18 de março de 2012

Disse João...

"Tanto..." A quantidade feita adverbo. O seu significado infla-se com cada repetição. Limitar as suas capacidades é um absurdo. Alarga-se, sem fim, para abranger melhor. Mais é impossível. "...amou..." Atrevimento espantoso. Não se esgota no passado, pois visita também este presente. O futuro espera, sossegado, os seus efeitos. Atitude atemporal. Verbo fundamental. "...Deus..." (Não consintas que te defina) Superas toda a palavra porque te intuímos numa maiúscula. Alojas-te no pequeno para gerar grandeza. De todos os tempos conheces os segundos. Inspiras intimidade no latejar de cada criatura. Tu tão nosso por sermos teus. "...o mundo..." Este. Não há outro. Banho de realidade que mendiga um olhar benevolente. Tão criticado, tão amado. Férreas estruturas impedem a sua flexibilidade natural. Mundo de aqui, constante Humanidade. "...que..." Há consequências. "Tanto amou Deus o mundo... que algo acontece". A intriga é suspense. Acontece já! "...entregou..." Generosidade explícita. Excepcional iniciativa. Gratuidade superlativa. Sem deixar de Ser, foi de outra maneira. Opção derradeira. "...seu..." Pertence-te. Tanto como nós a Ele. Como nós a Ti. Identidade misteriosa em comovente filiação. O Teu para nós. "...Filho..." Filho, o Filho, Teu Filho. Não sabias dar menos. Não querias. O inefável falou. O transcendente caminhou. E fala, e caminha. Connosco hoje, sim. Assim, irmãos todos. Fraternos. "...unigênito..." Da unidade brotam muitos. Fértil desprendimento. Brado com sabor a riso. Ninguém sozinho após a tua solidão. Solidão impossível (milhões de crentes evitam-na). Um é referência. "...para que..." Tens uma intenção. Sussurra-no-la com paciência. Insiste. Não deixes de desejar o que desejamos. Dá finalidade a tudo quanto conhece fim. Traz coragem, age convicto, traz-nos vontade! "...todos..." São muitos. São todos. Somos. Sem rejeitados, só recebidos. Por que exclusão? Distâncias aproximadas são comunhão sincera. Homens e mulheres. Todos. "...tenham..." Formosa prenda. Sem embrulho e sem surpresa. Simples oferta. Para usufruir sem possuir. O máximo agradecimento é sempre insuficiente. Mesmo assim, "tenham!". "...a vida..." Substantivo tão digno, tão ameaçado... Absolutamente nada sem ela, completamente teus após a terrena. Enquanto respiramos, floresça a humildade e a alegria. Beneficiem-se as relações. O quotidiano é tempo e espaço favorável, de variados momentos e lugares. Enche-no-lo de dias! "...eterna" Começou há muito. Ainda é um agora. Que assim seja, para sempre.

1 comentário:

Anónimo disse...

Obrigado.