13 de maio de 2012

"Amai-vos" (e consegui-lo!)

     Jo 15, 9-17. Evangelho deste domingo. Leio este texto e imagino pagelas... "Como o Pai Me amou, também Eu vos amei; permanecei no Meu amor", sobre um mar azul, imenso, cujas ondas parecem beijar as gaivotas. Um barquinho navega no horizonte. "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos" no topo duma montanha que contempla o verdor dum vale visitado por um riacho sereno. "Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi" como que fundido nos vários tons rosáceos dum pôr de sol irrepetível. "Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros", em negrito, para contrastar com o vermelho intenso duma papoila corajosa nascida num trigal. O amor feito frase, o sentimento numa imagem. Mas, ao fechar um livro qualquer, esta pagela fecha-se com ele. Fica sepultada. Morre a frase, enterra-se a imagem. O pó da prateleira esteriliza esta tentativa de amor presente, a tal pagela. Esquecimento, (quase) o fim.
     Mas leio este texto, outra vez, e sonho vida. As vidas hidratadas por este amor. Inundadas, mas não afogadas. Porque isto do amor é mais complicado do que parece. Às vezes, querendo amar, afogamos mais do que hidratamos. Vamos supor que alguém decide viver amando. Nem sempre acertará na maneira de amar, por muito que se empenhe. O que entendo por amor? Que amor necessita o ambiente em que vivo? Nem sempre coincide a minha vontade de amar com as necessidades do momento (e) do próximo. Aprender a amar é tão importante como querer amar. Não ter em conta isto garante resultados imprevistos. Contraproduzentes até. Quem não sentiu pronunciar as palavras erradas? Quem não fez já o contrário do que deveria ter feito? Quem não escolheu a opção menos conveniente? E tudo, querendo amar. Palavras, gestos e escolhas surgidos sempre dum desejo profundo de amor. Mas não conseguiram amar. Diluíram-se, sem fruto.
     Pensem. A solidão não é companheira agradável, mas esse silêncio pode trazer algo de lucidez. Nesse caso, invadir o espaço com palavras vazias convém pouco. A alegria é sempre preferível, mas consentir certa tristeza pode dar autêntico valor ao insignificante. Sobram, portanto, esforços inúteis por obter um sorriso fingido. Criticar ajuda a corrigir, é verdade; mas receber as fraquezas alheias demonstra um acolhimento humano de maior qualidade.
     Amar "como a mim me apetece" cheira a egoísmo subtil. Amar "como o outro precisa de mim" é radicalmente outra história. Esta aprendizagem requer muita atenção, sensibilidade e treino. O Evangelho lê-se de cima para baixo (Deus abraçando a Humanidade), mas vive-se de baixo para cima (a Humanidade encontrando-se a si própria, em comunhão com Deus). 
     Conhecer bem o outro, e cada vez mais, ajuda muito a ajudá-lo melhor, a amá-lo bem. 
     Então sim, "amai-vos uns aos outros". 
     Consigamo-lo, sem descanso, (que Ele ajuda)!
    

1 comentário:

Anónimo disse...

Oi, Alberto!
Gosto muito!
Obrigada!
Maria