21 de junho de 2013

S. Luís Gonzaga

Luís foi uma criança de inteligência viva e aberta, de carácter ardente como o de todos os Gonzaga, obrigado a viver, desde a meninice, entre os grandes do mundo de então. Pouco a pouco torna-se cada vez mais intolerante em relação a esse mundo, reagindo contra ele. Não é simples inconformismo; é a reacção de quem, tendo como ideal seguir a Cristo, incondicionalmente deseja e escolhe antes a pobreza com Cristo do que a riqueza; as ofensas com Cristo cheio de ofensas, do que as honras.
Por isso faz deliberadamente compreender o seu pensamento à mãe e manifesta-lhe as suas intenções (1583), depois suporta a oposição do pai e de quantos se lhe associam, enfrentando publicamente, desprezando mesmo aquilo que o mundo tem por humilhante. Mas Luís não foi um pusilânime e um tímido fugindo à vida e ao mundo. Quer nos anos da adolescência e da juventude, ele tinha dado provas indiscutíveis de conseguir brilhantes resultados não só no estudo das línguas e da matemática (mais tarde da filosofia e teologia), mas também em práticas difíceis de diplomacia.
Em busca do que Deus quer para ele e uma vez esclarecido isto, nada o fará desviar: nem a ira do pai, nem o pensamento de ter de deixar a mãe...muito menos as honras e as riquezas. Assim escolhe a Companhia de Jesus, entrando nela em 1587. 
Tem a sede de sair de si para se dar inteiramente aos outros nesta Ordem religiosa apostólica. Por isso, a sua espiritualidade está cheia da ideia dum serviço prestado aos homens, aos pobres, aos que sofrem. Mas este serviço a Deus pelo bem dos outros, para Luís, não se identifica com uma pura actividade exterior. Compreendeu que na vida do religioso e do sacerdote este serviço se presta também, primeiramente na oblação de si mesmo, na transformação com que, sob o impulso da graça, o homem aprende a fazer seus os sentimentos do Senhor e a viver da sua vida, tornando-se assim autêntico apóstolo.
Animado por esta fé alimentada na oração e iluminado por graças místicas, Luís oferece-se com fortaleza viril e com caridade sem limites ao serviço dos doentes. Morre a 21 de Junho de 1591, cumprindo o convite do próprio Cristo "Tudo o que fizeste a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizeste" (Mt. 25, 60).

P. F. Molinari, S. J.

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