31 de março de 2013

A Ressurreição de Cristo



Cristo, ao contrário do jovem de Naim ou de Lázaro, não voltou, depois da ressurreição, à vida terrena que levava antes. Ele ressuscitou para a vida definitiva que já não está sujeita às leis da química e de biologia e que, por isso mesmo, se coloca fora do alcance da morte, numa eternidade dada pelo amor.Por isso os encontros com Ele são descritos como ‘aparições’. Aquele que ainda dois dias antes estivera sentado  com eles à mesa já não é reconhecido pelos seus amigos ou continua  a ser um estranho mesmo depois de reconhecido. E só é visto quando é Ele que dá a visão; só quando Ele faz com que se abram os olhos e o coração é que se torna reconhecível no nosso mundo da morte o rosto do amor eterno que a vence, e nesse amor manifesta-se um mundo novo, diferente: o mundo que está para vir.

Por isso é tão difícil ou quase impossível para os Evangelhos descrever os encontros com o Ressuscitado. Por isso conseguem apenas gaguejar quando falam dos acontecimentos e parecem até contradizer-se quando os descrevem. Na realidade, eles exprimem com uma uniformidade surpreendente a dialéctica das suas afirmações, que oscilam entre o tocar e o não-tocar, entre o reconhecer e o não-reconhecer, entre a identidade total do Ressuscitado com o Crucificado e a sua transformação total. Eles reconhecem o Senhor e, ao mesmo tempo, não O reconhecem; tocam-nO, mas Ele continua a ser o intocável; Ele continua a ser o mesmo e, mesmo assim, é totalmente diferente.”
(Joseph Ratzinger, Introdução ao Cristiansimo, Principia, pp. 223-224)

19 de março de 2013

S. José | os sonhos do pai

O Sonho de S. José, Rembrandt
O grande sonho de José é encontrar a vontade de Deus. Mais do que o seu próprio querer, do apreço pelo seu nome, pela sua honra, pelo prestígio ou amor próprio, mais do que todos os seus sonhos, o sonho que dá horizonte a todos os outros é o de encontrar a vontade de Deus.

Só esta liberdade permite a escuta atenta de Deus. Deus não vem de fora impondo-se; manifesta-se e apela-lhe, roga-lhe, no interior dos seus próprios sonhos. José não é um mercenário da autorealização, José vai conhecendo o sentido da sua vida porque sonha: sonha com o que é maior, com o que o ultrapassa, com o que não compreende, com o que está para além da sua certeza e é, inexplicável e misteriosamente, sedutor. 

É assim que José se vai conhecendo na sua vida. E assim faz parte do mistério da nossa própria salvação.

19.03.2013



.TOGO.

-Quaresma-, "40 dias com os 40 últimos”.

17 de março de 2013

V Domingo da Quaresma



A mulher adúltera

Não turbam a água dos meus olhos
As pedras que me atiram sobre o corpo
As tuas mãos vazias este muro
Branco me doem muito mais

                                 Daniel Faria

17.03.2013



.REP. CENTROAFRICANA.

-Quaresma-, "40 dias com os 40 últimos”.

10 de março de 2013

(Lc 15,1-3.11-32)

Sem exclusão nem condenação!


Um abraço tão incondicional como contínuo.
Abraçado, libertado.

Tu e eu. Filhos pródigos.
Ele, simplesmente Pai.

10.03.2013


Los topos

.ESPAÑA.

-Quaresma-, "40 dias com os 40 últimos”.

5 de março de 2013

o sentido da vida



Um leitor não crente leu com atenção a obra Educação, Ciência e Religião, que publiquei na Gradiva juntamente com o Prof. João Paiva, e fez alguns comentários pertinentes. Partilho com os leitores deste blogue alguns desses comentários bem como os meus esclarecimentos. A azul passagens do livro.

Comentários específicos à Introdução -1

Comentário  - “A religião trilha caminhos para a questão do sentido da vida.”
Na minha opinião a religião dá, para a maioria das pessoas, uma saída rápida e confortável para o sentido da vida, evitando a reflexão profunda. Acredito que há formas mais sérias, honestas e corajosas de abordar os temas existencialistas.  Nem todas as respostas implicam dar um sentido à vida. Eu acredito que a vida não tem que ter sentido, existe e pronto. No entanto sinto, como é óbvio, necessidade de acalentar as minhas ansiedades existencialistas.

Esclarecimento  – É muito comum a ideia de que a religião é um analgésico  para os que não têm a coragem de enfrentar de caras os problemas e as dificuldades da vida. É possível que para algumas pessoas crentes esta seja a dimensão principal que procuram na religião. Mas procurar o sentido da vida na religião não coincide necessariamente com uma experiência religiosa fácil, antes pelo contrário. Muitos milhares de missionários crentes, incluindo muitos leigos, por exemplo, procuram o sentido da sua vida no serviço aos mais pobres e doentes, muitas vezes em países subdesenvolvidos, num serviço gratuito, não propagandeado na abertura dos telejornais, muitas vezes em situações de risco da própria vida. Dar a vida pelos outros é para muitos cristãos uma forma de dar sentido à sua vida, e isto nada tem a ver com “uma saída rápida e confortável”. Que haja formas mais sérias e honestas de abordar o sentido da vida para além de dar a vida pelos outros, duvido. Que haja muitas formas de procurar o sentido da vida fora da religião, não duvido. A generosidade e a solidariedade, por exemplo, não são de forma alguma monopólio dos crentes.
                A ideia de que a vida, tal como o universo, não tem qualquer sentido – ambos “existem e pronto” – tem muitos seguidores, e até tem uma designação. Chama-se ‘the brute view’. Os defensores desta posição têm que viver com o facto de que não têm qualquer forma de demonstrar que têm razão. E ainda com o facto de que a ‘brute view’ retira aos seus proponentes muitas das razões que justificam na vida dos crentes a atitude de dar a vida pelos outros. Se eu, pessoalmente e como crente, partisse do pressuposto de que incomodar-me, limitar o meu bem-estar, em favor dos outros, ser honesto ou não, etc., é no fundo totalmente indiferente no ‘fim de contas’, isto é, quando termina a vida de justos e injustos, honestos e desonestos, teria certamente mais dificuldade em renunciar a todo o meu bem-estar possível para me dedicar ao bem-estar dos outros. Porque deveria fazê-lo? Se tivesse apenas esta vida, porque não deveria aproveitá-la ao máximo em meu próprio proveito?

05.03.2013



.R. D. CONGO.

-Quaresma-, "40 dias com os 40 últimos”.

3 de março de 2013

Domingo III Quaresma | Mais um ano...


Nessa ocasião chegaram algumas pessoas que contaram a Jesus que Pilatos tinha mandado matar uns homens da Galileia, quando estavam a oferecer a Deus sacrifícios de animais. Deste modo se misturou o sangue deles com o dos animais sacrificados. 2 Na sequência disso Jesus disse-lhes: «Julgam que esses eram mais pecadores do que os outros galileus, lá porque foram mortos dessa maneira? 3 Digo-vos que se enganam e que morrerão como eles, se não se arrependerem. 4 Julgam também que aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé lhes caiu em cima, tinham mais culpas do que os outros habitantes de Jerusalém? 5 Pois digo-vos que se enganam e que morrerão como eles, se não se arrependerem.» 6 Jesus apresentou-lhes esta parábola: «Havia um homem que tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá ver se tinha figos e não encontrou nenhum. 7 Ordenou então ao homem que lá trabalhava: “Escuta! Há três anos que venho procurar figos a esta figueira e não encontro nada. Portanto, corta-a. Por que há-de ela continuar a ocupar o terreno?” 8 Mas o trabalhador respondeu: “Deixa-a ficar ainda este ano, que eu vou cavar em volta e deitar-lhe estrume. 9 Talvez assim dê fruto. Se não der, manda-a cortar então.”»

Lc 13, 1-9

Deus não tem pressa; a urgência é nossa.

03.03.2013



.ESPAÑA.

-Quaresma-, "40 dias com os 40 últimos”.