18 de junho de 2013

.Contra "viver contra".


Kierkegaard foi um filósofo original pela forma como apresentou alguns dos seus pormenores. Um deles é, sem dúvida, o posicionamento do homem perante Deus e não contra Deus. Esta é a adequada relação a estabelecer entre o homem e Deus. Não se trata de uma oposição, mas sim dum confronto. Kierkegaard não coloca o homem contra Deus, mas perante Deus. Esta subtileza faz toda a diferença. Desta maneira, o mal não é uma desculpa para o homem culpar Deus, mas antes um elemento com o que homem se apresenta perante Deus. Esta mentalidade favorece diálogos e poupa rejeições. Este relacionamento enche de bendita paciência os corações dos crentes em vez de os fazer transbordar de desespero descrente. E tudo, por Deus não se explicar como aquele contra o qual eu sou, mas aquele perante o qual eu sou. Deus, portanto, é mais colega do que inimigo. Deus aparece mais como companheiro do que como adversário. Parece-me fundamental este olhar benevolente sobre Aquele que nos olha com bondade pois, se não, a reacção mais esperável –e menos desejável-, seria a de viver contra.
“Viver contra”. Opor-se à vida. Desenvolver uma força contrária àquela que experimentamos como dadora de vida. Enfrentar-nos a uma realidade que pretende esmagar-nos. Viver revoltados é viver contra. Viver contra é viver amargurados. A crítica ferente é cúmplice deste amargurado revoltado. Mas alerto convencidamente contra este estilo tão viciado de "viver contra" porque a sensação de viver contra a realidade é origem de conflito. Existir à defensiva é uma opção tremendamente perigosa. Aos ataques responde-se com ataques. A capacidade de violência emerge à superfície. Os encontros são batalhas. As palavras são mísseis. A memória é uma crónica de derrotas. Os projectos elaboram uma declaração de guerra. Tende-se assim a evitar todo o encontro, enterra-se a memória no nevoeiro do esquecimento, poupam-se projectos de entusiasmo por crê-los condenados a mais um fracasso. Este proceder enfermiço aniquila a verdade do indivíduo em relação.
Expor-se à vida é arriscado, sim, mas renunciar a situar-se com os dois pés nessa mesma vida é, simplesmente, errado. O medo do ataque corrompe os sonhos, e o homem sente impulsionado para frente por uma misteriosa força que odeia, porque o impede de se deter… e morrer. Aceitar a realidade com benevolência, participando dela com entrega e gratuidade, vence toda a tentativa deste falacioso “viver contra”.

4 comentários:

Anónimo disse...

Como é que se vive contra ou perante algo que existe apenas na imaginação?
Eu vivo e aceito a realidade com benevolência, participando dela com entrega e gratuidade, sem Deus.
Não aceito falsos representantes de algo que só existe na mente de alguns. aqueles que se dizem representantes de deuscdeveriam ter vergonha na cara.

Anónimo disse...

"Aceitar a realidade com benevolência, participando dela com entrega e gratuidade, vence toda a tentativa deste falacioso “viver contra”.
O "viver contra" torna alguns do "contra" tão obsessivos que se afadigam em perder tempo com algo que é imaginário.

Anónimo disse...

Os falsos representantes não são imaginários. Os leigos, laicos, dançarinos cubanos, pedófilos, não são imaginários.

Anónimo disse...

Mas algo que diz "que só existe na mente de alguns" sim