31 de março de 2013

A Ressurreição de Cristo



Cristo, ao contrário do jovem de Naim ou de Lázaro, não voltou, depois da ressurreição, à vida terrena que levava antes. Ele ressuscitou para a vida definitiva que já não está sujeita às leis da química e de biologia e que, por isso mesmo, se coloca fora do alcance da morte, numa eternidade dada pelo amor.Por isso os encontros com Ele são descritos como ‘aparições’. Aquele que ainda dois dias antes estivera sentado  com eles à mesa já não é reconhecido pelos seus amigos ou continua  a ser um estranho mesmo depois de reconhecido. E só é visto quando é Ele que dá a visão; só quando Ele faz com que se abram os olhos e o coração é que se torna reconhecível no nosso mundo da morte o rosto do amor eterno que a vence, e nesse amor manifesta-se um mundo novo, diferente: o mundo que está para vir.

Por isso é tão difícil ou quase impossível para os Evangelhos descrever os encontros com o Ressuscitado. Por isso conseguem apenas gaguejar quando falam dos acontecimentos e parecem até contradizer-se quando os descrevem. Na realidade, eles exprimem com uma uniformidade surpreendente a dialéctica das suas afirmações, que oscilam entre o tocar e o não-tocar, entre o reconhecer e o não-reconhecer, entre a identidade total do Ressuscitado com o Crucificado e a sua transformação total. Eles reconhecem o Senhor e, ao mesmo tempo, não O reconhecem; tocam-nO, mas Ele continua a ser o intocável; Ele continua a ser o mesmo e, mesmo assim, é totalmente diferente.”
(Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristiansimo, Principia, pp. 223-224)

1 comentário:

Wagner Gomes disse...

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