27 de outubro de 2013

O Mistério no facto religioso

"... o facto religioso inscreve-se no âmbito do sagrado cujo termo polarizador e realidade determinante é o Mistério, «tremendum et fascinans», ao qual se dirige a fundamental atitude religiosa do homem. O Mistério aparece como Transcendência, como realidade «Totalmente Outra» que o homem não consegue abarcar, antes se sente abarcado por ele; como realidade ontologicamente suprema que faz o homem tocar a sua nudez ontológica e a sua radical finitude; como realidade axiológica absoluta, «mirum et mirabile», Bem Supremo que vale por si e do qual procede todo o valor; como santidade augusta que faz o homem descobrira sua «situação global» de indigência e de «pecado». O Mistério manifesta-se também como «actividade», como «Transcendência activa» que provoca o homem a transcender-se e lhe possibilita uma resposta de entrega confiada, mediante a qual o homem encontra a sua realização total, última e definitiva, isto é, a salvação. Na atitude humana propriamente religiosa, na sua bipolaridade extática - salvífica, originada pela irrupção perturbadora do Mistério, o homem vivencia-se como ser-colocado-perante-a-Alteridade-Absoluta e referencia toda a realidade a esse «Último» que lhe dá pleno sentido. A atitude religiosa é, pois, uma experiência singular, uma experiência trans-racional, bem distinta da atitude filosófica, pois nela confluem o temor e a confiança, a razão e o símbolo, o logos e o mythos."

José Rui da Costa Pinto, S.J.

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