5 de julho de 2012

Estar onde estão as pessoas


1. O modelo evangelizador da Igreja está a mudar progressivamente, respondendo aos novos dinamismos culturais e sociais. Será útil reflectir sobre o sentido destes dinamismos para melhor compreender as mudanças que o Espírito nos pede. Tradicionalmente, a evangelização faz-se em espaços ‘sagrados’: Igrejas, Santuários, Casas de Retiros e Encontros, Salões Paroquiais, etc. Elaboram-se e anunciam-se programas e horários, convidam-se as pessoas e espera-se que apareçam. Este modelo de evangelização ainda está muito adequado em ambientes nos quais as pessoas estão habituadas a participar nas iniciativas pastorais que lhes são propostas. Todos sabemos porém que cada vez mais os ritmos de vida, os interesses e as mentalidades das pessoas se enquadram menos nestes esquemas tradicionais. Paróquias, Congregações Religiosas, Movimentos Eclesiais deverão reavaliar os seus métodos de evangelização, de programação e de execução, tendo em conta os diversos públicos a evangelizar. E que públicos são esses?

2. Tocamos aqui um ponto fundamental. Tradicionalmente as pessoas a quem as iniciativas das instituições eclesiais se dirigem tendem a ser aquelas que já frequentam habitualmente os nossos locais de culto e de encontros. Temos porém que reconhecer que estas pessoas são uma minoria, e que a maioria fica à margem da Igreja, manifestando uma certa indiferença por tudo o que tem a ver com a religião. E é para estas pessoas, cujo número tende a aumentar, que a Igreja se deverá voltar muito mais decididamente do que até aqui. É certo que as actuais estruturas e instituições eclesiais já trabalham muito e bem na evangelização. Os Párocos são verdadeiros heróis na assistência religiosa e social que prestam muitas vezes a diversas paróquias e a um grande número de pessoas. Também muitos leigos são de uma dedicação exemplar em Paróquias, Movimentos Eclesiais, etc. Temos porém que nos perguntar se não deveremos encontrar modos novos de evangelização que nos levem a contactar com as pessoas que habitualmente não nos procuram. Onde estão essas pessoas?

3. Algumas delas estão em Prisões, Hospitais e Escolas, e a estes locais se deslocam Capelães e Professores. Este método de presença evangelizadora poderá inspirar a aproximação a outros públicos, de tal modo que sejam os evangelizadores a ir ter com as pessoas e não vice-versa. Hoje muitas pessoas, não apenas os jovens, ‘habitam’ espaços virtuais e comunicam-se dos modos mais diversos. Talvez aqui se deva investir mais numa evangelização de presença, de escuta, de diálogo, mais do que de catequização e proselitismo. As Paróquias olharão para além dos seus limites, geográficos e humanos – quanto lhes for possível. As Congregações Religiosas irão habitar mais perto das pessoas, indo além dos actuais enormes edifícios, muitas vezes circundados por elevados e espessos muros. A Vida Religiosa como ‘fuga do mundo’ é agora ‘presença no mundo’, mundo do qual os Cristãos não fogem, mas que amam e abraçam. É pois necessário ouvir o que o Espírito diz à Igreja hoje, para fazermos as mudanças necessárias e possíveis, algumas urgentes, nos nossos modos de evangelização para que esta se torne verdadeira mente ‘nova’.

                                         Texto publicado hoje no Jornal Diário do Minho

7 comentários:

Streetwarrior disse...

Caro @Alfredo Dinis, historicamente essas mudanças são conhecidas.

Há 4000 A.C , antes do que hoje é conhecido por Judaísmo base do Cristianismo, os Judeus adoravam Molech, representado por um Touro.
2000 anos depois, diz o mito que Moisés, subiu á montanha de Sião descendo com as Tábuas dos 10 mandamentos, soprou no corno de 1 carneiro para juntar os seus seguidores e informando-os que deveriam deixar de adorar o Bezerro de Oiro e que passariam a adorar o Carneiro Sagrado.
Muita gente não está ciente que no principio do Cristianismo, novamente 2000 depois, não existia nenhum Cristo pregado na Cruz...havia sim, um Carneiro que carregava uma bandeira Branca com uma Cruz vermelha.
Jesus Cristo, senão estou em erro, só aparece representado pregado na Cruz, no Séc. VII.
Em todos estes períodos históricos, houve sempre uma diminuição e uma resistência por parte dos povos ás novas formas de religião que iam dando lugar, consoante as Eras iam entrando, pois não queriam deixar os seus velhos rituais religiosos.
Ora como as Eras estão a mudar novamente, pois estamos a entrar na Era de Aquário, a própria ICAR sabe disso e como tal, sabe que terá que criar novos rituais, novos cultos, novas formas de adoração... pois o Judaismo, tal como o Cristianismo, são metamorfoses de Cultos pagãos da Antiguidade.

Por isso caro @Alfredo Dinis, provavelmente, haverá um decréscimo de fieis nos primeiros tempos, mas com o decorrer dos Séculos, as pessoas tenderão a esquecer as razões e a superstição, dará novamente lugar á fé num Deus Salvador que virá dos céus para salvar os humanos pecadores que caso não se arrependam e se voltem para Deus, nunca terão lugar no "Paraíso"
Um povo educado e informado é um perigo para aqueles que os tentam subjugar..por isso, nos países com menor taxa de alfabetização e escolaridade, as religiões têm um papel preponderante na vida dos seus cidadãos.
Principalmente como pilar central garantindo " a Sopa dos Pobres ".

Abraço
Nuno

alfredo dinis disse...

Caro Nuno,

A sua afirmação

"Muita gente não está ciente que no principio do Cristianismo, novamente 2000 depois, não existia nenhum Cristo pregado na Cruz...havia sim, um Carneiro que carregava uma bandeira Branca com uma Cruz vermelha. Jesus Cristo, senão estou em erro, só aparece representado pregado na Cruz, no Séc. VII."

é muito interessante, e eu gostaria de fazer alguma investigação sobre este tema. Pode dar-me algumas fontes que me ajudem a aprofundar o assunto?
Obrigado.

Cordiais saudações.

Streetwarrior disse...

http://www.nobeliefs.com/facts.htm#anchor237925

http://en.wikipedia.org/wiki/Stauros

http://en.wikipedia.org/wiki/Dispute_about_Jesus%27_execution_method#Second-century_references_to_Jesus.27_execution

http://en.wikipedia.org/wiki/Lamb_of_God

Eu disse" se não estou em erro " pois relativamente a assuntos ligados á religião, principalmente á ICAR estes assuntos são sempre muito blindados e as pesquisas mais aprofundadas, são por norma feita por pesquisadores ou ligados ao Vaticano ou cristãos.

Mas ao ler-se as páginas da wikipédia, percebesse que as primeiras representações do cristianismo, ou eram a adoração de um Carneiro ou algo ligado á simbologia de um Peixe.
Facil perceber o porquê.

Anónimo disse...

As mil máscaras do Satanás, para que aqueles que querem o paraíso, vendem a alma e perderem o seu próprio ser...

O peixe.
O carneiro.
A cruz...

alfredo dinis disse...

Caro Nuno,
Gostaria de saber se considera a sua interpretação dos factos e da História como provável ou como definitivamente completa e verdadeira. Obrigado.
Cordiais saudações.

Streetwarrior disse...

Caro Alfredo, falamos do que em concreto?
Da questão acerca da Cruxificação de Cristo e simbolismo relacionado com o Cristianismo?

Em relação a esta, considero-a como provável, pois muitos documentos foram simplesmente destruídos e muita coisa inventada para credibilizar a força da autoridade dos tempos.

Em relação a Cristo nunca ter existido como humano, ai, a história para mim está mais que completa.
Aliás, eu tenho uma visão Priscatológica acerca de todas as religiões.
Já os seus livros, considero-os como " Poemas científicos " que nos relatam claramente a interação dos planetas, estrelas, a luz do SOL sobre o planeta e sobre nós, influenciando o nosso comportamento.

http://www.youtube.com/watch?v=hGBc5h7vRJE
Mais claro do que isto, só quem insiste em não ver...e acredite, nada tenho contra o que a religião ensina mas sim, contra aquilo que os humanos estão a ensinar como religião.

Abraços
Nuno

Streetwarrior disse...

e deixe-me referir que o Santos foi 27 anos , testemunha de Jeóva...portanto se há alguém que sabe da missa, ele é um deles.
Tem a biblia decorada.

Nuno