28 de setembro de 2012

Os equívocos fazem mal

No seu blogue ktreta afirma o Ludwig: “Ajudar as crianças, os pobres, os enfermos e os refugiados são aspectos bons da forma como alguns usam a religião. Mas não são aspectos essenciais da religião. É possível ser-se religioso sem fazer nada disto.”

Este  post, como aliás os que costuma publicar sobre religião, está profundamente equivocado porque parte desta premissa errada. Para os crentes, as actividades como as que refiro neste blogue não são opcionais, elas fazem parte da essência da religião, como se pode ver das seguintes passagens bíblicas:

 



Parábola do juízo final: “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, bem ditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’ E o Rei lhes responderá: Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.” (Mt 25, 34-40)

E ainda: “a verdadeira religião, aos olhos de Deus, pura e sem falhas, consiste em amparar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações.(Tiago 1, 27)


Um cardiologista poderá ignorar completamente as necessidades das pessoas para lá do seu gabinete de médico e ainda assim continuar a ser um bom cardiologista. Mas o cristão não poderá dizer-se cristão se ignorar as pessoas que passam necessidade e de quem ele se pode aproximar. Um não cristão poderá comprometer-se ou não em projectos de desenvolvimento em favor dos mais necessitados, mas o cristão não será cristão se não o fizer, cada um segundo as suas possibilidades. Esta atitude faz parte integrante e fundamental da sua crença religiosa.

A  concepção de religião subjacente ao post do Ludwig  vai numa linha que corresponde a um lugar comum: “o cristão praticante é o que vai à missa ao domingo”. Não é. Por outro lado, não são as verdades fundamentais da fé cristã que tornam sejam quem for mau, nem são elas que tornam o cristianismo mau. Acreditar que Jesus é Deus, que nasceu de uma mulher, que ressuscitou, que realizou milagres, etc., não torna o cristianismo mau. Continuar a defender o contrário não tem qualquer fundamento e baseia-se num enorme equívoco.

14 comentários:

Pyny disse...

Para um post de "treta" do Ludwig uma resposta mais que à altura. "Quem tem ouvidos, ouça"! Só não entende estes argumentos tão bem explicados e demonstrados pela passagens de Mateus e Tiago quem não tiver qualquer capacidade de raciocínio lógico. Gosto muito de visitar este blogue. Obrigado pelas suas contribuições P. Alfredo Dinis SJ. Não poderiam ser mais esclarecedores os seus posts.
Abraço,
Francisco Malta Romeiras

Ebrael Shaddai disse...

Acho que nem preciso citar a ocasião em que Cristo foi categórico:

"Será dado a cada um segundo suas obras!"

Ora, o coitado que ficou repetindo ladainhas ao invés de se deixar inflamar pelo Amor de Deus, recebido através da oração sincera; que ficou a esperar pelo Reino, aquecido em sua coberta, ao contrário de ir ao encontro desse mesmo Reino de Deus na casa de seu irmão necessitado...receberá o que? Diplomas de Teologia? Uma diocese como honraria?

Receberá um "aparta-te de mim, pois não vos reconheço!"

alfredo dinis disse...

Caro Pyny,
Muito obrigado pelas suas amáveis palavras.

alfredo dinis disse...

Caro Ebrael,
Muito obrigado pelo seu comentário, com o qual estou plenamente de acordo.

Ludwig Krippahl disse...

Alfredo,

«A concepção de religião subjacente ao post do Ludwig vai numa linha que corresponde a um lugar comum: “o cristão praticante é o que vai à missa ao domingo”»

A minha concepção de religião não assume que a palavra "religião" quer dizer apenas "cristianismo católico apostólico romano". Segundo a tua interpretação da tua religião, ajudar refugiados, cuidar de crianças no Verão e essas coisas são parte integrante dessa tua religião. No entanto, não é obrigatório que toda e qualquer religião (e todo e qualquer religioso) assuma o mesmo e, portanto, isso não é parte essencial do conceito de religião.

alfredo dinis disse...

Caro Ludwig,

Dificilmente encontrarás alguma religião que não tenha como ponto fundamental a qualidade da relação com os outros.

Tu preferes acentuar o aspecto dogmático, mas as diversas religiões têm dogmas diferentes, e apenas alguns comuns, - como a existência de um Deus criador e da vida depois da morte. Para seres coerente, então, dificilmente poderias referir-te 'à religião'. Mas é exactamente isto que tu e todos os ateus fazem. Vão procurar nas diversas religiões os aspectos que parecem mais relacionados com a violência, por exemplo os bombistas muçulmanos, com factos históricos passados, por exemplo, as cruzadas cristãs, etc. Ou então citam a prática absurda das Testemunhas de Jeová que se recusam a dar e receber transfusões de sangue. Mas estes factos não são comuns às religiões, nem do ponto de vista pessoal nem na perspectiva institucional.

Como é então possível afimares com fazes, tu e tantos outros ateus – embora não todos: ‘a religião é má’ e ‘a religião só faz mal’.

Eu compreendo que não tens alternativa. Não poderás nunca reconhecer que alguma religião - sobretudo do ponto de vista institucional - tem algo de inerentemente positivo. Isso seria abrir a porta ao reconhecimento de que o mundo não se divide em duas metades - o que é sempre muito prático e simples de pensar: os bons e inteligentes, isto é, os ateus que não têm crenças inerentemente más, precisamente porque não têm qualquer crença religiosa – por um lado. Há depois os crentes – a outra metade do mundo -que, sobretudo institucionalmente, são a fonte de todos os males, precisamente porque a religião é má por natureza. Sem religião, o mundo seria o paraíso sonhado por muitos crentes e, afinal, por todos os ateus. Basta pensar na bandeira musical dos ateus: ‘Imagine there is no religion…’. Sim, tudo seria tão diferente!

Tu fixas-te obsessivamente nos dogmas cristãos, como se eles fossem intrinsecamente maus ou a fonte de todo o mal. Mas não consigo entender esta tua posição. O facto de alguém acreditar naquilo a que tu e os ateus em geral chamam a irracionalidade da existência de Deus, do nascimento virginal de Jesus e da sua natureza divina, da sua Ressurreição, da transubstanciação, da vida eterna, etc., nem torna as pessoas que têm essas crenças más por natureza– o que tu aceitas – nem torna as Igrejas que defendem estas crenças intrinsecamente más.

Poderíamos discutir se uma religião cujo deus manda matar todos os membros das demais religiões, e também os não crentes, é inerentemente má. Mas ainda que concluíssemos pela positiva, isso não poderia estender-se a todas as demais religiões. Mesmo entre os muçulmanos, entre os quais há quem pense que Deus manda matar todos os infiéis, esta crença não é consensual, a interpretação do seu livro sagrado não vai necessariamente nesta direcção.

Os exemplos de aspectos positivos das religiões que tenho referido neste blogue têm todas a característica de serem de natureza institucional. Não são apenas os indivíduos que têm que amar o próximo concretamente, sobretudo os mais pobres e marginalizados. Também muitas das Igrejas têm essa característica como inerente ao seu núcleo doutrinal. Se falo apenas da religião Cristã e da Igreja Católica é porque as conheço melhor. Mas basta que numa religião e numa Igreja não se verifique que são inerentemente más, para deitar por terra o dogma ateu de que ‘a religião é má por natureza’.

Um abraço.

Anónimo disse...

Caro Alfredo Dinis,

Aquilo que critico nas religiões, em todas as religiões, não é aquilo em que acreditam os respectivos fiéis mas o facto de acreditarem em qualquer coisa apesar das evidências em contrário. Algo que o seu patrono Inácio disse muito explicitamente: "se a Igreja define como preto algo que aos nossos olhos parece branco, devemos concordar que é preto” (talvez não sejam as palavras exactas). É exactamente esta atitude de eliminação deliberada do sentido crítico que, se percebi bem, leva o Ludwig a dizer que as religiões são intrinsecamente más, pois abrem a porta a que se acredite nas maiores barbaridades. Os bombistas muçulmanos ou a inquisição são exemplos disto mesmo.

carlos cardoso

alfredo dinis disse...

Caro Carlos,

Obrigado pelo seu comentário.

Sobre a frase de S. Inácio, é preciso colocá-la no contexto das muitas outras frases que ele escreveu. Entre outras coisas ele deixou.no suma série de critérios para separar o trigo do joio, chamadas em linguagem algo técnica 'regras para o discernimento de espíritos'. Se alguma coisa Inácio de Loiola deixou aos Jesuítas, à Igreja e à Humanidade não foi certamente a ausência de espírito crítico.

Quanto às razões apontadas por Ludwig para justificar a sua tese de que as religiões são más por natureza, ele não crê que o que as religiões fazem seja um bom critério, mesmo tratando-se de bombistas suicidas como no caso dos muçulmanos. Ele não poderia adoptar este critério porque há muitas coisas boas que se fazem em nome das religiões. Há coisas boas e coisas más. Daqui não se poderia portanto retirar qualquer conclusão. Mesmo no interior do islão há muita gente e instituições a fazer coisas boas.

Mas o Ludwig tem outra razão para não admitir que o bem feito pelas religiões deva ser tido em conta. As religiões, segundo o Ludwig, são más porque impõem dogmas, e isto é que caracteriza a religião. Mas é evidente que o Ludwig não pode admitir que o fazer bem seja parte integrante do núcleo das religiões em geral, certamente do Cristianismo em particular. Porquê? Porque sim. Porque issolhe iria deitar por terra o seu argumento. E quem define o que é o Cristianismo não é Cristo, nem a Bíblia, nem a Igreja Católica, nem o Papa, nem... É o Ludwig!

Cordiais saudações.

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