10 de setembro de 2012

o desconhecimento faz mal (5)


Num recente post no seu blogue ktreta, o Ludwig Krippahl afirmou que “a religião é má”. Não foi tão longe como outros ateus inspirados em Hitchens para o qual ‘a religião envenena tudo”. TUDO mesmo. Com algum esforço e boa vontade o Ludwig consegue encontrar duas coisas em que a religião não é má: as tocatas de Bach e as freiras que vivem na sua rua. Para ajudar o Ludwig – e muitos outros - a encontrar outras coisas boas que se fazem em nome da religião – institucionalmente, e não apenas com base nos  sentimentos religiosos subjectivos – vou continuar a série de posts que intitulei “o desconhecimento faz mal”, ou “o desconhecimento é mau”.

Serviço Jesuíta aos Refugiados

O Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS – Jesuit Refugee Service), é uma organização internacional da Igreja Católica, fundada em 1980, sob responsabilidade da Companhia de Jesus. O JRS tem como missão «Acompanhar, Servir e Defender» os refugiados, deslocados à força e todos os migrantes em situação de       particular vulnerabilidade.


JRS PORTUGAL
Em Portugal, o JRS foi criado em 1992, e até finais dos anos 90 funcionou essencialmente como uma plataforma de conhecimento e informação sobre matérias relacionadas com as leis de asilo e de imigração.

 A partir de 1998, o JRS Portugal assumiu uma intervenção mais directa com a população migrante e desde então tem vindo a desenvolver actividades e projectos nas seguintes áreas:

Apoio social, nomeadamente através da intervenção com migrantes em situação de grande vulnerabilidade social / Apoio psicológico e aconselhamento / Apoio jurídico / Encaminhamento e apoio à integração social (CLAII) e à Inserção profissional (GIP) de imigrantes / Apoio a Imigrantes Qualificados / Alojamento de migrantes sem-abrigo, em situação de particular vulnerabilidade social (Centro Pedro Arrupe) / Apoio médico e medicamentoso / Cursos de Língua Portuguesa para imigrantes / Acções de formação nas áreas da promoção dos direitos humanos, promoção do diálogo intercultural e inter-religioso e educação para o desenvolvimento / Apoio psicossocial a migrantes em situação de detenção

Para além da sua forte actuação na área da integração de imigrantes, o JRS-Portugal desenvolve acções de Advocacy, baseadas na reflexão sobre a acção no terreno, quer a nível nacional, quer a nível internacional. São exemplos deste trabalho a organização de eventos dedicados ao debate e à defesa dos direitos humanos dos migrantes, nomeadamente dos requerentes de asilo e migrantes irregulares em situação de detenção e dos migrantes destituídos de direitos

JRS NA EUROPA
O trabalho no terreno coloca o JRS como uma das poucas organizações especializadas em migrações que possui delegações e pontos de contacto em 14 países europeus, incluindo Estados como Malta, Eslovénia, Roménia e Polónia.

Para além de uma forte componente de Advocacy, o apoio prestado pelo JRS na Europa inclui: acompanhar migrantes em centros de detenção; providenciar apoio jurídico a requerentes de asilo e imigrantes irregulares; prestar apoio psicológico aos migrantes em situação de maior vulnerabilidade; acompanhar espiritualmente migrantes detidos; e providenciar alimentação e alojamento a migrantes destituídos.

JRS NO MUNDO

Actualmente, o JRS está presente em cerca de 50 países, prestando apoio em situações de emergência social, e nas áreas da saúde, educação, empregabilidade, entre outras. É prioridade do JRS estar onde mais ninguém está e onde faz mais falta. Em 2009, foram acompanhados pelo JRS cerca de 500 000 migrantes em todo o mundo. Para concretizar este trabalho, o JRS conta com cerca de 1400 colaboradores, muitos dos quais voluntários, que se dedicam a esta causa e Missão.

video
 retirado do site www.jrsportugal.pt/


17 comentários:

Anónimo disse...

Caro Alfedro,
A sua intenção parece sincera e honesta mas sofre de um erro de lógica.
Claro que uma instituição com milhares de fundações como o Vaticano também tem aspectos positivos para a sociedade. A questão que deve ser colocada é: É a Igreja a melhor forma de aplicar os recursos disponíveis? Para dar uma resposta científica temos de observar a realidade e comparar. Compare a acção da Igreja com uma fundação com a fundação Melinda e Bill Gates. A Igreja dá esmola aos pobres para continuarem a pedir e a depender da Igreja. A fundação Melinda e Bill Gates tenta resolver problemas de fundo de forma científica, por exemplo, não tenta tratar os doentes mas erradica as doenças. Assim se pode concluir que a igreja é uma má aposta para a sociedade e que está fora de tempo na nossa sociedade.

Cordiais saudações,

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Obrigado pelo seu comentário.

Afirma: "A Igreja dá esmola aos pobres para continuarem a pedir e a depender da Igreja." Em que se baseia para fazer esta afirmação? Desconhece certamente que a Igreja em todo o mundo tem muitas pessoas no terreno a envolver as populações em projectos de desenvolvimento, seja na educação seja na saúde, construindo escolas, hospitais, etc., com as populações e as autoridades locais. Informe-se bem.

Já agora, quando tanto se fala no passado horrível da Igreja, leia alguma coisa sobre os Jesuítas e as Reduções do Paraguai. É só um dos muitos milhares de exemplos que se poderiam dar - não só de Jesuítas - de projectos de desenvolvimento local envolvendo as populações locais e, neste caso dos Jesuítas, morrendo com elas às mãos dos colonizadores espanhóis. Não creio que Bill Gates ou a sua esposa tenham uma experiência semelhante.

Os cristãos estão no terreno, nos campos de refugiados, nas zonas mais pobres e até de guerra, arriscando diariamente a vida, onde poucos se aventuram.

Veja a história de Timor durante a ocupação Indonésia. Quem acompanhou o povo durante meses e meses, escondido nas montanhas? Bill Clinton? Não. Padres que eu conheço pessoalmente sim.

Dizer que os cristãos tratam os doentes mas não erradicam a doença é também um grande desconhecimento da realidade. Posso dar-lhe alguns bons exemplos que apontam no sentido contrário, de erradicação de doenças em inteiras tribos africanas, onde Bill Clinton não chegou - se quiser.

Saudações,

Alfredo Dinis,sj

Anónimo disse...

Mais um bom exemplo. É como já disse por aqui... Apelam a intelectualidade, racionalidade e espírito crítico, mas começam logo sendo alvos das próprias críticas. Por questões puramente ideológicas caem no ridículo e na contradição. ... tapam os olhos para não ver, fecham os ouvidos para não ouvir, depois não sabem o que dizem.

Francisco

alfredo dinis disse...

Infelizmente, quando Deus criou o mundo« esqueceu-se de adr alguma inteligência aos crentes. Deu-a toda aos ateus. Suponho que foi por distracção e não por má vontade.

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

O Clero é muito inteligente. Só falta saber se é para benefício próprio ou dos leigos...

Que doenças foram erradicadas pelos Jesuítas? Onde? Quando? Obrigado.

Já ouviu falar das obrigações paroquiais? Agora há padres a EXIGIR um imposto aos paroquianos...

Saudações,

Anónimo disse...

Se foi o homem que criou deus, e o homem já estava no mundo, como é que deus criou o mundo?

alfredo dinis disse...

Em 1964 o Movimento dos Focolares foi chamado a intervir em socorro de um povo dos Camarões, a tribo dos Bangwa, em via de extinção, devido à doença do sono. A altíssima mortalidade infantil tinha atingidos os 90%. Partiram para Fontem alguns Focolarinos médicos, enfermeiros, técnicos edílicos. Em 1966 Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares foi ali lançar a primeira pedra do novo hospital. A epidemia foi vencida em poucos anos e a taxa de natalidade desceu a níveis considerados normais.

PS- Não disse que a erradicação de doenças foi fruto da acção de Jesuítas. Dei diversos outros exemplos de intervenções de Jesuítas que não se limitam a dar esmolas.

Sei bem que nem tudo é perfeito na Igreja Católica. Conheço as suas limitações mas também as grandezas. Penso que aos ateus só interessam as limitações. Espírito crítico?

Anónimo disse...

Caro Alfredo, A tripanosomiase (doença do sono) está longe de estar erradicada nos Camarões, continua a ser um país endémico com novos casos todos os anos. Pode dizer que ajudaram a controlar um surto da doença mas não erradicar! Em comparação com a fundação Melinda e Bill Gates que terá menos de 20 anos de actividade veremos quanto tempo vai necessitar para erradicar a Malária... e outros vectores que usam as fezes humanas... com uma ideia simples como alterar a estrutura de uma "sanita": passa a reciclar água, produzir energia e solo fértil esterilizado. É bem diferente de: dar-esmola-para-enformar-as-mentes-a-devolver-a-esmola-multiplicada-por-muitos-anos, ao Vaticano.
Saudações,

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Continua a insistir na história de 'dar esmola' acusando a Igreja Católica de não passar disto. Os exemplos em contrário são tantos, que só não vê quem não quer. O que me parece ser o seu caso.

Não afirmei que a doença do sono foi erradicada dos Camarões mas sim apenas de uma tribo.

Saudações.

Nuno Gaspar disse...

Este anónimo tem graça. Pela lógica dele, o Bill Gates anda investir dinheiro no combate à malária para ter mais clientes do Windows.
O exotismo intelectual neoateísta é de uma riqueza luxuriante.

Anónimo disse...

Caro Nuno,
Acredita que a realidade é muito diferente das conclusões que encontrou seguindo a minha lógica? Ou encontrou um facto?

Nuno Gaspar disse...

Encontrei um facto, caro anónimo: o neoateísta não tem duas preocupações na vida, só tem uma - molestar quem pensa diferente.

Anónimo disse...

Caro Nuno,

Como imagina, não posso concordar com a sua última afirmação 2.55 a.m.

Lamento que consigo lidar com críticas.

E deixe-me dizer que há uma grande diferença entre dizer que se não segue o caminho de cristo tem o inferno, ou dizer que depois de melhorar as condições de vida pode ou não comprar o Windows...

Saudações,

Anónimo disse...

E lamento que o Nuno não consiga lidar com críticas

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

Pode explicar como consegue erradicar uma doença numa tribo de um país endémico?

Saudações.

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Os países africanos estão muito divididos em tribos que têm uma vida bastante autónoma e estão confinados a regiões geográficas específicas. Não crê certamente que a distribuição geográfica em África segue o modelo europeu. Naquelas condições é possível erradicar epidemias numa tribo dado que o problema está limitado. Estou a falar-lhe de factos confirmadíssimos, mas sinta-se livre de não acreditar neles.

Anónimo disse...

Caro Alfredo,
Não sou eu que tenho de acreditar ou deixar de acreditar, é a Tsé-Tsé que tem de deixar de ter a capacidade de aparecer nessa tribo. Há alguma razão para acreditar que a mosca Tsé-Tsé não possa chegar à tribo? Não crê certamente que a mosca Tsé-Tsé se sinta inibida de voar só porque alguém Europeu disse que estava erradica...
Saudações,