14 de janeiro de 2013

Os cientistas e Deus



 Deixo a seguir um breve texto que publiquei no facebook dirigido a Ludwig Krippahl:

Ludwig, quando afirmas que 'a ciência' fez isto ou aquilo, nem sempre é claro para mim a que te referes. O que existe são cientistas empenhados em actividades científicas e que nem sempre afirmam exactamente a mesma coisa. Podemos citar cientistas que consideram que 'a ciência' provou que Deus não existe; outros para os quais a ciência não tem que se pronunciar sobre o assunto; e outros para os quais a ciência não explica tudo, o que não significa necessariamente que isso queira dizer que é necessário um deus criador. O que me parece é que os não crentes estão sempre a escolher as posições que mais lhe convêm ignorando as demais, e a atacar as posições mais débeis entre as dos crentes, como o criacionismo. Eu não tenho essa metodologia, sei que há muitas e diferentes, para não dizer divergentes, opiniões sobre praticamente tudo, não procuro eliminar ou esquecer essa diversidade, faço as minhas opções certo de que nenhuma opção humana, por muito científica ou filosófica que seja, tem um fundamento absolutamente inabalável do ponto de vista do conhecimento humano. Já agora deixo-te aqui uma afirmação interessante de um cientista britânico: “Scientists’ incursions into theology or philosophy can be embarrassingly naïve or dogmatic. The implications of cosmology for these realms of thought may be profound, but diffidence prevents me from venturing into them. I concur, rather, with another colleague, the cosmologist Joseph Silk: ‘Humility in the face of the persistent great unknown is the true philosophy that modern physics has to offer.” Martin Rees, Before the Beginning, Basic Books, 1996, p. 6.

11 comentários:

Cisfranco disse...

E está muito bem o seu comentário dirigido a quem o dirigiu.
Ludwig Krippahl que fala em nome da ciência, tem sempre uma posição dogmática sobre o que afirma. E há tantas maneiras de dar a volta a argumentos que parecem indestrutíveis. Ás vezes são jogos de palavras. Deus não se demonstra por argumentos, porque haverá sempre mais um que destrói o anterior. Os ateistas exploram os pontos fracos. A ciência não explica tudo e, Deus, se existe, está numa outra ordem da realidade que a ciência não atinge. Isso é que os ateistas se recusam a admitir enclausurados como estão,fechados e sem janelas, no pensamento cientista, e não conseguem ver mais nada. No fundo ou se acredita ou não se acredita. Não vejo nenhum drama nisso e será sempre assim.Eu acredito. Digo mais, prefiro um ateu que diz por que não acredita a um crente que não sabe por que o é. Mas há que respeitar os dois e, o que é necessário é respeito mútuo, o que às vezes não acontece.

Vasco Gama disse...

Caro Cisfranco,

Eu não creio que tenha razão quando diz "Os ateístas exploram os pontos fracos". Posso dizer isto assim, com algum desassombro (que se pode confundir com alguma arrogância), porque eu mesmo, durante um período largo da minha vida, fui agnóstico (o que não é assim tão diferente). A vida, ou a graça de Deus, levou-me a recuperar a minha fé de criança, o que não vem para o caso. A questão é que estou convencido que consigo perceber razoavelmente os que se dizem ateus ou agnósticos, como era o meu caso. Em grande parte, essa atitude vem muito mais do desconhecimento (ou seja o que se pode chamar de ignorância) do que de outra coisa qualquer, embora curiosamente, a própria pessoa se consiga convencer do contrário.

Há toda uma série de mitos, nos quais um jovem (e mesmo os adultos) aceitam sem quaisquer reservas e que naturalmente os leva a afastarem-se da igreja.

Um tem a ver com a ideia de que um religioso deve andar perto da perfeição aos olhos imaturos de um jovem um padre devia ser exemplar em todas as coisas da vida, o que não é razoável, mas para um jovem adolescente e idealista a afirmar os seus valores o mundo é um bocado a preto e branco (o mesmo se passa com a igreja, como instituição). Outras inquietações podem passar pela resposta a alguns ideais (justiça, liberdade, cultura...) que muitas vezes parecem ser mais bem defendidos fora da igreja (e quantas vezes contra a igreja).

Relativamente à ciência, passa-se outra coisa, que tem a ver com o rápido desenvolvimento da mesma, que tem conduzido a progressos notáveis, nomeadamente no que diz respeito à astronomia e às ciências da vida. Onde esses progressos faz com que exista uma muito melhor compreensão da origem do universo da evolução das espécies. E ainda mais do que a própria ciência as mudanças a nível tecnológico fazem mudar a vida das pessoas de um modo espectacular (e os feitos da humanidade têm sido notáveis). Estes períodos de grande evolução científica, associados ao aumento do bem estar das pessoas, levaram a algum afastamento das pessoas da igreja. E de facto, este progresso leva a que a vida hoje seja mais segura e menos contingente e algumas das inquietações do passado que aproximavam as pessoas da igreja de facto desapareceram (mas essas inquietações nada têm que ver com ciência, digamos que a vida hoje é menos contingente).

Não existindo qualquer incompatibilidade entre religião e ciência, por muito que alguns ateístas gostem de afirmar. O que existe é uma enorme quantidade de mitos (anti-igreja e anti-religião) impregnada nesta sociedade, que se tornaram lugares comuns, que muitas vezes são também repetidas pelos crentes, e isso é que é triste.

Talvez o grande desafio da igreja de hoje passe mais pelo aprofundamento da fé, ou seja por um melhor conhecimento da fé e da igreja, do que pela preocupação de encher igrejas. A este respeito, também tenho de reconhecer, com alguma tristeza, que muitas vezes ateus como o Ludwig, têm, em alguns aspectos, um melhor conhecimento sobre a religião do que muitos crentes. Neste aspecto a igreja deve estar agradecida com com a existência, clarividência e a combatividade destes ateus (que normalmente são pessoas com inquietações razoáveis, sinceras e honestas), que assim questionam a fé dos crentes e constituem um desafio para a racionalidade da sua (nossa) fé.

Cisfranco disse...

Caro Vasco

Concordo com quase tudo (não é necessário concordar com tudo). Não concordo é que os ateistas não explorem os pontos fracos, que os há e muitos. Exploram e ridicularizam. E para eles os crentes são todos parvos e nada sabem. Claro que também não generalizo, mas em muitos casos é o que aconece.
Concordo consigo que os mitos são muitos envolvendo o núcleo central do cristianismo e as pessoas não sabem distinguir uma coisa da outra, não distinguem o essencial do acessório. Eu até costumo dizer que é como a cebola, salvo seja, que tem uma série de camadas e só lá bem no fundo, por dentro, é que está o vedadeiro rebento...
Também não sei como recuperou a sua fé de criança!... Quanto a mim entendo que isso não é mais possível porque entretento a pessoa já não é mais a mesma, já evoluí. Atenção!

Vasco Gama disse...

O que o ateístas se aproveitam é sobretudo de algum desconhecimento (bem como da existência de alguns mitos que eles próprios propagam sobre religião e ciência). Mas é nesse sentido que a fé também deve ser racional e os crentes, mesmo que não entendam muito de ciência devem saber da sua fé (e algo do que a ciência pode ou não dizer).

Vasco Gama disse...

Caro Cisfranco,

Gostava de acrescentar alguma coisa relativamente ao que diz:
"Não concordo é que os ateistas não explorem os pontos fracos, que os há e muitos. Exploram e ridicularizam."
Eu não estou a contradize-lo, mas o que acontece é que muitos ateus incorrem em falácias (partem de permissas falsas, que para eles são verdades indicutíveis) e, o que acontece é que a partir dessas falsidades constroiem um reciocínio coerente (e esse racicíonio sendo lógico conduz a conclusões que confirmam a sua perspectiva da realidade).

Uma das coisas que repetem até à exautão é a contradição entre ciência e religião (que não existe), a ciência não consegue negar a existência de Deus (Deus não pode ser observado pela ciência, pelo que esta não pode tirar conclusões de algo que não observa).

Ou questionam a razoabilidade dos milagres, aqui passa-se algo semelhante, um facto só é considerado milagre (ou milagroso) porque não se consegue encontrar uma explicação com base no conhecimento da natureza (ou da ciência que é o que descreve a natureza) e por isso esse facto é considerado milagroso (convenhamos que se fosse uma coisa normal não seria considerado milagre).

Também é comum os ateus terem a presunção que são muito mais esclarecidos que os crentes e muitas vezes procurarem ridicularizar esses crentes por causa da sua crença (mas a presunção e arrogância dos ateus é um problema deles e não lhes dá nenhum crédito, a asneira é livre). Aqui, muito do problema é a repetição dessas falsidades e mitos, em que às tantas alguns crentes ficam a pensar que há ali algum fundamento de verdade.

Por exemplo vem-me à memória o caso do Galileu, em que a certa altura se propagou o mito que teria sido morto na fogueira pela inquisição. Nada disso, Galileu morreu como crente, foi alvo de um processo e foi condenado a prisão domiciliária e foi nessa circunstância que morreu (em casa, no seio da sua família). Esta é uma história típica dessa mitologia. Hoje diz-se qualquer coisa contra a religião, contra os crentes e os religiosos e, ninguém se ocupa a ver se o que se diz tem alguma razoabilidade.

alfredo dinis disse...

Caros Cisfranco e Vasco,

Há certamente ateus que entendem o essencial da religião em geral e do cristianismo em particular, mas há também outros, não sei se em maioria, que não passam de repetidamente criticarem o criacionismo, o intelligent design, determinadas passagens bíblicas, sobretudo do Antigo Testamento, o facto de que as orações dos crentes nem sempre produzem resultado, etc.

Muitos não passam daqui.

Cisfranco disse...

Vasco
Agora sim, subscrevo tudo o que diz e realço o que refere quando diz que eles partem de premissas falsas que julgam que o não são, logo, a conclusão terá que ser errada, construam pelo meio os raciocínios lógicos que construirem. Não adianta, a conclusão é falsa, mas não parece.

Vasco Gama disse...

aproveito para deixar um link que vem a propósito do mito (muito propagado) de que a igreja se opõe à ciência, é um artigo sobre um livro que aborda este tema (The Church Opposes Science: The Myth of Catholic Irrationality, de Christopher Kaczor):

http://www.catholiceducation.org/articles/facts/fm0162.htm



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