15 de julho de 2012

ateísmo (em) português (1)


Para quem consulta habitualmente alguns dos sites existentes sobre ateísmo em português, tanto em Portugal como no Brasil, o panorama é em geral confrangedor. Nesses sites, com raríssimas excepções, os crentes são considerados pouco ou mesmo nada inteligentes, ignorantes, incapazes de pensarem pela sua própria cabeça, sem qualquer espírito crítico, dispostos a acreditar no quer que seja, hipócritas, exigindo que todos respeitem as suas crenças e práticas e não respeitando as crenças e práticas dos que não têm as suas crenças, tanto crentes de outras religiões como ateus ou agnósticos. 

Como fotografia dos crentes, esta descrição não pode estar mais longe da verdade. Mas valerá a pena tentar mostrá-lo?

Um meu amigo costuma dizer que há coisas que não vale a pena explicar.
Ou porque são evidentes, e não é necessário explicar.
Ou porque  não são evidentes e não adianta  explicar.

Creio, porém, que nunca nos devemos fechar ao diálogo.

22 comentários:

Cisfranco disse...

Estou de acordo, completamente, a respeito do que refere. Não é que conheça muitissimos testemunhos, mas alguns que tenho lido são mesmo de pensantes que se põem em bicos de pés...

Anónimo disse...

Sou apenas um crente, cristão, católico, em Nosso Senhor Jesus Cristo, de resto não passo de um leigo. Mas queria deixar aqui algo que me vai na alma relativamente a forma como acaba este texto com o qual concordo plenamente.

«Creio, porém, que nunca nos devemos fechar ao diálogo»

Acho que isto é verdade até um determinado ponto. Eu gosto de dizer que isto de dar continuamente é uma questão deveras complicada quando se trata de pessoas que não valorizam o que recebem. O mesmo se aplica ao diálogo.

Existe uma linha, muitas vezes difícil de discernir, que limita a responsabilidade de evangelização e a parábola da pérola e dos porcos.

«Não deis aos cães o que é Santo, nem atireis pérolas aos porcos»

Francisco

Streetwarrior disse...

Olá Pe Alfredo.

Gostaria também eu de deixar um texto que li há pouco tempo, em relação ao ser ou não crente, no Divino Criador e á vida após a morte....

Chama-se;
"A vida depois da vida!

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebés.
O primeiro pergunta ao outro:
- Tu acreditas na vida após o nascimento?
- Certamente que sim. Algo tem de haver depois de nascermos! Talvez estejamos aqui, principalmente, porque precisamos de nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Tolice, não há vida após o nascimento. E se houvesse como seria ela?
- Eu cá não sei, mas certamente haverá mais luz lá do que aqui...Talvez caminhemos com os nossos próprios pés e comamos com a boca.
- Isso é absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca é totalmente ridículo! O cordão umbilical alimenta-nos. Estou convencido de que a vida após o nascimento não existe, pois o cordão umbilical é muito curto!
- Olha, eu penso de outro modo. Penso que há algo depois do nascimento, talvez um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui...
- Mas nunca ninguém voltou de lá, para nos falar sobre isso!? O parto é o fim da vida. E a vida, afinal, nada mais é do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamã e ela cuidará de nós.
- Mamã? Tu acreditas na mamã? E onde está ela?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela é que nós vivemos. Sem ela nada disto existiria!
- Eu não acredito. Nunca vi nenhuma mamã, pelo que não existe mamã nenhuma! - Eu acredito. E sabes porquê? Porque às vezes, quando estamos em silêncio, ouço-a cantar e sinto como ela afaga o nosso mundo. E também penso que a nossa vida só será "real"depois de termos nascido. Nesse momento tomará nova dimensão. Aqui, onde estamos agora, apenas estamos a preparar-nos para essa outra vida..."

Abraços
Nuno

alfredo dinis disse...

Caro Francisco,

Obrigado pela tua reflexão.

Compreendo que muitas vezes não é fácil manter a paciência em certas circunstâncias muito próximas da má educação, da ignorância e do absurdo.

Acredito, porém, que Deus está sempre aberto ao diálogo com todos, santos ou pecadores, crentes, indiferentes, agnósticos ou ateus. Tendo sido criados à imagem e semelhança de Deus, como poderíamos ter uma atitude diferente da dele?

Um abraço,

P. Alfredo

alfredo dinis disse...

Caro Nuno,

Obrigado por esta bela 'história', que não conhecia. Gostei muito dela e vou passá-la a outras pessoas.

Um abraço,

P. Alfredo

Anónimo disse...

I am a creationist.
I believe man created god.

;)

Anónimo disse...

Eu sou um criacionista.
Eu acredito que o Homem inventou Deus...

;)

Anónimo disse...

desculpem, o homem criou deus.

Streetwarrior disse...

Se Gostou, então vou contar-lhe duas outras que também não são minha mas são muito filosóficas.

Quem me ouvir com esta, até pensa que sou Cristão eh eh eh.

- Uma vez, um Cristão falando com um Ateu dizia-lhe assim.

CRistão-Queres ver Deus?
Ateu- Quero, se mo conseguires mostrar, fazendo ar de troça.
C- Então olha directo ao Sol...o que vês?
A- Oh, não consigo ver nada!
C- Então mas se tu nem sequer consegues ver a sua criação, como queres tu conseguir ver o Criador!

;-)

Um Juiz debatia com um Filósofo o seguinte.

Juiz Eu sou a favor da pena de morte.
Existe por ai muito bandido que nem merece o pão que o padeiro faz, quanto mais viver...não acha?

Filósofo - Não sei!Não sei com Agir.
Primeiro porque não sei o que é a Morte e como tal, ao Invés do castigar, poderia estar a premia-lo.

Abraço
Nuno

Anónimo disse...

A estórinha dos fetos mostra bem a crendice que anda na cabecinha de muitos.
Relativamente ao sol, eu vejo muito bem o sol:
http://www.solarmonitor.org/

Streetwarrior disse...

ah ah ah
Ainda bem que vê o Sol.
Não sei se reparou, eu não sou cristão mas reconheço, sou Agnóstico.
No entanto, se me conseguir explicar como um Feto ganha consciencia e de onde ela vem, gostaria muito de aprender .
Venha de lá essa explicação.

Anónimo disse...

defina consciência.
O que é para si consciência?

Anónimo disse...

Humildemente diria que o feto não tem consciência, apenas percebe estímulos de som, luz e tácteis que podem ser dolorosos, mas não tem consciência, isto é, se consciência for uma manifestação de uma acção imaginada, ponderada e intencional. Mesmo mamar no dedo será uma reacção de sobrevivência e não uma opção consciente. A consciência aparecerá por volta dos 3 anos? Talvez Piaget possa dar mais indicações da idade em que aparece algum tipo de consciência...

Streetwarrior disse...

Anónimo.
Parece-me estar a fazer uma interpretação algo leviana do que é a consciência.
Aquilo que menciona, é designado por Autoconsciência ou consciência fenomenal mas isso é apenas um dos muitos aspectos da própria mente em si.
Quando me referia a consciência, foi num sentido filosófico de um conjunto de fatores a que chamo de Alma, espírito, intuição, Personalidade.
Penso que é de comum acordo que cada humano é um ser único, com uma característica de um " Eu/Self muito próprio, não havendo dois iguais.

N

Streetwarrior disse...

Pela sua ordem de ideias, todos os fetos e mesmo Bébés são clones e só por volta dos 3 anos é que se tornam seres humanos únicos.
Será?

Nuno

Anónimo disse...

caro nuno,

Alma, não é mais do que movimento, o que o faz "andar".
Espírito, será apenas uma palavra para descrever os sentimentos e emoções que comunica.
Intuição é o que a sua rede neuronal aprendem em caixa negra, acha que sabe alguma coisa, tacitamente, mas não é capaz de o descrever e identificar porque sabe.
Personalidade, será um conjunto de muitos factores, uma matriz de características e não estática mas dinâmica.

Parece que o meu dicionário é diferente do seu...

Anónimo disse...

Caro nuno,

Clones?
Parece os meus alunos que entram por ter mais de 23 anos e não dão uma para caixa...

Qual é a sua definição de clone?
Leia um puoco sobre clonagem e depois olhe bem para a sua pergunta.

Streetwarrior disse...

Anónimo, sabe bem ao que eu me referi quando dei o exemplo "clone" como comparação.
Foi num sentido de idêntico, igual.

"Personalidade, será um conjunto de muitos factores, uma matriz de características e não estática mas dinâmica"

Anónimo
Estou ciente que muito daquilo que desconhecemos, é porque a ciência ainda não descobriu as razões.
Logicamente, que muito daquilo que acredito, são crenças e superstições, pois não tenho prova .
No entanto, até a ciência dar uma explicação sobre quem está por trás da criação de tudo o que existe no Universo, esta forma de pensar...reconforta-me.

Está melhor assim?

Anónimo disse...

quem está por trás da criação de tudo?

Não será antes o que está por trás da criação de tudo?

Posso garantir que ninguém esteve por trás da criação... :)

E eu sou um criacionista...
Acredito que o Homem criou deus.

Streetwarrior disse...

Sim, bem corrigido.
Esta mania de humanizar o desconhecido, é impulsiva.
eh eh eh

Pedro Amaral Couto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Amaral Couto disse...

(Desculpem-me: enviei uma mensagem para aqui por engano. Tinha essa página aberta para ter em mente o contexto da origem da parábola dos bebés - kudos para Streetwarrior - e procurar a sua fonte - parece que é da autoria de Maria da Conceição de Almada Gil e é uma história popular na internet.)