8 de dezembro de 2011

.Quando és interrogação.

Perguntas espreitam. Sobre o nosso mundo, acerca da vida, entorno à minha fé. Por isso duvido. Duvido e sofro. Factos inquietantes, palavras intrigantes, gentes desonrosas.

Mas tenho medo de me perguntar mas, mais ainda, de tu responderes.

Mas por que, se muitas vezes me basta com formular essa pergunta para achar tranquilidade ao partilhar a inquietação com quem me escutar?

E se me descobrir vulnerável e ignorante perante certo interrogante, não será que a resposta encontrada me aproxima realmente à verdadeira experiência?

Como não evitar uma questão, se está a incomodar-me e a confundir-me, me desordena e me faz fraquejar?

Mas, como não encará-la acertadamente, se isto aumenta conhecimento, confiança e sonho, em mim mesmo e em Deus?

Como é covarde o preferir estagnar-se nuns saberes incompletos podendo optar por alcançar a plenitude do mais divino!

Mas por vezes, tudo são perguntas que me asfixiam. Só importa então agarrar-se às poucas convicções que ficam. A certeza de Deus e a segurança de que Ele é que responde.

E pergunto-me eu, por que é que me não pergunto mais?

E pergunto-Te eu, por que é que gostas tanto de nós?

(Álber Fernández, sj, in “Silencios guiados”, Valladolid: 2008)

6 comentários:

Carlos Ricardo Soares disse...

Muito interessante este poema.
Também faço muitas vezes a pergunta "porque gosta Deus das pessoas?".
Há momentos em que as pessoas são tão odiosas que a pergunta parece impor-se como uma heresia, como um irritante sentimento de culpa, por também eu ser pessoa. Era fácil ver, nas nossas desgraças e infortúnios, castigos de Deus, pelos miseráveis e monstruosos comportamentos dos homens. O amor de Deus só me é compreensível por ser de um Pai que assume perfeitamente as suas "responsabilidades" de criador e não apenas de reprodutor.
Saudações.

Cisfranco disse...

A minha convicção de que Deus existe, sem que nunca ninguém O tenha visto, leva-me a perguntar: por que é que a Natureza, o acaso, o que quer que seja, havia de produzir um ser com esta maneira de pensar, se Deus não existisse? Não era bem melhor que eu fosse como o meu gato ou o meu cavalo, que tenho a certeza que não têm estes pensamentos?
Toda a dialéctica filosófica que conclui que Ele existe, tem uma dialéctica contrária que prova que não existe.
Mas porquê os meus pensamentos absurdos se Ele não é nada? E a pergunta é ela própria certeza. Certeza de que nós já somos uma espécie de extensão de Deus sem saber como.

Cisfranco disse...

A minha convicção de que Deus existe, sem que nunca niguém O tenha visto, leva-me a perguntar: por que é que a Natureza, o acaso, o que quer que seja, havia de produzir um ser com esta capacidade de pensar? Não era bem melhor que eu fosse como o meu gato ou o meu cavalo, que tenho a certeza que não têm estes pensamentos?
Toda a dialéctica filosófica que conclui que Ele existe, tem uma oposta que prova que não existe.
Mas porquê uma regressão na cadeia dos seres vivos, produzindo-se seres com capacidades inúteis? E a resposta é não só certeza de que há Deus mas também a suspeita de que está mais próximo de nós do que imaginamos. Assim do género de sermos já uma espécie de extensão d'Ele sem saber como. E isso nunca se descobre.

Cisfranco disse...

A minha convicção de que Deus existe, sem que nunca niguém O tenha visto, leva-me a perguntar: por que é que a Natureza, o acaso, o que quer que seja, havia de produzir um ser com esta capacidade de pensar? Não era bem melhor que eu fosse como o meu gato ou o meu cavalo, que tenho a certeza que não têm estes pensamentos?
Toda a dialéctica filosófica que conclui que Ele existe, tem uma oposta que prova que não existe.
Mas porquê uma regressão na cadeia dos seres vivos, produzindo-se seres com capacidades inúteis? E a resposta é não só certeza de que há Deus mas também a suspeita de que está mais próximo de nós do que imaginamos. Assim do género de sermos já uma espécie de extensão d'Ele sem saber como. E isso nunca se descobre.

Cisfranco disse...

Peço desculpa, não sei como aconteceu tanta repetição.

Utilia Ferrão disse...

è verdade porque gosta Deus de nós?
Porque gosto eu de Deus
? Isso eu sei.
E eu pergunto ainda mais será que as pessoas são odiosas para com Deus, ou será porque realmente desconhecem Deus nelas nos outros e em toda a criação?

Realmente nunca deixarei de ser interrogação?
Antes de fazer algo quase sempre me interrogo é que ao lado do certo está sempre o errado e mais, o desconhecido merece ser interrogado não para obter respostas quanto a mim, porque muitas vezes é impossível obter-las mas para se ir caminhando....E convicção é algo que já não se interroga é assim acredita-se E na minha fragilidade eu acredito que Deus existe.

E negar Deus é já uma prova de que Ele existe senão o nada não se nega já por si é nada...
Santo Natal