29 de novembro de 2012

Beato Bernardo de Hoyos


Foi o primeiro divulgador do culto ao Coração de Cristo em Espanha, devoção católica hoje um pouco mais esquecida. E, ainda que esquecida, cheia de atualidade. Esta devoção coloca o seu centro na procura da sinceridade no ponto de partida de cada ação, de encontrar no seguimento de Cristo a capacidade para ver, cheirar, tocar, saborear o mundo de uma forma completamente nova; ser capaz de transformar o que estou a viver, fazendo com que tudo me vá aproximando de Deus e dos seus benevolentes sentimentos perante o Mundo.

27 de novembro de 2012


Como se relacionam as palavras com o mundo?
(Podem-se emitir palavras sem dizer nada)
                                                                  
                                                                        John R. Searle

26 de novembro de 2012

S. João Berchmans, religioso



João Berchmans nasceu no ano de 1599 em Diest, no Brabante. No ano de 1612 começou os estudos clássicos em Malinas e foi admitido na Companhia em 1616. Em 1618 foi mandado para Roma, a fim de continuar os estudos. Aí morreu, após breve doença, a 13 de Agosto de 1621. Todos os que o conheceram o estimavam, por causa da sua piedade profunda, caridade sincera e alegria constante. Como estudante, na Companhia de Jesus, foi modelo de fidelidade obedecendo às regras substanciais do Instituto que abraçou, e às mais pequeninas também. A sua experiência de vida “comum” ficou confinada ao noviciado na Flandres e ao filosofado no Colégio. Tinha facilidade para as ciências e para as línguas e estava sempre pronto para ajudar em qualquer trabalho suplementar, e “humilde”, os membros da comunidade, e primeiro lugar os doentes, bem como para acompanhar os pregadores, aos domingos, pelas ruas de Roma.
Embora este jovem Flamengo do tipo afectivo que parecia um anjo, era, num sentido místico, um peregrino de Cristo…Pelo constante exercício das virtudes, sobretudo da humildade, chegou a esse sentimento interior da paz. Com o seu sorriso habitual confessava: “Senhor, na vossa Companhia, sou uma vara que não dá fruto. Mas não me corteis da videira; pela vossa misericórdia, fazei que a seiva da graça corra até mim”.
Das cartas de São João Berchmans: “Meu venerado pai e minha querida mãe: há quatro meses o Senhor bate à porta do meu coração, que eu até hoje tenho conservado mais ou menos fechada. Durante este tempo, notando que nenhuma outra ideia me ocorre, quer durante o estudo quer durante o descanso; que nada mais me vem à mente quando passeio ou me ocupo em qualquer outra coisa; que nenhum outro pensamento me assalta senão o de examinar o estado de vida que devo escolher; depois de muitas comunhões e boas obras, fiz voto de servir a Deus Nosso Senhor na vida religiosa, se Ele me ajudar com a sua graça”.
S. João Berchmans, foi canonizado por Leão XIII em 1888.

24 de novembro de 2012

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo

Domingo XXXIV do Tempo Comum



"«Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus,
«Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo»."
                                                                                                     Ap 1, 8

22 de novembro de 2012

A vida em deliberada consciência III

Rui Hermengildo - Instagram (via P3)


Há que compreender que o que vivemos é dom, e que muito há fora da área de influência da nossa volição e da nossa ação: o nosso nascimento, os nossos progenitores, os nossos familiares, os lugares onde vivemos… o mero ato de existir implica um grande grau de sujeição a condições autónomas do nosso pensar, sentir e agir. E, ainda assim, é a partir da nossa margem de ação que nos atiramos ao mundo: mesmo a nossa passividade é uma ação.

Na abertura do Manual, Epicteto distingue ações próprias – únicas suscetíveis de serem livres de constrangimentos, exigentes de todo o nosso empenho – das ações provenientes da esfera de outrem – alheias aos meus desideratos, que pedem a nossa indiferença . Um dos exemplos que mais cabalmente demonstra a sua tese é o do insulto: num insulto, o outro em nenhuma parte do nosso corpo inflige dano exceto na imagem que temos de quem somos. E até podemos assumir que a dimensão do dano pode estar causalmente dependente de uma inflação do ego fundada num narcisismo. É no imaterial independente de mim que o rasgão se dá.

O outro, que nesse instante nos assemelha pérfido e violento, inflige ferimento somente na opinião que temos sobre as nossas potencialidades. Estamos no campo da autoestima e perceção próprias. Deve esse núcleo da nossa vida depender da palavra de outrem para a sua estabilidade? Não falamos aqui de uma surdez ou altivez embriagada de si, mas de vivência justa do meu equilíbrio interno. Poderemos considerar equilibrado entregar exclusivamente ao outro o escrutínio de quem somos ou do nosso valor? Há que ganhar sabedoria pronta para aceitar o equívoco, ser sério e claro na abordagem de tudo o que me é dado viver. Pesemos esta situação: se o que o outro diz sobre mim não é verdade, que dano efetivo concretiza? Se à fonte nada mais assiste do que a injustiça, o mal fica com ela.

O choque, o toque, o contato, são situações limite que experimentamos todos os dias e que exigem sabedoria: quebrada a paz interior vem o desacerto, o desgoverno, o descontrolo. Temos que aprender a palpar dentro de nós o alcance dos danos e resguardar-nos para o momento em que a harmonia interior estiver restabelecida. Agir em desequilíbrio agravará o desequilíbrio.

Falámos do dano. E num sinal de apreço e carinho? Porventura não será também a harmonia quebrada por um insuflar do ego? Também aí, não menos, é necessária atenção e cuidados, aprender a colocar a alegria mais na pessoa que tal encómio nos presta do que no uso displicente da sua atenção, que mal orientada contribui somente para acumulação de gordura mal sã no nosso ego. Nós não somos os nossos dons e se, de algum modo, um deles nos faz destacar, é somente esse dom que é tangencialmente mais forte em mim: eu não sou o dom, nem os outros desprovidos de dons.

Epicteto declara a total liberdade e independência do “eu” em relação ao afeto, ao “sentir”, como o caminho para a felicidade. Todavia, assemelhasse-nos mais adequado não envidar a importância do mundo afetivo para a nossa identidade: há proveito a tirar. É prática que pede clareza e perspicácia, pois poderemos escorregar facilmente para o suave engano de querer somente ser agradáveis à vista e ao coração do outro, procurando confirmação de cada ação na reação do outro e transviarmo-nos do caminho do bem. Se pretendemos impressionar, saímos do caminho: não está ao nosso dispor a perceção que o outro tem de nós, não é matéria ao nosso alcance.

A paz de espírito tem de ser autónoma da perceção do outro, para que nunca percamos a capacidade de focar o essencial; o ascendente que ele tem sobre a nossa dimensão interior tem de ser justo. Temos que ambicionar a clareza nas nossas vidas, desejar que tudo o que fazemos possa ser exposto à luz do dia. Há também a boa modéstia, a vontade de fazer o bem discretamente e, portanto, há que encontrar a justa medida entre o agir sem receio de equívocos de interpretação, de tal forma a nossa ação está orientada para o bem, e sem, por outro lado, convocar a assembleia para aplaudir cada gesto de bondade ou altruísmo.

Procuramos a felicidade, mas confundimo-la com a aprazibilidade do cenário: riqueza e poder facilmente assumem a condição de fim, quando não são mais do que meios potencialmente ao nosso dispor. Ao exigir que o nosso objetivo dependa da verificação de determinados meios, limitamos a criatividade da vida, atamos nossos próprios pés. Epicteto aconselha-nos a viver com os olhos no chamamento do capitão , que um dia nos guiará numa longa viagem para um lugar sobre o qual podemos especular mas não saber: a morte é um evento perspetivador de vida, assumamo-lo com naturalidade. 

Do todo, a atenção ao interior e a libertação das impressões externas são os dois grandes eixos de atenção de Epicteto: consciente do impacto do exterior na nossa existência, ele pede atenção e clareza no examinar da vida. Há que pedir luz. As palavras sábias, que salientam o peso da nossa liberdade e a importância do outro, decidimos recorrer como conclusão e memória perene destas leituras.

Toda a ação tem duas asas: uma, por onde deve ser agarrada, e outra, por que não deve ser agarrada. Se o teu irmão cometer uma injustiça, não encares essa ação pela injustiça que te fez (esta é, de fato, a asa pela qual a ação não deve ser levada) antes pela outra face, ou seja, que ele é teu irmão, que foram gerados no mesmo ventre. Deste modo conduzirás as coisas tal qual deve ser feito. 

20 de novembro de 2012

A vida em deliberada consciência II

João Amaro Correia - Instagram (via P3)

Onde descobrimos o nosso papel? Onde descobrimos o bem? Qual é o lugar da revelação? Se viver é agir em acordo com a Natureza, ousemos dizer que existir fugindo à sintonia não é mais que acumular dias, é uma aparência de vida: a revelação dá-se na relação com o mundo e com o outro. E o ponto de partida para esse lugar é o “eu”. Nascer em corpo e viver em corpo não é suficiente para assimilar o “eu”: há que ousar viver em desassombrada clareza. 

É imprescindível questionarmo-nos: o que nos movimenta? O que nos leva a vencer a inércia? Que dificuldades antecipamos? Aceitamos ser surpreendidos pelo desconhecido? Sem pesar seriamente o alcance das nossas decisões, não estamos verdadeira e exclusivamente disponíveis para a fidelidade que elas nos irão exigir: vogaremos errantes, seres infantilizados, numa existência presa a – e dependente de – estados de ânimo, ilusões e entusiasmos vácuos.

É necessário moderação, combater a sofreguidão de viver empoleirado e de mão estendida, querendo possuir tudo o que estiver ao nosso alcance. Se o alvo da nossa atenção nos contorna ou se evade, há que colocar os meios, mas também há que saber esperar pacientemente. O grande desejo, para ser encontrado, precisa de luz, não se deixa apreender pelo que o outro tem, ou pela forma que o mundo assume: este é o caminho da ilusão. Há que ousar ser “eu” no meu caminho. Fidelidade ao que somos, em verdade, clareza e bondade é o melhor serviço a prestar.

A grande experiência da desilusão não existe destrinçada da opção pela ilusão. Epicteto chama a nossa a atenção para as “cordas” que insistimos em enlaçar em torno de nossos pés : são estas que nos imobilizam, que nos impedem de correr, que nos prendem. Estas cordas são, muitas vezes, os nossos próprios juízos: o mal não tem uma fisionomia, ele “é” o nosso desacerto; ele não está inscrito presencialmente no mundo , é ferida no tecido do mundo. Arrastamo-nos lamentando o destino, amaldiçoando a vida em vez de a voar.

(a continuar)

19 de novembro de 2012

A vida em deliberada consciência I

Lúcia Moniz - Instagram (via P3)


Há, em cada um de nós, o impulso natural para abraçar o interesse e rejeitar o dano, impulso esse que não se deve impor ao bem. O Manual - ou A Arte de Viver - aplica à dimensão vivencial a mundivisão estóica: do encontro da filosofia estóica com o mundo latino brota o caminho pessoal da prática de virtudes como a via filosófica verdadeira.

A maturação da pessoa em contato com o mundo é o grande objetivo do pensar de Epicteto vertido nesta obra, um apelo a que vivamos centrados na busca e na vivência do bem. Fidelidade aos princípios, entrega da regência da nossa vida à filosofia, empenho na aplicação prática dos seus ensinamentos, buscando uma clareza que somente se alcança pela deliberação determinada de viver a vida em atitude de escrutínio e conformidade com a Natureza. 

Epicteto indica-nos o caminho para o bem através da escalpelização dos nossos movimentos interiores na observação das ações e reações de outros. Esta análise deve ser feita em ataraxia e apatia: pesamos mais justamente o impacto dos acontecimentos quando afetivamente não envolvidos . O afeto é uma opção privilegiada por algo ou alguém, inclinação do nosso tabuleiro vivencial, perturbação da equidistância que possibilita perspetivar a efetiva relevância de cada coisa ou pessoa. Valor máximo da vida é a paz de espírito, fruto da sintonia entre a vida e a Natureza.

Assemelhasse-nos indispensável salientar a consciência da perecibilidade e imprevisibilidade da vida, e o subsequente encarar da existência como “fruidores” mais do que como “possuidores”: já que nada de verdadeiramente nosso perdemos, devolvemos tudo . Contudo, diz-nos Epicteto, esta consciência não deve levar-nos ao repúdio da compaixão pelo que sofre: o filósofo preconiza a consolação do sofredor , ainda que aconselhe os leitores a nunca deixar de ter presente que tal ação – o sofrimento – é fruto de um desequilíbrio, que devemos guardar-nos dele, origem da sua miséria.

Mas será que podemos dispensar os sentimentos na ponderação do bem? Será possível extrair, a partir da quieta e assética observação do outro, a ideia de bem? Será mesmo a partir da imperturbabilidade da alma que encontramos a justa medida da relação? E se o outro for o lugar da revelação, justamente pela aproximação, pela misericórdia, pelo “sentir com”?

A filosofia estóica – e Epicteto, em particular – é sobejamente conhecida pelas suas exigências profiláticas e distanciamentos herméticos do turbilhão do sentir, perspetiva fundada na fugacidade da vida e na sua persistente imunidade às nossas querenças, desejos e entusiasmos. Contudo, a partir da mesma constatação, poderá ser sugerido trilhar um outro caminho: sem fugir da vida em consciência, com disponibilidade e abertura perante o imprevisível e o perecível, mas também sem alienação sentimental. É possível abraçar o turbilhão, fazendo-o em horizonte do Absoluto, Absoluto que ultrapassa em muito o grito do momento, a emoção do agora, usufruindo a pessoa ativamente dos vários cambiantes e matizes da capacidade humana. 

(a continuar)

18 de novembro de 2012

Mc 13, 24-32

Em vésperas de eternidade andamos todos, pois "todas estas coisas hão-de acontecer antes de desaparecer a gente deste tempo".

Hino do Átrio dos Gentios

Coração, átrio do mundo
onde cada abraço espera
a surpresa do encontro,
sintonia da viagem,
com a cor da Primavera
no calor das nossas mãos.

Os crentes e os nãos crentes
partilham o caminho,
e encontram de mãos dadas
os sonhos e as sementes,
as dores e as alvoradas,
o amor, o pão e o vinho.

Não há judeu nem grego,
não há escravo nem livre,
nem homem nem mulher.
O amor é a nossa paz.
De dois povos faz um
quando a gente quiser.

Se eu nã tiver amor
sou bronze que ressoa.
Por muito que eu conheça,
por muita fé que eu tenha,
se eu não tiver amor,
até que o amor me doa.

Agora é confuso.
É como num espelho
da nossa imperfeição.
Depois, então, veremos,
em mais perfeito amor,
face a face o nosso irmão.

                                                                (M.H. Vieira)


                                            
                                                             

16 de novembro de 2012

Beato Roque Gonzáles e companheiros mártires


Hoje celebramos a memória dos Beatos Roque González e seus companheiros (Afonso Rodrigues e João del Castillo). O Beato Roque González nasceu no Paraguai, no ano de 1576. Filho de pais espanhóis dedicou-se desde sempre à evangelização dos índios da América Latina. Aos 22 anos, foi ordenado sacerdote diocesano, e já enquanto padre, entrou na Companhia de Jesus em 1609. Foi responsável por um novo estilo de evangelização dos índios guaranis, fundando as célebres Reduções do Paraguai, uma tentativa de conciliar cultura indígena e cultura cristã. Deste modo foi dando instrução aos índios evitando as consequências dolorosas da conquista e da ocupação pelos colonizadores europeus.
A sua morte foi trágica, como podemos imaginar pelo que está retratado no célebre filme dos anos 80, “A Missão” de Roland Joffé.

Deus, nosso Pai, o bem-aventurado Roque González e seus companheiros opuseram-se corajosamente à escravidão e à exploração dos índios pelos conquistadores.
Olhai com bondade para todos os homens que andam como ovelhas sem um pastor que os ame, os procure e os salve.
Será que foram inúteis para nós o vosso sangue e as vossas dores no Calvário?
Intercedei por nós para que os injustiçados sejam libertos, os pecadores se convertam, os fracos se fortaleçam, os aflitos sejam confortados.
Vós bem sabeis como é o mundo em que vivemos, como são numerosos os inimigos que nos atacam e sabeis também o quanto somos fracos.
Olhai com bondade para nós e caminhai connosco.
Amém

14 de novembro de 2012

S. José Pignatelli



José Pignatelli nasceu em Saragoça, Espanha, em 1737, numa família nobre. Em 1753, com 16 anos, entra na Companhia de Jesus, e foi ordenado sacerdote em 1762. Entregou-se ao apostolado entre os mais pobres.
Estando a Companhia quase extinta, trabalhou muito para a sua restauração. Foi mestre de noviços, provincial de Itália e ainda foi expulso de Nápoles por José Bonaparte, tendo que fugir para Roma. Depois de 40 anos de exílio e com a saúde já muito debilitada, José Pignatelli acabou por morrer, em 1811, sem ver a restauração da Companhia em todo o mundo, que aconteceu em 1814 decretada pelo papa Pio VII.



 Dos escritos de S. José Pignatelli
 “É verdade que na nossa prisão e na nossa tao longa viagem nunca faltaram sofrimentos muito duros para a natureza. Mas a bondade de Deus tem sabido suaviza-los sempre de modo que em todos se vê a mais perfeita tranquilidade e uma verdadeira alegria, que se lê, por assim dizer, no rosto dos nosso Padres e Irmãos; todos mostram sentimentos dignos de verdadeiros filhos de Santo Inácio, a quem nada causa desgosto quando se trata de seguir a vontade de Deus.

13 de novembro de 2012

Santo Estanislau Kostka


Estanislau nasceu em 1550, de família nobre, em Rostków (Polónia).  Em 1564 foi para Viena (Áustria) cursar estudos clássicos. Tendo sido convidado por Nossa Senhora para entrar na Companhia de Jesus, fugiu de Viena, a fim de evitar melhor a oposição do pai: dirigiu-se a pé, primeiro para a Alemanha e depois para Roma, onde foi admitido no Noviciado por São Francisco de Borja. Aí morreu a 15 de Agosto de 1568, com fama de grande santidade. Foi canonizado por Bento XIII em 1726.

Uma das glórias da Companhia de Jesus, Santo Estanislau Kostka, é um dos santos não-mártires mais jovens da Igreja, pois faleceu aos 18 anos incompletos, tendo entretanto vivido, para a virtude, como um ancião.


Santo Estanislau é o padroeiro do tempo de Noviciado na Companhia de Jesus. Deixamos-vos por isso com uma apresentação do da Província Portuguesa.

11 de novembro de 2012

Domingo XXXII do Tempo Comum | A inventiva força do amor


Evangelho segundo S. Marcos 12, 38-44 
(...)

Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões.
Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»


Cristo, ao chamar a atenção para a viúva que dá a partir da sua pobreza, mostra-nos qual é o caminho para a felicidade: dar o que me faz falta. Esta viúva é testemunho da inventiva força do amor: o poço sem água que consegue alimentar toda uma aldeia.

8 de novembro de 2012

Leva-me a Ti

Foste o gozo do meu pranto,
no grito do silêncio da minha oração estavas.
Com o fogo do meu coração jogavas
e fazias brotar em mim uma canção.

Senhor, sai do meu esquecimento,
caminharei para Ti.
Quiseste finalmente convidar-me a dar
a vida que há em mim.

Do meu fato cinzento foste a cor,
quando vestias a minha palavra carente de teu Ser.
Juntavas a distância entre a tua luz e o meu caminho,
para eu o percorrer sem temor.

Senhor, faz com que o meu destino
seja estar perto de ti.

Quiseste finalmente convidar-me a dar
a vida que em mim .

Abre os meus lábios e fala por mim.
Toma as minhas mãos e fá-las descobrir.
Guia os meus passos, e leva-me a Ti.
                                    Leva-me a Ti.

                                           .Miguel.


                              "Llévame a Tí", in "Silencios Guiados" - 2008, Valladolid.




5 de novembro de 2012

Todos os Santos da Companhia de Jesus


Quando um homem se afasta dos caminhos trilhados, ataca os males estabelecidos, fala da revolução, crêem que ele é louco. Como se o testemunho do Evangelho não fosse loucura, como se o cristão não fosse capaz de um grande esforço construtor, como se não fôssemos fortes na nossa fraqueza. Faltam-nos muitos loucos  desses, fortes, constantes, animados por uma fé invencível.

Um apostolado organizado requer em primeiro lugar um homem entregue a Deus, uma alma apostólica, completamente tomada pelo desejo de comunicar Deus, de fazer conhecer Cristo; almas capazes de abnegação, de esquecimento de si mesmas, com espírito de conquista.A organização racional do apostolado exige, precisamente, que o supra-racional esteja em primeiro lugar. Que seja um santo! Em definitivo, não vai apoiar-se nos meios de sua ação humana, mas em Deus. O resto virá depois: que trabalhe não como guerrilheiro, mas como membro do Corpo Místico, em união com todos os outros, aproveitando-se de todos os meios para que Cristo possa crescer nos outros, mas que primeiro a chama esteja muito viva nele.

(...)

O homem tem dentro de si sua luz e sua força. Não é o eco de um livro, a cópia de um outro, o escravo de um grupo. Julga as coisas mesmas; quer espontaneamente, não à força; submete-se sem esforço ao real, ao objeto, e ninguém é mais livre do que ele. Se se caminha mais devagar que os acontecimentos; se se vêem as coisas mais pequeninas do que são; se se prescindem dos meios indispensáveis, fracassa-se. E não pode ser-nos indiferente fracassar, porque meu fracasso o é para a Igreja e para a humanidade. Deus não me fez para que busque o fracasso. Quando esgotei todos os meios, então tenho direito a consolar-me e a apelar à resignação. Muitos trabalham para ocupar-se; poucos para construir; satisfazem-se porque fizeram um esforço. Isso não basta. É preciso amar eficazmente.

Santo Alberto Hurtado
nov. 1947

3 de novembro de 2012

Conversa sobre a Fé

http://www.youtube.com/watch?v=eVswhlJMykU&feature=youtu.be

Beato Roberto Mayer, presbítero (1876-1945)

Roberto Mayer nasceu em Stuttgart a 23 de Janeiro de 1876. Foi ordenado sacerdote em 1899 e entrou na Companhia de Jesus em 1900. Em 1912, foi nomeado capelão dos imigrantes em Munique. Durante a 1ª Guerra Mundial, cumpriu de modo heróico as suas obrigações como capelão militar. No dia 30 de Dezembro de 1916, foi gravemente ferido na frente romena e teve que sofrer a amputação da perna esquerda.
O beato Roberto Mayer foi um dos primeiros a dar-se conta da verdadeira índole do movimento hitleriano nascente. Prosseguiu a sua luta contra o nazismo também depois da chegada de Hitler ao poder, em 1933, e foi preso, por isso várias vezes. Em 1939, foi enviado para o campo de concentração de Sachsenhausen. Aí as suas raízes físicas caíram de modo tão preocupante que os nazistas, receando que morresse como mártir, o encerraram, a 5 de Agosto de 1940, na Abadia de Ettal, onde permaneceu completamente isolado até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Retomou então as suas actividades sacerdotais na capital bávara, mas, no dia 1 de Novembro de 1945, veio a morrer vítima de um ataque apoplético.
Segundo a homilía do Cardeal Júlio Döpfner (1976), Roberto Mayer estando a pregar, depois da leitura do Evangelho sobre a bem-aventurança dos pobres, quando a certa altura, interrompeu três vezes a pregação, dizendo :"É o Senhor, o Senhor, o Senhor!", morre, no dia de Todos os Santos de 1945. Morreu, anunciando Aquele em torno de quem tinha girado toda a sua vida :"Senhor, como quiseres, quando quiseres, o que quiseres e enquanto Tu o quiseres...assim se faça"; esta era a sua oração favorita.
Da carta do Superior Geral dos Jesuítas de 1987, anunciando a beatificação de Roberto Mayer: "... foi sobretudo no tempo intermédio entre as duas guerras mundiais que esta testemunha crítica e valorosa da fé apresentou uma figura profética, que sempre constituiu um repto. Foi este o juízo que dele formaram os seus irmãos jesuítas. A sua actuação ensina-nos, o esforço constante para acomodar o nosso apostolado às circunstâncias do momento e a empreender novas iniciativas, de acordo com as exigências duma época em mudança. O seu "conhecimento interno" do Senhor tornou-o capaz de chegar a ser aquilo que foi em favor dos outros".
Foi beatificado em Munique por João Paulo II em 1987.

1 de novembro de 2012

"Todos os Santos"



           “Todos os santos” são protagonistas neste feriado.

          Mas, para quê este dia? “Todos os santos” são muitos. Contudo, trezentos e sessenta e quatro dias não bastam para tanta homenagem. Cada santo suscita na nossa memória um merecido agradecimento, e um só dia ergue-se corajoso para honrar a existência dos irmãos que nos precederam. Novembro inaugura-se com esta festa. Um dia inteiro em que cabem todos os santos. A lista é comprida.

          Mas, quem são esses santos? Estão os que nunca existiram e também os que andam na boca de todos. Uns “aliviam a dor de fígado” e outros “ajudam a encontrar os objectos perdidos”. Muitos deles religiosos -padres ou freiras, fundadores ou desapercebidos, mártires e serviciais-, mas cada vez mais leigos também. Alguns são mediáticos, outros praticamente desconhecidos. Santos estrangeiros e santos portugueses. Figuras todas elas exemplares, ainda que por vezes também enigmáticas. Mas santos, santos “oficiais”. A lista é concreta

          Mas, será que não se esgota esta santidade? A vocação do cristão é para a santidade, e esta santidade permanece incompleta enquanto se desenvolve a vocação. Porém, há pessoas que transparecem santidade. Conheço homens e mulheres bons. Nunca foram canonizados (em parte, porque ainda não morreram). Mas é que pode ser que nunca o sejam, apenas porque os altares e os relicários ignoram milhares. Digamos que, simplesmente, respeitam o anonimato de milhões de fiéis que foram, e participaram, na história da santidade. Deus sabe-os santos, e isso já é bastante. Há “santos de canonização adequada”, e há “outros de bondade evangélica”. Dos primeiros se pressupõe a segunda característica, dos segundos não se exige a primeira condição. A lista é aberta.

          Quem me dera que estes parágrafos pudessem ser merecida homenagem para os santos que, sendo-o na História, mal conhecemos hoje; assim como homenagem para os que, conhecendo-os bem na atualidade, mal os reconhecemos sem mais! 

          Dia de santos, dia de todos.