23 de maio de 2012

men with a mission


Está disponível no Youtube um vídeo com um longo diálogo entre Dawkins e Krauss na Austrália, intitulado “Something from nothing” O vídeo dura duas horas, e é fundamentalmente mais uma tentativa de provar que Deus não existe. Os argumentos são os mesmos que já conhecemos.

Para uma audiência tão numerosa, o género de intervenção tempera afirmações científicas com muitas piadas que arrancam constantes risos e palmas. O que me leva a pensar que Dawkins e Krauss estiveram a pregar para convertidos. Além disso, pareceu-me mais assistir a um ‘two-men-show’ do que propriamente a um debate científico. Esta impressão ficou mais forte quando no final as palmas eram tantas que Krauss chamou ao palco Dawkins, que entretanto se tinha retirado. É exactamente o que acontece no final de concertos, teatros, etc. Os artistas são chamados ao palco depois de se terem retirado.

Ao ver estes dois cientistas tão empenhados em convencer-me de que Deus não existe e que a minha crença religiosa é fruto de: lavagem ao cérebro quando era criança; ignorância do que diz a ciência; não ter interesse em conhecer a verdade, etc., etc., etc., vem-me à mente a expressão ‘men with a mission’. Devo reconhecer que Dawkins e Krauss são verdadeiros exemplos de dedicação à sua ‘boa nova’ e, nesta sua deveriam ser seguidos pelos cristãos. Um verdadeiro exemplo.

Para piorar a minha situação, e a de muitos outros como eu, não me basta ser teólogo – o que segundo eles já é bastante mau -, ainda por cima sou filósofo. Como se costuma dizer, ‘um mal nunca vem só’.

Para lá de muitas coisas que não consigo compreender – certamente por uma limitação da minha inteligência – gostava sobretudo de entender por que razão se empenham tanto Dawkins e Krauss em convencer-me de que devo deixar de acreditar em Deus. Sinto-me bem na vida; sinto que a minha vida tem sentido; interesso-me por diversos ramos de ciência e procuro estar actualizado; gosto de ciência; procuro superar a constante tentação de egoísmo e individualismo estando disponível para dar todo o apoio que posso a quem mo pede.

Perante isto interrogo-me: o que teria a ganhar se aderisse ao clube de Dawkins e Krauss? Passaria a ser mais feliz?

22 comentários:

Nuno Gaspar disse...

O Prof. trata por cientistas indívíduos que se dedicam a tentar produzir imagens do mundo de forma dependente da sua crença na existência ou inexistência de Deus. Isso não são cientistas mas sim romancistas, com uma visão do mundo bastante pobre. São teólogos ao contrário. Em vez de procurarem a ciência do absoluto tentam absolutizar a ciência. Nada que preste, portanto.

anonimo disse...

Caro alfredo,

Curiosamente, também me sinto bem na vida; sinto que a minha vida tem sentido; interesso-me por diversos ramos de ciência e procuro estar actualizado; gosto de ciência; procuro superar a constante tentação de egoísmo e individualismo estando disponível para dar todo o apoio que posso a quem mo pede.

No entanto não acredito em deus. sinto que não tenho nenhum dever com quem se diz representante de deus, nem temor por não ir à missa ou não concordar com o papa.

Nullus deus. Nullus dominus. Nullus timor.

saudações,

anonimo disse...

Como é que se estuda a ciência de deus, se deus não existe?

Que método científico usa a teologia para provar as suas conjecturas?

Conjectura: deus existe como entidade real exterior à mente humana.

Prova: ...

É que na mente humana até pode existir o pai natal, com efeitos reais... (com efeitos performativos) mas o pai natal não existe como entidade real exterior à mente humana.

anonimo disse...

Os astrólogos também estudam as cartas astrais...

Mas os astrônomos olham para o espaço sideral...

e sabem que mesmo com os melhores cálculos a realidade é diferente da teoria. Também sabem que com a teoria aproximada podemos melhorar a qualidade de vida dos seres vivos neste planeta.

Nuno Gaspar disse...

Entre o Perspectiva do Ktreta e o anónimo do Companhia dos Filósofos venha o diabo e escolha.

Carlos Ricardo Soares disse...

Pela minha parte, a(s) ciência(s) têm sido fundamentais para conhecer todo o tipo de coisas. É uma dádiva que as coisas estejam ordenadas. Tudo está preparado. A mesa está posta. Ao homem cumpre trabalhar, fazer-se à vida, utilizar a inteligÊncia e as habilidades que lhe são dadas. Por mim, a melhor prova que alguém pode dar de falta de senso e de objectividade é preocupar-se com Algo que tem como certo que não existe. É pior do que dar como certo que não existe, apesar de esta posição ser autorefutante e estúpida. Deus é, em qualquer sentido, um acréscimo. Lutar contra isto é preferir ter menos, viver dentro de limites mais estreitos, fechar os olhos e o coração ao infinito. É lamentável que Deus seja o pretexto para «atacar» as pessoas que acreditam n'Ele.
Ninguém nos pode "tirar" Deus e esta é uma grande consolação, porque sem Deus, nada faz sentido.

anonimo disse...

Caro Carlos Soares,

"Por mim, a melhor prova que alguém pode dar de falta de senso e de objectividade é preocupar-se com Algo que tem como certo que não existe."

Preocupo-me com os representantes de deus porque me obrigam a jurar sobre textos que são eles próprios prova de atrocidades.

preocupo-me com os representantes de deus porque eles representam muitas fundações no nosso país e como tal muitos mulhões de euros que podiam ter outro uso... para além dos impostos que não pagam...

Como pode reparar, não estou preocupado com algo que não existe. Estou preocupado com representantes de deus que não provam a existência de deus.

saudações,

anonimo disse...

Carlos disse:
"Deus é, em qualquer sentido, um acréscimo. Lutar contra isto é preferir ter menos, viver dentro de limites mais estreitos, fechar os olhos e o coração ao infinito."

Um louco que vive a imaginar que o seu filho, que faleceu, ainda está ao seu lado... será saudável?

Ter confiança, ter fé de que somos capazes, não implica deus. O infinito não implica deus, como não implica o pai natal.

Nullus deus, Nullus dominus, Nullus timor.

saudações,

Carlos Ricardo Soares disse...

Anónimos,

do que leio concluo que as vossas preocupações não têm a ver com Deus mas com as acções dos homens. Também me preocupa profundamente a acção dos homens. Acaso alguém se preocupa mais com os homens e as suas acções, do que um cristão? Ñão me parece razoável, apesar de encontrar pessoas que o fazem, afastar-me de Deus só porque existem pessoas e instituições que me escandalizam e se dizem representantes de Deus. E não estou a pensar na igreja católica. É do conhecimento geral que ao longo da história apareceram seitas e indivíduos que tentaram e lograram ludibriar os crédulos. Mas o que está em causa é justamente isso, a diferença entre as seitas, os falsários e a igreja de cristo, entre os que se aproveitam da boa fé dos crentes e os que servem a sua fé.
Não quero com isto dizer que um crente e santo não possa cair em pecado, não falhe, não fracasse. Longe disso. A igreja é um povo de pecadores. Talvez o único que assume responsabilidades e culpas, até pelos pecados dos outros. O vulgar é vermos as pessoas atirar as responsabilidades para cima dos outros. Os políticos, por exemplo, nunca têm (nunca assumem) culpa de nada. A dimensão de um homem e o seu carácter talvez se possam avaliar da sua capacidade de reconhecer e assumir a sua culpa, mais do que em culpar os outros de tudo e mais alguma coisa, fundada ou não.

Miguel Oliveira Panão disse...

Belíssimo post.

Penso que este livro vai na linha das questões levantadas no fim: As cartas do derrotado da Aletheia Editora.

Streetwarrior disse...

http://www.youtube.com/watch?v=P4dSiHqpULk&feature=relmfu


Pois!

anonimo disse...

Como é que se convence uma criança a não falar com o seu amigo imaginário, e que sabe que o seu amigo é imaginário, mas mesmo assim gosta de falar com a sua imaginação?

Não existe problema se ela falar com o seu amigo. Apenas se representar um perigo para ela ou para os outros.

Quantas guerras existem em nome de deus?

Quais os benefícios da religião versus Coaching?

saudações,

Nuno Gaspar disse...

Miguel Panão,

Livro baixado e lido. Muito legal. Obrigado. É por fomentar trabalhos como este (e tantos têm sido publicados) que o movimento neo-ateísta acaba por ser uma benção.

anonimo disse...

Livro baixado?

Onde? dá o link vai...

Carlos Ricardo Soares disse...

Anónimo,

devolvo as perguntas, cuja resposta suponho presumires/presumo supores:

«Como é que se convence uma criança a não falar com o seu amigo imaginário, e que sabe que o seu amigo é imaginário, mas mesmo assim gosta de falar com a sua imaginação?

Não existe problema se ela falar com o seu amigo. Apenas se representar um perigo para ela ou para os outros.

Quantas guerras existem em nome de deus?

Quais os benefícios da religião versus Coaching?»


Se quiseres podes culpar Deus de tudo. Se quiseres não és coerente. Mas também não é coerente quem quer (digo eu).

Nuno Gaspar disse...

O anónimo não merece, mas enfim.

http://www.amazon.com/The-Loser-Letters-Mary-Eberstadt/dp/1586174312

anonimo disse...

Caro Nuno Gaspar,

É que esse livro não existe em formato digital para "baixar".
Baixou o quê?

4 avé-marias e 6 Pai-nossos para purificar das mentiras, vai...

saudações,

Anónimo disse...

Ó anónimo das 11.12

Há muita coisa que tu pensas que não existe que nós já vimos.

Anónimo disse...

pode dar um exemplo?

anonimo 2:04 PM

Anónimo disse...

Posso, anónimo 2:04 PM,
a possibilidade de aceder de forma imediata a textos que tornam muito evidente, para nós, o carácter anedótico do movimento neoateísta.

Anónimo disse...

Afinal o Nuno Gaspar é o anónimo?

Anónimo disse...

Que diferença faz, anónimo 6:31 PM?