4 de fevereiro de 2013

4 de Fevereiro S. João de Brito, presbítero



Era natural de Lisboa, onde nasceu a 1 de Maio de 1647, filho de Salvador Pereira de Brito e D. Brites Pereira. Muito menino ainda, perdeu o pai, que alguns anos depois da restauração de 1640 fora mandado por D. João IV governar o Brasil, onde faleceu.

D. Brites Pereira consagrou-se totalmente aos três filhos que o marido lhe deixara. João, o mais novo, foi educado na corte, entre os pajens do Infante D. Pedro. Já desde essa tenra idade começou a cultivar desejos de vida mais perfeita, abrigando aspirações de completo sacrifício e imolação a Deus.

Mas nem todos os companheiros lhe sabiam apreciar devidamente a virtude e talentos; e com palavras ofensivas fizeram-lhe pagar às vezes os pequeninos triunfos conquistados. Desde então, começou a corte a dar-lhe o cognome de mártir.

Assaltou-o nessa ocasião uma gravíssima doença, onde por devoção, sua mãe faz a promessa a S. Francisco Xavier que, se o filho se curasse da doença, o traria vestido um ano inteiro com a roupa da Companhia. Trajando a humilde batina negra, João acompanhava o infante D. Pedro.

Ao expirar o prazo da promessa, com grande mágoa sua, João teve de largar a batina da Companhia, conservando, porém, o desejo de a poder um dia revestir para não mais a largar.

Aos 17 de Dezembro de 1662 transpunha finalmente João de Brito os umbrais da casa do noviciado de Lisboa. Distinguiu-se muito pela piedade e observância religiosa.

Em Março de 1673, João de Brito, ordenado sacerdote pouco tempo antes, podia enfim sair a barra de Lisboa, em companhia de uma expedição de 17 missionários. Durante seis meses de travessia, foi apóstolo de tripulação.

Em Goa terminou os estudos de teologia, e os Superiores pensaram encarregá-lo de reger uma cadeira de filosofia.

Destinaram-no os superiores para a missão do Maduré, uma das mais trabalhosas. Oferecia especiais dificuldades a evangelização, tanto por causa do clima ardente, das viagens através de areais, de pântanos, de bosques e de serras aspérrimas, como principalmente pela condição dos hindus e pelas suas ideias a respeito dos europeus. Tinham-nos na conta de párias por verem que tratavam com estes “fora de castas”, aos quais “os de castas” não consentem morar nas suas povoações nem deles se servem para qualquer mister. Neste afastamento os envolvem não só a eles, mas a todos os que com eles tratam.

Os frutos recolhidos não podiam deixar de suscitar perseguições, especialmente dos brâmanes.

Depois de chegar à Índia, encontrava-se de novo a evangelizar entre os povos do Maravá; houve dias em que passou de 3.000 o número de regenerados em Cristo pelo baptismo. Entre os convertidos contava-se um príncipe chamado Tariadevém. Foi esta conversão a causa última da morte de S. João de Brito.

Foi a sentença executada a 4 de Fevereiro de 1693, perto de Urgur, sobre um outeiro. Na véspera, dirigindo-se ao Superior da Missão, assim interpretava o martírio que iria sofrer: “Quando a culpa é virtude, o padecer é glória”.

Pio IX inscreveu João de Brito no catálogo dos Bem-aventurados a 17 de Fevereiro de 1852, e Pio XII canonizou-o a 22 de Junho de 1947.


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