5 de fevereiro de 2013

"Tumor causado pelo excesso de abundância e de paz" - Hamlet

por Nuno Gonçalves via P3
 
 HORÁCIO - É um grão de areia suficiente para enevoar os olhos da alma! Na época mais gloriosa e florescente de Roma, pouco antes de sucumbir o poderosíssimo Júlio César, as sepulturas ficaram vazias,  e os mortos, envoltos nas mortalhas, vagueavam pelas ruas de Roma, dando gritos e dizendo palavras confusas. Viram-se tantas coisas prodigiosas no céu, como estrelas cadentes, de caudas a arder, chuvas de sangue e perturbações no Sol; e o astro húmido, a cuja influência está sujeito o império de Neptuno, sofreu um eclipse, como se tivesse chegado o dia do Juízo Final. E estes prenúncios de acontecimentos terríveis, à laia de mensageiros que precedem sempre os fados, e prólogo de calamidades iminentes, são os mesmos que, tanto no céu como na terra, se têm revelado no nosso clima e aos nossos compatriotas. (Torna a entrar o Espectro.) (...)

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