11 de março de 2012

DOMINGO III DA QUARESMA |Conhecer, também, interiormente.


Continuamos nesta caminhada quaresmal. Tempo que vem ao nosso encontro para que nos reencontremos.
O Evangelho de hoje apresenta-nos Jesus “zangado”, “furioso”, “revoltado”… Parece estranha esta imagem. Como é que Jesus, que nos quer mostrar, oferecer, o Amor de Deus, o Amor do Pai, pode ter estes “sentimentos”, estas reacções?
Não deixa de ser uma reacção humana, a qual tantas vezes expressamos, vimos expressar. Para Jesus, naquele contexto, encontrar a “casa do Pai” transformada em casa de comércio parece ter sido o motivo da sua “revolta”. Mas olhar apenas assim, exteriormente, apenas às imagens, pode ser pouco. Quem nunca sentiu dificuldade em interpretar o choro de um bébé? Chorará por ter fome? Chorará por ter dor? É sempre um choro, mas as suas razões podem ser diferentes. É na relação que se vai conhecendo.
É preciso tentar ler o que poderá estar por detrás desta reacção de Jesus. E parece ter sido isso mesmo que os discípulos de Jesus, que o iam conhecendo, fizeram, recordando-se do que disse o salmista: “É por tua causa que suporto insultos, que a humilhação me cobre o rosto, que me tornei estrangeiro aos meus irmãos, estranho para os filhos de minha mãe; pois o zelo por tua causa me devora, e os insultos dos que te insultam recaem sobre mim.” (Salmo 69, 8-10). Diz-nos o Papa Bento XVI: “o zelo de Jesus pela casa de Deus leva-O à paixão, à cruz. […] Transformou no zelo da cruz o «zelo» que queria servir a Deus através da violência. E assim erigiu definitivamente o critério para o verdadeiro zelo: o zelo do amor que se dá. Segundo este zelo é que o cristão se deve orientar.” (in Jesus de Nazaré: Parte II - Da Entrada em Jerusalém até à Resureição, Principia Editora, 2011, p. 29)
É preciso ir conhecendo Jesus interiormente, por dentro, na relação. Foi esse conhecimento que fez com que S. Paulo possa ter dito: “Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (1 Cor 1, 22-25).
E agora, se pensarmos que, para Deus, para Jesus, cada um de nós é que é o verdadeiro templo, somos “pedras vivas do templo do Senhor”, como interpretaríamos a “revolta” de Jesus?

DOMINGO III DA QUARESMA
Leitura 1 | Ex 20, 1-17 ou Ex 20, 1-3. 7-8. 12-17
Salmo     | 18, 8. 9. 10. 11
Leitura 2 | 1 Cor 1, 22-25
Evangelho | Jo 2, 13-25