4 de agosto de 2013

fama e razão



Segundo os não crentes, sobretudo os cientistas, os seres humanos habitam um planeta insignificante, perdido entre milhões de outros planetas, numa galáxia que é apenas uma entre uma quase infinidade de outras galáxias, surgiram aqui por um mero acaso, não se distinguem fundamentalmente dos demais seres vivos, acabarão como todos em pó e cinza. Ainda assim, efémeros seres que por aqui passam sem saber porquê nem para quê, os não crentes consideram-se suficientemente super-inteligentes para afirmar que o actual universo não teve a sua origem num ser super-inteligente.

É o caso do famoso Richard Dawkins.

No final de um debate com Francis Collins, Richard Dawkins afirmou que um criador que tivesse criado um universo tão complexo como o nosso, teria que ser super inteligente’, nunca o carpinteiro de Nazaré. Dawkins sabe como Deus deveria ter procedido, que género de universo deveria ter criado em vez do actual para nos convencer da sua existência. Coloca-se assim ao nível desse ser super-inteligente. 

Do famoso rei espanhol D. Afonso XI diz-se que terá afirmado: “Se Deus me tivesse consultado antes de criar o mundo teria recebido alguns bons conselhos.” 

Mas fama e razão nem sempre deram as mãos.

10 comentários:

Helder Sanches disse...

Bom dia caro Alfredo,

Se fosses Deus, tinhas feito tudo exactamente da mesma maneira?

Abraço

Anónimo disse...

Caro Alfredo:

Falácia:
"os não crentes consideram-se suficientemente super-inteligentes para afirmar que o actual universo não teve a sua origem num ser super-inteligente."

Está a tentar dizer que os conscientes da fantasia do conceito de deus se acham Deus omnipotente, omnisciente, e omnipresente?

Parece ser lógico que se algum ser criou este universo, ou morreu na sua criação (big bada BUM!) ou não tem forma de fazer as coisas de forma intencional, consciente e com um paraíso reservado aos Homo sapiens. O único que pode poderá é jogar aos dados :) vai ou não vai apanhar com um meteorito na cabeça? O famoso medo do céu cair em cima da cabeça...

No meu caso em particular... apenas não acredito em falsos representantes de Deus. Como deus só existe na imaginação de alguns, esses representantes refugiam-se em conceitos como JESU-CHRISTO, ou Jeashua, ou reino universal de deus... uns com contas no Brasil outros com lavagem de dinheiro no Banco do Vaticano...

Cuitados dos Gregos com os seus Deuses... politeítas. Sem conhecer o temor de deus único foram todos para o inferno...

Cumprimentos,

Helder Sanches disse...

Apenas mais uma questão, caro Alfredo: a última afirmação do texto é aplicável a Jesus ou não?

alfredo dinis disse...

Caro Helder,

Ao contrário dos não crentes, não consigo imaginar-me Deus. Por outro lado, a ideia de que Deus podia ter feito o mundo de uma forma diferente é uma premissa que os não crentes têm como indiscutível. Deveriam porém saber que esta questão tem sido objecto de debates ao longo dos séculos.

Deus não parece ser um marioneteiro na sua relação com o mundo, particularmente com as pessoas. Não consigo imaginar um universo que não deva obedecer a algumas leis para não cair no caos e na arbitrariedade. A ideia de que essas leis só deveriam - e poderiam - ter efeitos que consideramos aceitáveis do nosso ponto de vista, não me parece uma evidência.

Fama e razão nem sempre deram as mãos, mas no caso de Jesus Cristo isso aconteceu.

Saudações e boas férias.

Alfredo

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Os não crentes parecem-me por vezes omniscientes. Parecem-me saber tudo o que há para saber, negando que possa haver algo que eles não conhecem ou não possam conhecer. A isto chamo omnisciência, sim!

Afirma: "deus só existe na imaginação de alguns". Esta é uma afirmação absoluta e irrefutável para si. É uma manifestação de omnisciência, sim!

Por outro lado, tudo o que diz depois da expressão 'parece lógico que' é outra forma de omnisciência, sim! Para além disso, o que afirma não me parece nada lógico. Talvez para si 'lógico' signifique evidente e inegável, mas se assim é, nada do que afirma é evidente e inegável. Se o fosse, os debates sobre Deus e o universo já há muito que teriam acabado. A não ser que se continue a insistir que a capacidade de pensar logicamente foi reservada aos não crentes. O que talvez não seja assim tão lógico!

Saudações,

Alfredo Dinis

Anónimo disse...

Caro Alfredo,

Muito obrigado por responder e por considerar como "omnisciente". Claro que não me considero omnisciente apenas por ser consciente relativamente a alguns assuntos, como deus, ou a acção performativa da imaginação... isso não faz de mim omnisciente...

Se não fossem os interesses governativos e o poder de uma sociedade manipuladora, o MEM da não existência de deus já seria dominante... (será que não dominante?)

Mas aqueles que tratam dos poderes menores, os políticos e monarcas, vivem em simbiose com um clero consciente da sua mentira, pelo menos os que manipulam as novas gerações, a enformar pelo molde romano. Essa é a principal razão.

Olhemos para a religião Anglicana, sem qualquer motivação teológica, apenas puxou as orelhas aos católicos e aos ortodoxos, crianças que não sabiam partilhar o brinquedo (a ilha)...

sinceramente, para mim é lógico que o deus Judeu não existe, e como o deus católico é o mesmo... só uma criança que acredita no Pai Natal pode acreditar nesse deus...

Falando um pouco da visão reduzida das religiões, a catolicidade dos católicos vem da tentativa de unificar o direito de todas as sociedades com "leis" da altura, o direito canónico foi essa tentativa, mas essa unificação está longe de ser Universal...

Com crimes cometidos no Vaticano, pedofilia, lavagem de dinheiro, se isso representa deus na terra... (reparo não fez qualquer comentário sobre o assunto).

Mas claro que o lobo, perante a pergunta: "porque é que tens uns dentes tão grandes avozinha?" não responde: "é para comer crianças como o capuchinho vermelhinho"

Cumprimentos,

Anónimo disse...

Sobre a verdade da Igreja, (ou falta dela).

1+1=2 certo?

O papa diz os Islâmicos são nossos amigos. 1

O apóstolo Tiago, o mata mouros, vai ficar esquecido...

Santiago de Compostela já passou a Prisciliano... os ossos de Tiago jão não o são... agora são da nova imagem que a Igreja quer passar: Prisciliano... 1

Afinal a verdade tem algum valor moral ou é apenas uma ferramenta (mentir) para atingir fins? 2

Cumprimentos,

Anónimo disse...

eh eh eh, agora o "coup de grâce":

Afinal mesmo que eu me considere omnisciente, não sou omnipresente e omnipotente... logo não sou deus... é lógico não é?

Cumprimentos,

alfredo dinis disse...

Caro anónimo,

Quem, como o Rei Afonso XI de Espanha, o Rei Sábio, daria alguns bons conselhos a Deus se tivesse sido consultado antes da criação do mundo, teria que estar pelo menos a nível do omnisciente Deus, talvez mesmo acima desse nível. Pois, se não estivesse, como poderia compreender o projecto de Deus de forma a poder dar-lhe conselhos? Lógico, não é?

O mesmo se aplica a Richard Dawkins e a todos os muitos milhares de não crentes que rejeitam a hipótese de um Deus criador com base no facto de o universo não corresponder à inteligência de um tal Deus.

Esta perspectiva também faz dos não crentes omnipotentes, porque partem do pressuposto de que Deus poderia fazer tudo o que quisesse, e só não fez um mundo melhor porque não quis. Os não crentes sabem isto, sabem tudo o que há a saber para se criar o melhor dos mundos – um mundo em que só exista felicidade e nenhum sofrimento. Também aqui se aproximam de Deus.

Os não crentes não são omnipresentes. Paciência. Não são deuses. Mas quase!

Afirma: “sinceramente, para mim é lógico que o deus Judeu não existe, e como o deus católico é o mesmo... só uma criança que acredita no Pai Natal pode acreditar nesse deus.”

Parece-me que o anónimo deve ser uma pessoa muito feliz, semelhante a Deus, porque vive de evidências, sem necessidade de gastar recursos e energias a fundamentar as suas crenças.

Os Cristãos não ignoram, nem passam ao lado dos erros cometidos no interior da Igreja. Talvez sejam mesmo os que mais falam disso abertamente. Gostaria de saber se actualmente só há crimes de pedofilia na Igreja Católica, uma vez que os meios de comunicação parecem quase só se interessarem por eles.

Anónimo disse...

Este não é o tal que promove violência sectária contra os cristãos, mas que se acagaçou em frente de um muçulmano?
Este é o tal que fala de ignorância e intolerância das religiões, sem entender o mínimo sobre elas, acabando ele mesmo por criar uma "religião" muito mais nociva do que aquela que ele considera ser as que critica?
Sai cada rifa neste mundo...
Francisco