26 de maio de 2013

Domingo da Santíssima Trindade | Invocação à Trindade, por P. Arrupe

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 Oh Trindade Santíssima! Mistério fontal, origem de todas as coisas. Quem te viu para que possa descrever-Te? Quem poderá engrandecer-Te tal como és? Sinto-Te tão sublime, tão longe de mim, mistério tão profundo! que me faz exclamar do fundo do meu coração, Santo, Santo, Santo. Quanto mais sinto a Tua grandeza inacessível, mais sinto a minha pequenez e o meu nada, mas ao aprofundar cada vez mais o abismo deste nada, encontro-Te no fundo mesmo do meu ser: intimior intimo meo, amando-me, criando-me para que não me reduza ao nada, trabalhando por mim, para mim, comigo numa comunhão misteriosa de amor. Posto diante de Ti, atrevo-me a elevar a minha súplica, a pedir a Tua sabedoria, apesar de saber que o cume do conhecimento de Ti por parte do homem é saber que não sabe nada de Ti. Mas também sei que essa obscuridade está repleta da luz do mistério, que ignoro. Dá-me essa «Sabedoria misteriosa, escondida, que, antes dos séculos, foi destinada por Deus para nossa glória».

Como filho de Inácio e tendo de cumprir com a mesma vocação, para a qual Tu me escolheste, peço-Te algo daquela luz «insólita», «extraordinára», «exímia» da intimidade Trinitária, para poder compreender o carisma de Inácio, para o poder aceitar e viver como se deve neste momento histórico da tua Companhia.

Dá-me, Senhor, que eu comece a ver com outros olhos todas as coisas, a discernir e a provar os espíritos que me permitam ler os sinais dos tempos, a saborear as Tuas coisas e a saber comunicá-las aos outros. Dá-me aquela claridade de entendimento que deste a Inácio.

Desejo, Senhor, que comeces a fazer comigo de Mestre como com um menino, pois estou disposto a seguir ainda que seja a um cachorrinho, para que me indique o caminho.

Que a Tua iluminação seja para mim, como foi a sarça ardente para Moisés ou a luz de Damasco para Paulo, ou o Cardoner e La Storta para Inácio. Ou seja, o chamamento para calcorrear um caminho que será obscuro, mas que se irá abrindo diante de nós, como sucedeu a Inácio, conforme o ia percorrendo.

Concede-me essa luz trinitária, que levou Inácio a compreender tao profundamente os Teus mistérios que chegou a poder escrever: «Não havia mais que saber nesta matéria da Santíssima Trindade». Por isso, quero sentir como ele que tudo termina em Ti.
Peço-Te também que me ensines a compreender agora o que significa para mim e para a Companhia aquilo que manifestaste a Inácio. Permite que vamos descobrindo os tesouros do Teu mistério, que nos ajudará a avançar sem errar pelo caminho da Companhia, dessa via nostra ad Te. Convence-nos de que a fonte da nossa vocaçao está em Ti e que conseguiremos muito mais tratando de penetrar os Teus mistérios na contemplação e de viver a vida divina «abundatius», que procurando apenas os meios e actividades humanas. Sabemos que a nossa oração nos conduz à ação e que «na Companhia, ninguém é ajudado por Ti só para si».

Como Inácio , dobro os meus joelhos para Te dar graças  por esta vocação trinitária tão sublime da Companhia, como também S. Paulo dobrava os joelhos diante do Pai, suplicando-Te que concedas a toda a Companhia que arreigada e fundada no amor possa compreender com todos os Santos qual seja a largura, o cumprimento, a altura e a profundidade... e me vá enchendo até à total plenitude de Ti, Trindade Santíssima. Dá-me o teu Espírito, o Qual tudo penetra, até as profundezas de Deus.

Para conseguir esta plenitude, sigo o conselho de Nadal: Ponho a preferência da minha oração na contemplação da Trindade, no amor e união de caridade que abrange também os próximos pelos ministérios da nossa vocação.

Termino com a oração de Inácio: Pai Eterno, confirma-me; Filho Eterno confirma-me; Espírito Santo, confirma-me; Santa Trindade, confirma-me; um só Deus meu, confirma-me.

Pedro Arrupe

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