1 de maio de 2013

.Que não nos tirem a felicidade!.


A Felicidade. Ocorre-me descreve-la como essa misteriosa presente que espera a todos e que a poucos cumprimenta. Não existe homem ou mulher que a não procure. É verdade que o fazem com mais ou menos insistência. É verdade que pode tratar-se duma procura mais ou menos admitida pelo sujeito. Contudo, custa imaginar um único individuo que não viva para a felicidade, que não deseje a felicidade… Queremos ser felizes, necessitamo-lo até. Porém, nem todos o conseguem. Uma percentagem muito escassa poderá dizer que viveu num nível suficiente e constante de felicidade. Eis a frustração dos que vêm aproximarem-se o fim dos seus dias. O anoitecer da vida traz consigo o sabor amargo dos anos menos felizes. A dureza de certas velhices recordam que a infelicidade foi companheira da viagem durante as décadas passadas. No fim do sonho, acordamos sobressaltados dum pesadelo que pode conter mais escuridão que luz. És feliz? Já foste (alguma vez) feliz? Por onde atingirás (mais) felicidade? Ora bem, uma filosofia virada para o coração humano não poder deixar de lado a experiência da (in)felicidade.

A Filosofia, através das suas diferentes perspectivas, foi tingindo de diferentes cores este horizonte comum de felicidade. Na sempre fascinante Pre-História, ser feliz era sobreviver no amparo duma tribo determinada. Na Grécia Clássica, ser sábio (e portanto, bom cidadão) era ser feliz. Chegaram os tempos medievais, feliz parecia ser quem se convencesse -com um misto de determinação e resignação- das implicações da sua condição social: nobre, clero ou camponês. Séculos depois, o utilitarismo, o pragmatismo ou o subjetivismo passaram a ser alicerces seguros para dar alguma consistência à felicidade humana. Mas nunca faltou, desde há um bom bocado de filósofos para acá, a Razão, a Experiência ou o Progresso como critérios orientadores rumo a uma felicidade, se não absoluta, plena. Vãs ilusões todas pois, após inúmeras tentativas frustradas, não deixamos de contemplar casos de pensadores, intelectuais e filósofos que se despedem da vida com um profundíssimo lamento por não ter sequer cheirado o suave aroma da felicidade. Aroma da muito simples, e tão tremendamente complexa, felicidade humana por/de ser humano.
E, precisamente por “nada do humano lhe ser alheio” ao Cristianismo, esta experimentada religião, testemunha das origens do milénio, não ignora a relação do ser humano, crente ou não, como uma felicidade por vezes mais oculta do que palpável. Desta maneira o Cristianismo, evitando oferecer felicidade de mãos cheias, garante a promessa de algum dia a atingir. E não de qualquer maneira, mas em forma de plenitude autenticamente irrenunciável e inimaginável. A esperança de felicidade vinca-se na respiração do crente com uma convicção que já é feliz. Este sonho dinamiza tudo: não há nada que não alente. Podemos afirmar, sim, que o cristão vive para uma felicidade constantemente a construir e nunca completamente construída. Pensada desta maneira, a felicidade deixa de ser um bem material do qual nos apropriarmos, mas uma participação humana que puxa por nós com uma suavidade única. Gratuidade no serviço, fidelidade no compromisso ou empenho pelo bem são pincéis que vão desenhando uma felicidade futura e progressiva, plasmada sobre um quadro de moldura ilimitada.
      Exactamente por causa destas e outras tantas considerações semelhantes que poderiam ser feitas, é que só posso rir quando ouço que a felicidade, aos olhos do Cristianismo, "não tem sido" uma experiência central na existência humana. Não posso escutar sem dissimular uma gargalhada inofensiva que a felicidade "não é" um objectivo prioritário no Cristianismo. Será que as três primeiras palavras de cada bem-aventurança ("Ditosos os que") ou a alegria inédita da Ressurreição, por exemplo, deixaram alguma vez de formar parte do tal Cristianismo? 
      Então, que não nos tirem a felicidade!

1 comentário:

Anónimo disse...

Se for uma felicidade de ignorância... que a levem.
Jesus-Christo não existe em registo no primeiro século depois do suposto nascimento, que aliás ninguém sabe quando foi... Como é que uma pessoa tão "importante" não aparece em NENHUMA carta, ou comentário escrito do primeiro século? Só depois do império Romano decidir converter em império clerical é que Jesus-Christo apareceu... E tentou englobar todos os mitos... até a sua morte é o símbolo da Primavera: Renascer... enfim felicidade sim, com a natureza e não com a ignorância imposta por um império decadente... ver: VATILEAKS essa é a verdade da igreja católica apostólica romana. Vatileaks.