3 de abril de 2013

A Igreja Católica segundo o Papa Francisco I



A defesa de uma Igreja Católica que saia de “si própria” para ir até às periferias, não apenas geográficas mas também existenciais, foi uma ideia central da intervenção do cardeal argentino Jorge Maria Bergoglio nas congregações gerais, as reuniões preparatórias do conclave, que terá sido determinante para a escolha como Papa. Publica-se a seguir a breve intervenção do então apenas cardeal sobre a sua visão da Igreja Católica e do novo Papa que acabou por ser ele mesmo.

1.Evangelizar supõe zelo apostólico. Evangelizar supõe para a Igreja a audácia de sair de si própria. A Igreja é chamada a sair de si própria para ir até às periferias, não apenas geográficas, mas também das periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da abstenção religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria.

2.Quando a Igreja não sai de si própria para evangelizar, torna-se auto-referencial e fica doente (cfr. A mulher curvada sobre si própria do Evangelho). Os males que, ao longo do tempo, se dão nas instituições eclesiásticas têm raiz de auto-referencialidade, uma espécie de narcisismo teológico.
No Apocalipse, Jesus diz que está à porta e chama. Evidentemente, o texto refere-se ao que chama desde fora para entrar. Mas penso nas vezes em que Jesus bate desde o interior para que o deixemos sair. A Igreja auto-referencial pretende Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair.

3. A Igreja, quando é auto-referencial, sem se dar conta, crê que tem luz própria. Ela deixa de ser o mysterium lunae, e da lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual (segundo Lubac [Henri de Lubac, cardeal jesuíta francês], o pior mal que pode acontecer à Igreja). É viver para glorificar uns aos outros.

Simplificando, há duas imagens da Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si própria, a Dei verbum religiose audiens et fidenter proclamans; ou a Igreja mundana que vive em si própria, de si própria e para si própria.
Isto deve dar luz aos possíveis caminhos e reformas que já que fazer para a salvação das almas.

4. Pensado no próximo Papa: um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo e da adoração de Jesus Cristo ajude a Igreja a sair de si própria para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mão fecunda que vive “da doce e reconfortante alegria da evangelização”.

2 comentários:

Cisfranco disse...

O melhor que podia ter acontecido à Igreja, numa hora de descrédito e escândalos, foi a eleição do Papa Franisco. Julgo que o seu programa de acção, sem ainda o ter apresentado expressamente, já se pode esperar qual vai ser. Tudo nele é cativante e os seus gestos, começando pelo nome escolhido, dizem mais que muitas palavras.
Que Deus esteja com ele!

Emmanuel disse...

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