22 de abril de 2013

Escolha pessoal = autarcia ética?


Brittney Panda, via P3

É verdade que, se a ética se enraíza na escolha pessoal dos atos, não pode ser imposta aos outros sob pena de os colocar num regime de heteronomia. Eticamente só posso obrigar-me a mim próprio e não aos outros. Aí reside precisamente a diferença entre a ética e o direito, instaurado pela decisão política. Mas a inviolabilidade da liberdade ética é muitas vezes, e espontaneamente, confundida com um regime de autarcia ética, regime segundo o qual a liberdade não precisaria de respeitar nada senão o seu próprio poder de decisão livre. A razão ética só presta contas a si própria, mas isso não significa que dá contas apenas de si; ela, com efeito, não pode senão prestar contas do conteúdo das suas escolhas. Ora, é este conteúdo que lhe dá a sua densidade ética, a sua consistência existencial e é nele que se perfilam os valores.

Michel Renaud

2 comentários:

Anónimo disse...

a ética tem utilidade sem a ligação aos outros?
A ética tem utilidade sem a relacionamento?
Parece que se perdeu por completo o objectivo da ética, perdido nestes pensamentos. A ética tem ser encontrada, por acordo, de um grupo de pessoas que se relacionam entre si, No plano moral e não no plano legal. A ética tem de ter em consideração a cultura desse povo... principalmente se esse povo tem capacidade de memória, Concorda? A ética só para uma pessoa tem sentido? Não será o auto-controlo?

nelson sj disse...

Muito obrigado pelo seu comentário.

De facto, não me parece que faça sentido uma ética de um. O que Michel Renaud chama a atenção é que a ética de cada um só é vinculativa para ele, mas que tal não se pode confundir com o simples "poder de decisão livre".