro e ganhando expressão nas várias dimensões da vida.
O que é que este Natal nos pode dizer sobre esta crise? Como sabemos, o espírito de Natal tem sido, nos últimos tempos, subvertido a esta época aproveitada para se fazer consumo desenfreado, pondo a tónica mais no embrulho do que no conteúdo.
Este ano, o convite deste Natal pode e deve ser um apelo ao regresso do verdadeiro espírito natalício. Um apelo a um tempo em que, apesar da crise e também porque estamos em crise, possamos pensar e reinventar novas maneiras de nos presentearmos, de nos mimarmos, de dizermos uns aos outros quanto nos amamos e somos importantes na vida uns dos outros.
Este Natal apela-nos a compras pensadas em função das necessidades e não de vaidades. Neste Natal, podemos e devemos não pôr a tónica no papel e nos laços, nos grandes embrulhos, contendo, tantas vezes, coisas sem utilidade, expressão de uma cultura de aparências disfarçada de beleza que esvazia o planeta de recursos e cria lixos desnecessários e difíceis de reciclar.
Este Natal, em época de crise, também nos convida -aos que ainda temos a sorte de ter emprego e salário- a uma reflexão conscienciosa de como gerir o nosso orçamento para que ele seja fonte de vida. E podemos canalizar de tantas maneiras um pouco do que nos sobra, inclusive, um pouco do nosso tempo, mesmo que isso implique sacrifícios.
Este Natal convida-nos a ter os pés bem assentes no chão e a estarmos bem conscientes das dificuldades que vivemos e a discernirmos o que é que cada um de nós pode fazer para ultrapassar. Par isso, precisamos de ajuda. Precisamos da Luz do Menino para não nos deixarmos influenciar pela poeira do tempo. Para isso, precisamos, além do discernimento, ter a convicção de quão importante é o empenhamento de cada um de nós, na gestão criativa e solidária das dificuldades que atravessamos.
E para aqueles que sofrem na carne os efeitos desta crise, este Natal traz a Esperança de um novo amanhecer, Esperança essa que carrega a força e a criatividade que permitem criar soluções que conduzam a um viver digno para todos.
Nesta época de advento, preparemo-nos pois para nos despirmos de velhas roupagens que nos impedem de ver claro e nos amarram a condutas egoístas e clubistas e saibamos criar espaço interior para que o Menino nasça em cada um de nós e, com a sua Luz, fazermos juntos deste Natal uma sinfonia de mudanças, de coragem, de audácia, de esperança, de solidariedade, de compaixão e alegria. Porque seguir a Luz é sempre fonte de alegria mesmo que naveguemos num mar de dificuldades. Os Céus escutar-nos-ão e juntar-se-ão a essa nossa sinfonia e engrandecê-la-ão com seus coros celestiais tecidos de amor e graça.

Adelaide Alves, in "Diário do Minho".

3 comentários:

Cisfranco disse...

Muito bem!
Haja espaço interior esvaziando-nos de tanto lixo de que estamos atacados.
BOAS FESTAS!

Anónimo disse...

A começar pelo Natal, de 25 de Dezembro.

A passagem de ano é hoje de 21 de Dezembro para 22 de Dezembro, exactamente às 5:30 do dia 22 de Dezembro.

É independente dos calendários humanos e do folclore do nascimento de quem não sabem quando nasceu ou de apetites comerciais.

E vão receber muito lixo na forma de prendas.

Outro tipo de lixo é a repetição nas missas,sem sentido e sem verdade, só para o povo ficar ignorante na mesma...

Repensar tradições?

Nuno disse...

Natal a 25 de Dezembro.

Prendas generosas e simples, para quem gosta de dar e de receber.

Missas cheias de sentido e de verdade, para o povo ser cada vez mais evoluído!

Relançar a esperança...