22 de maio de 2012

uma carta simples


Não procurei o que está a acontecer. Quando decidi ficar, sabia que era uma hipótese, mas não o procurei. Foi tudo tão simples que é quase embaraçoso: quando a perseguição começou, pareceu-me que o lugar era aqui. Fui vivendo as pequenas contrariedades com tranquilidade e através disso movido a continuar. Fui crescendo na certeza de que tinha de fazer o que estava ao meu alcance: não precisava de me superar, não precisava de superar o outro, somente crescer na capacidade interior de ver o que me era pedido, e responder.

Muitas vezes senti a soberba de ser imprescindível, assim como muitas foram as vezes que carreguei o peso da minha inutilidade; ainda carrego, ainda sinto, e supero o tropeçar confiando, pois os sentimentos não fazem a verdade, são reflexo do ânimo que me perpassa.

Quando a hora chegar, não espero prémios nem bónus: somente quero continuar a viver aquilo em que acredito. Não quero fugir perante os que pretendem tirar-me a fé confiados de que esta depende das condições ou de que é mera ideia da qual posso ser demovido. A fé é relação, é história, é lugares, olhares e toques, e tem uma cumplicidade própria que não se sabe: experiência-se. 

O martírio é despretensioso, é resposta a um público segredo, soprado em cada dia de fé: não tenhas medo... ama.


A Companhia de Jesus e a diocese de Angra do Heroísmo 
recordam hoje o B. João Baptista Machado, que de 1614 até 1617 
(ano do martírio) evangelizou na clandestinidade as ilhas do Japão.

1 comentário:

Streetwarrior disse...

Que lindo yes, perdão...IHS...perdão...Sol !