15 de abril de 2012

Vivo é que te necessitava


Dar graças sem o sentir não é mais do que formalismo.
É só reconhecendo o valor do recebido que o posso agradecer.

Vejo-te sair do túmulo, triunfante,
e não posso evitar emocionar-me.

Atónito, pronuncio "OBRIGADO!"

Obrigado, Jesucristo!
Realmente necessitava-te vivo.

Tanto como sofri ao ver-te morrendo,
desfruto agora ao contemplar-te sublime.

Certo é que vives doutra maneira, com certeza,
não preso a um lugar ou a uma época,
mas ancorado a cada latejo do meu existir.

Convidas-me a arrojar ao fundo do sepulcro
todos os meus sudários asfixiantes.

Pois é fora que me esperas,
abraçando-me para sempre!
A mim, e a cada um aqui!

Não há quem viva por si próprio, sem os outros.
Quem finja consegui-lo é o mais necessitado de todos.

Eu precisava de Ti,
e ocorreu-te ressuscitar.
Deixaste-te ressuscitar.

Que grande decepção e angústia se tivesses ficado lá dentro para sempre!

Nem sequer te conheceria agora!



in Silencios guiados, Valladolid: 2008.

1 comentário:

Anónimo disse...

"Certo é que vives doutra maneira, com certeza,
não preso a um lugar ou a uma época,
mas ancorado a cada latejo do meu existir"

Está na hora de completar o luto. Sabe que é uma ilusão, e sabe que deve fazer luto. Não é isso que diz aos outros?

Complete o Luto dessa ilusão que é jesu-Christo. Continue a sua vida.