16 de abril de 2013

.Catolicidade não cristã.


O conceito de universalidade exprime-se em termos cristãos com o substantivo “catolicidade”. Contudo, a experiência da catolicidade alarga-se cada vez mais para o campo do não-cristão. Afirmar que a catolicidade está a ganhar um sabor marcadamente não-cristão não é hoje em dia um contra-senso  Este aparente paradoxo recorda apenas que as sensibilidades religiosas actuais apercebem-se facilmente da noção dum mundo que reza. Unem-se os crentes (possivelmente mais do que se reúnem) à sombra duma mesma vontade de oração, embora o destinatário de tal pregaria corresponda a uma tradição ou imaginário diferente. O desejo de transcendência transborda os continentes em favor duma espiritualidade multicolor que, longe de trair o segredo que cada religião encerra, enriquece a devoção humana face ao Intimamente Inatingível. Este sentimento de comunhão inter-religiosa facilita a confraternização entre os povos e entre as suas crenças, pessoais e colectivas.
Elementos comuns nas diferentes manifestações devocionais e comportamentais sussurram uma identidade semelhante: o homem à procura e ao encontro do divino. Estou a pensar na surpresa perante as descobertas de si do ser humano enquanto crente, no convite ao descentramento do individual rumo ao encontro do alheio, e na tendência à reverência sempre que contrastados com uma realidade invisivelmente superior. Ocorre-me também o respeito sincero pela dignidade daquele que precisa de mim para ser outro tu, assim como o cuidado pela estabilidade do conjunto que conforma o contexto comum, ou o valor da abnegação como remédio contra aquele eu que se revolta sempre que se sente abafado. O crente sabe-se profundamente humano sempre que atende as fragilidades dos mais próximos com atenção desinteressada, sempre que consegue crescimento interior através da qualidade das relações, sempre que consegue sucessos de dignificação em favor de todos aqueles a quem lhes era negada…
As motivações essenciais pelas quais um crente pode vir a ser identificado como tal realmente diferem pouco. Os crentes assemelham-se no que lhes faz ser crentes, muito para além da forma de crer. Nenhuma sociedade desprovida da sensibilidade crente poderá conhecer futuro agradável algum. Sem crença religiosa não haverá futuro. As comunidades crentes não podem prescindir da sua participação comprometida na sociedade. Os que antes eram defensores “da fé”, de qualquer uma, são agora defensores “das fés”. Não lhe interessa à humanidade -à universalidade do ser humano na Terra- perder o contributo de sensibilidade dos seus fiéis. Esta catolicidade não cristã garante frutos de humanização em todo aquele que a souber acolher e fomentar. Deus, o nosso e o deles, qualquer deus, deus divino, simplesmente celebra-a. 

1 comentário:

Anónimo disse...

It's hard to come by knowledgeable people about this subject, however, you seem like you know what you're talking about!

Thanks

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