20 de março de 2012

Dawkins sobre o sentido da vida


“Não é apenas a nossa improbabilidade que nos torna agradecidos por estramos aqui, porque de facto somos muito improváveis. Somos também privilegiados não apenas por estarmos aqui mas também por pertencermos à espécie humana, porque a espécie humana é realmente única: entre todos os animais somos os únicos a saber que vamos morrer. Mas somos também únicos por sabermos que vale a pena existirmos. É claro que é difícil lidar com o sofrimento e a perda, mas há alguma consolação em sabermos o quão privilegiados nós somos por estarmos aqui.” (Richard Dawkins)

Esta breve afirmação de Richard Dawkins retirada de um vídeo (disponível no youtube), em que discute com Daniel Dennett a questão do sentido da vida não deixa de ser surpreendente, por vários motivos. Em primeiro lugar, porque afirma que nos devemos sentir agradecidos, mas não diz a quem. Em segundo lugar porque considera que o saber porque estamos aqui e que somos únicos entre todos os animais parece ser suficiente para compreendermos o sentido da vida humana. Em terceiro lugar, porque este saber e esta atitude nos consolam em momentod e dor e de sofrimento.

É muito comum entre os ateus militantes como Dawkins e Dennett intelectualizarem a existência humana, uma intelectualização que é feita em termos científicos. Mesmo o sentimento de maravilha do cientista perante a beleza do universo se baseia no sabermos cientificamente porque estamos aqui. Há uma desdramatização total da vida humana. Fico sem saber se ao encontrar uma pessoa em grande sofrimento por ter perido um ente querido, por exemplo, a deverei aconselhar a procurar consolação junto de um biólogo, o qual lhe explicará a razão científica da existência, do sofrimento e da morte.

8 comentários:

Ilídio Barros disse...

"Em primeiro lugar, porque afirma que nos devemos sentir agradecidos, mas não diz a quem."

Claro que diz Alfredo, diz que o devemos à improbabilidade! E cúmulo dos cúmulos, até diz que é graças à improbabilidade que ele sabe que vai morrer. Fantástico, não é?

alfredo dinis disse...

Caro Ilídio, confesso que não entendo muito bem como se agradece à improbabilidade. Ele 'sabe' que vai morrer. Também não chego a perceber por que razão consider isto 'fantástico'.

Ilídio Barros disse...

Olá Alfredo,

Parece-me que interpretou o meu comentário como uma crítica às suas palavras. Longe de mim tal coisa, apenas estava a ironizar e a mostrar o quanto de irracional é o 'sentido da vida' de Dawkins.

"Também não chego a perceber por que razão considera isto 'fantástico'."

Para mim é fantástico saber que a ciencia, no momento presente, afirma que a nossa capacidade de conhecer a verdade se deve a uma 'improbabilidade'.

Um abraço.

alfredo dinis disse...

Caro Ilídio,
Obrigado pelo esclarecimento.

Anónimo disse...

Caro Ilídio,

Recomendo a leitura de um pouco de lógica de Aristóteles... já que parece que a ciência de hoje o confunde...

"Para mim é fantástico saber que a ciencia, no momento presente, afirma que a nossa capacidade de conhecer a verdade se deve a uma 'improbabilidade'."

Tal como o Alfredo tem a capacidade de reconhecer que não se vai encontrar com alguém em Marte...

Cordiais saudações,

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

sinceramente, nem parece seu:
"Fico sem saber se ao encontrar uma pessoa em grande sofrimento por ter perido um ente querido, por exemplo, a deverei aconselhar a procurar consolação junto de um biólogo, o qual lhe explicará a razão científica da existência, do sofrimento e da morte"

Recomendo aleitura sobre as competências de um biólogo e de um psicólogo ou psiquiatra.

E depois verifique se não é melhor do que falar da prenda do Pai Natal... (pode não existir, não é?)

Cumprimentos,

alfredo dinis disse...

Caro Anónimo,
Devo informá-lo de que no vídeo que refiro no post Dennett afirma que foi o que fez quando uma pessoa amiga passou por um grande sofrimento. Aliás, parece-me a única atitude possível se quer Dennett quer Dawkins querem manter a coerência. Compreendo que isto o surpreenda. Também me surpreende a mim, mas não há fuga possível.

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

A surpresa foi o seu comentário. O comentário de Dawkins é um comentário simples.

Podemos estar agradecidos simplesmente à Natureza, sem um quem.

A vida pode simplesmente não ter sentido, somos nós que queremos dar sentido...

O que nos pode consular, é o que ainda podemos fazer. Manter o espírito de quem faleceu entre nós, isto é, a alma de quem faleceu, isto é, a forma de agir e de reagir dessa pessoa. Nada de transcendente. E que o tempo e o pensamento é nosso amigo nessas situações.

Cumprimentos,