21 de junho de 2013

S. Luís Gonzaga

Luís foi uma criança de inteligência viva e aberta, de carácter ardente como o de todos os Gonzaga, obrigado a viver, desde a meninice, entre os grandes do mundo de então. Pouco a pouco torna-se cada vez mais intolerante em relação a esse mundo, reagindo contra ele. Não é simples inconformismo; é a reacção de quem, tendo como ideal seguir a Cristo, incondicionalmente deseja e escolhe antes a pobreza com Cristo do que a riqueza; as ofensas com Cristo cheio de ofensas, do que as honras.
Por isso faz deliberadamente compreender o seu pensamento à mãe e manifesta-lhe as suas intenções (1583), depois suporta a oposição do pai e de quantos se lhe associam, enfrentando publicamente, desprezando mesmo aquilo que o mundo tem por humilhante. Mas Luís não foi um pusilânime e um tímido fugindo à vida e ao mundo. Quer nos anos da adolescência e da juventude, ele tinha dado provas indiscutíveis de conseguir brilhantes resultados não só no estudo das línguas e da matemática (mais tarde da filosofia e teologia), mas também em práticas difíceis de diplomacia.
Em busca do que Deus quer para ele e uma vez esclarecido isto, nada o fará desviar: nem a ira do pai, nem o pensamento de ter de deixar a mãe...muito menos as honras e as riquezas. Assim escolhe a Companhia de Jesus, entrando nela em 1587. 
Tem a sede de sair de si para se dar inteiramente aos outros nesta Ordem religiosa apostólica. Por isso, a sua espiritualidade está cheia da ideia dum serviço prestado aos homens, aos pobres, aos que sofrem. Mas este serviço a Deus pelo bem dos outros, para Luís, não se identifica com uma pura actividade exterior. Compreendeu que na vida do religioso e do sacerdote este serviço se presta também, primeiramente na oblação de si mesmo, na transformação com que, sob o impulso da graça, o homem aprende a fazer seus os sentimentos do Senhor e a viver da sua vida, tornando-se assim autêntico apóstolo.
Animado por esta fé alimentada na oração e iluminado por graças místicas, Luís oferece-se com fortaleza viril e com caridade sem limites ao serviço dos doentes. Morre a 21 de Junho de 1591, cumprindo o convite do próprio Cristo "Tudo o que fizeste a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizeste" (Mt. 25, 60).

P. F. Molinari, S. J.

18 de junho de 2013

.Contra "viver contra".


Kierkegaard foi um filósofo original pela forma como apresentou alguns dos seus pormenores. Um deles é, sem dúvida, o posicionamento do homem perante Deus e não contra Deus. Esta é a adequada relação a estabelecer entre o homem e Deus. Não se trata de uma oposição, mas sim dum confronto. Kierkegaard não coloca o homem contra Deus, mas perante Deus. Esta subtileza faz toda a diferença. Desta maneira, o mal não é uma desculpa para o homem culpar Deus, mas antes um elemento com o que homem se apresenta perante Deus. Esta mentalidade favorece diálogos e poupa rejeições. Este relacionamento enche de bendita paciência os corações dos crentes em vez de os fazer transbordar de desespero descrente. E tudo, por Deus não se explicar como aquele contra o qual eu sou, mas aquele perante o qual eu sou. Deus, portanto, é mais colega do que inimigo. Deus aparece mais como companheiro do que como adversário. Parece-me fundamental este olhar benevolente sobre Aquele que nos olha com bondade pois, se não, a reacção mais esperável –e menos desejável-, seria a de viver contra.
“Viver contra”. Opor-se à vida. Desenvolver uma força contrária àquela que experimentamos como dadora de vida. Enfrentar-nos a uma realidade que pretende esmagar-nos. Viver revoltados é viver contra. Viver contra é viver amargurados. A crítica ferente é cúmplice deste amargurado revoltado. Mas alerto convencidamente contra este estilo tão viciado de "viver contra" porque a sensação de viver contra a realidade é origem de conflito. Existir à defensiva é uma opção tremendamente perigosa. Aos ataques responde-se com ataques. A capacidade de violência emerge à superfície. Os encontros são batalhas. As palavras são mísseis. A memória é uma crónica de derrotas. Os projectos elaboram uma declaração de guerra. Tende-se assim a evitar todo o encontro, enterra-se a memória no nevoeiro do esquecimento, poupam-se projectos de entusiasmo por crê-los condenados a mais um fracasso. Este proceder enfermiço aniquila a verdade do indivíduo em relação.
Expor-se à vida é arriscado, sim, mas renunciar a situar-se com os dois pés nessa mesma vida é, simplesmente, errado. O medo do ataque corrompe os sonhos, e o homem sente impulsionado para frente por uma misteriosa força que odeia, porque o impede de se deter… e morrer. Aceitar a realidade com benevolência, participando dela com entrega e gratuidade, vence toda a tentativa deste falacioso “viver contra”.

14 de junho de 2013

.Mártires do nosso tempo.


Gostaria de me atrever com uma homenagem aos mártires do nosso tempo. Mas penso neles e sinto arrepios. São homens e mulheres que morrem por uma causa. Uma causa impregnada de bem. Umas vidas que desaparecem para que a causa sobreviva. O Cristianismo não carece de histórias de martírio. A lista de cristãos mortos em defesa da sua fé é comprida. Tanto, que poucos são os fiéis que chegam a ouvir sequer mencionar todos eles enquanto dura a sua vida. Costuma-se a afirmar que o sangue dos mártires é semente de novas vocações. Essas mortes regam a fé dos posteriores. Não se perde em vão esse sangue: flui nas veias dos novos crentes que ressurgem para sustentar a fé. O sentimento de fraternidade ganha dimensões assustadoras ao me tornar consciente de que a forma de morrer de certo cristão (na altura ainda anónimo) condiciona, para bem, a minha forma de viver. Sem a amarga morte de muitos dos mártires da Igreja pode ser que a tradição de fé não tivesse chegado até nós. No seu martírio voa Deus até nos, e aterra na possibilidade de acreditarmos nEle. É por esta razão que não existe agradecimento suficiente para todos aqueles que teimaram em professar a sua fé mesmo quando a fogueira ardia aos pés, ou quando a faca se espetava no pescoço. Mais do que de sangue e lágrima, toda a reflexão do género estará honrosamente manchada de exemplaridade e generosidade (a heroicidade ou santidade, porém, são já temas burocráticos que outros se encarregam de tratar e acrescentar a estas biografias).  Mas louvo a sua fé. Louvo a força da sua fé. Louvo a coerência na força da sua fé. Louvo a insistência na coerência na força da sua fé.
Então e hoje, porque hoje também pinga sangue. Aquela lista de nomes martirizados não conhece (ainda?) um ponto e final. A história de fé continua, e as histórias de mortes violentadas também. Há regiões neste mundo onde acreditar em Deus, no Deus de Jesus, pode acabar com a vida.
Os rebeldes odeiam a mensagem de amor revolucionário que traz consigo o cristão e, simplesmente, decidem assassiná-lo cruel e friamente. Toda a morte é dolorosa, quanto mais se se produzir de forma injusta.
Mas esta injustiça, em vez de sede de vingança, dá ânimo para seguir trabalhando pela justiça. Dão vida estas mortes. Uma vida que a faca não corta nem o fogo queima. Vidas de Deus que não passam despercebidas aos olhos dos homens. As espingardas rurais disparam, mas a bala não atravessa as convicções religiosas. As bombas destroem igrejas, mas a metralha não dana o valor das testemunhas. Nigéria, República CentroAfricana, Congo, Serra Leoa, Argel, Kenya, mas também Irão, Irak, Paquistão, China, Japão ou Indonésia.

Acreditar em Deus parece chamar à violência, mas esse Deus caracteriza-se por ser de paz. Que grande contradição! Quanto desespero! Existem vidas em perigo por defender a fé. Os relatos do folheto mensal de “Ajuda à Igreja que Sofre” não são contos, são façanhas reais. As imagens não são dramatismo barato, são rostos corajosos. Pode ser que algum deles tenha sido abraçado definitivamente pelo Pai enquanto escrevia este humilde elogio dos mártires do nosso tempo. Mais um arrepio.

10 de junho de 2013

ciência e/ou religião?

O texto seguinte está em debate no site www.contraditorio.pt, sobre a compatibilidade entre ciência e religião, juntamente com o texto da Profª Silva. Eu defendo a compatibilidade, a Profª Palmira defende a incompatibilidade. O debate estará aberto durante alguns dias, e quem o desejar poderá deixar o seu comentário no referido site.


1. O debate sobre a compatibilização entre ciência e religião é tão antigo que pode causar a muitos admiração o facto de não ter ainda chegado ao fim. Parece-me pois conveniente começar mais um debate com algumas observações preliminares sobre algumas causas que mantêm o debate aceso e sem fim à vista.

2. A questão de saber como se harmonizam ciência e religião em geral é complexa e nunca será provavelmente compreendida pelos seres humanos. É certo que de uma e outra parte – crentes e não crentes - há quem afirme que o debate já não se justifica e que uma solução já foi encontrada. Há, por um lado, crentes que consideram provada a existência de um Deus criador do universo, sendo a ciência compatível com a religião. Há, por outro lado, não crentes para os quais a ciência já demonstrou que não existe nenhum Deus, criador ou não, e que ciência e religião são incompatíveis.
De facto, porém, não possuímos qualquer prova tão forte e indubitável que convença toda a gente, seja da existência necessária de um deus que constitua a explicação última do universo, como querem alguns crentes, seja da não existência e não necessidade de um tal deus, como querem alguns não crentes.

3. A ideia de que a ciência é incompatível com a religião tem a sua origem, pelo menos na cultura ocidental de raíz Cristã, no facto de durante muitos séculos a narração bíblica da criação do mundo e da Humanidade, tal como surge no Livro do Génesis, ser considerada uma explicação em termos a que hoje chamamos científicos, de como tudo realmente começou. A fusão desta narração com ideias da cosmologia grega sobre a natureza e o movimento dos corpos celestes, e sobre a estrutura do universo – constituído, até ao século XVII, praticamente pelo sistema solar e as estrelas -, pareceu fundamentar um discurso coerente e completo sobre todos os fenómenos naturais, e até o paraíso, Deus, os anjos e os santos tinham o seu lugar por detrás das estrelas.

4. Quando no século XVII o crente Galileu e outros, crentes ou não, deitaram por terra esta estrutura, pareceu à Inquisição que as novas ideias cosmológicas eram incompatíveis com o Cristianismo. Mas não eram. Eram incompatíveis com a versão cosmológica fruto da fusão do Génesis com a cosmologia grega, como se disse. Mas essa fusão não pertence ao núcleo do Cristianismo, como não pertence a este núcleo qualquer teoria científica, cosmológica ou outra.

5. Quando no século XIX Charles Darwin deitou por terra a ideia de que no espaço de uns dias Deus criou o universo e todas as espécies, incluindo Adão e Eva dos quais descenderiam todos os seres humanos, pareceu a muitos que as novas ideias antropológicas eram incompatíveis com o Cristianismo. Mas não eram, ainda que actualmente haja crentes para os quais a narrativa bíblica deva ser entendida literalmente. São os Criacionistas. Para estes, parece haver um conflito entre ciência e religião. Mas não há. O que há é um conflito entre a sua interpretação do texto bíblico e os dados da ciência moderna.

6. Acontece que nas suas críticas à religião alguns não crentes aliam-se estranhamente aos Criacionistas para mostrar como a narração bíblica da criação do mundo em seis dias está em contradição com a ciência. E está. Mas a maior parte dos crentes não é Criacionista. Acontece, porém, que na sua argumentação os não crentes tendem a escolher cuidadosamente as teses de alguns Cristãos que mais contradizem a ciência, optando por ignorar a posição dos Cristãos que têm uma perspectiva não contraditória com a ciência.

7. Criou-se, por outro lado, uma ideia da religião como algo de ‘sobrenatural’, algo que paira acima da natureza e que ‘desceu do céu’, desse céu aristotélico-tomista que entretanto desapareceu. A ideia, hoje defendida muitos, de que o sentimento religioso é um simples fenómeno evolutivo tendo por isso uma explicação meramente natural parece por isso opor-se à concepção especificamente religiosa. Mas isso não é verdade. O facto de a religião ter surgido no decurso da evolução biológica e histórica da Humanidade, significa que pertence ao mais íntimo da natureza humana como um elemento da sua ‘espinha dorsal cultural e existencial’. Mas a religião representa, ao mesmo tempo, a transposição dos limites de uma existência meramente biológica e de luta pela sobrevivência da espécie. A religião representa a recusa de acreditar que a vida humana não tem qualquer importância num universo que teria surgido por acaso e onde a Humanidade teria aparecido igualmente por mero acaso.

8. Mais recentemente, os estudos do cérebro revelaram as zonas de actividade neuronal relacionadas com a actividade religiosa, como a oração e a meditação, visões, etc. Daqui alguns concluíram apressada e acriticamente que é a actividade de determinadas zonas cerebrais que causa tudo o que tem a ver com a religião. Mas esta afirmação baseia-se num erro básico e muito comum de identificar correlação e causação, condições necessárias e condições suficientes. Para cada aspecto do comportamento humano – ético, estético, físico, etc – há sempre alguma actividade cerebral correspondente associada. Mas isso não significa que essa actividade seja a causa, por exemplo, das grandes sinfonias criadas pelos mestres da música; a actividade neuronal apenas lhes tornam possível o exercício da criatividade artística, como condição necessária, mas não é suficiente para que surjam as grandes obras musicais. Assim também, no caso do comportamento religioso, a actividade neuronal é uma condição necessária para que ele exista, mas não é uma condição suficiente.
Houve sempre cientistas crentes que viveram pacificamente o aspecto científico e o religioso. Em Portugal, podemos referir, por exemplo, a figura do P. Luís Archer, Jesuíta recentemente falecido, que introduziu no nosso país a investigação em Genética Molecular, depois de se ter doutorado nesta área nos Estados Unidos, e trabalhou durante muitos anos no Instituto Gulbenkian de Ciência. Tal como compreendeu o P. Archer, a religião só tem a ganhar com a ciência. Quanto melhor ciência, melhor religião.

9. Eu próprio, também Jesuíta, actualizo-me constantemente sobre ciências como a Biologia, a Cosmologia, as Neurociências e outras Ciências Cognitivas. Leio as obras de cientistas militantemente ateus, como Richard Dawkins, e de outros investigadores como António Damásio. Nunca senti que o conhecimento científico abalasse a minha crença em Deus, mas algum conhecimento científico leva-me a repensar e a reformular alguns aspectos da minha fé, o que só me tem feito bem.

10. Quando se pergunta por que razão existe um universo – ou infinitos universos! –, por que razão se desenvolveu a vida no planeta Terra - e talvez em milhões de outros planetas -, e ainda por que razão vale a pena dar a vida por grandes causas, pela justiça, pela liberdade, os não crentes apenas poderão responder: ‘porque sim’. Se o

universo e a vida surgiram por acaso, toda a história da Humanidade acabará em nada, e tudo o que fizermos ou deixarmos de fazer não tem, em última análise, qualquer importância. Não há mais nada a explicar. Os crentes não se satisfazem com estas respostas. Poderão, como afirmam alguns não crentes, contentar-se com respostas erradas e fantasiosas, mas o que separa os crentes dos não crentes é a insatisfação dos crentes perante respostas simples que são dadas pelos não crentes a questões extremamente complexas.

Finalmente, como escreveu o filósofo Ludwig Wittgenstein, na sua obra Tractatus, “Sentimos que, mesmo depois de serem respondidas todas as questões científicas possíveis, os problemas da vida permanecem completamente intactos.” (6.52)

9 de junho de 2013

Domingo X do tempo comum | O Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe não chores


O cristão, tornado conforme à imagem do Filho que é o primogénito entre a multidão dos irmãos, recebe «as primícias do Espírito» (Rm 8,29.23). [...] Por meio deste Espírito, «penhor da herança» (Ef 1,14), o homem todo é renovado interiormente, até à «redenção do corpo»: «Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos dará também a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita» (Rm 8,23.11). [...] Tal é, e tão grande, o mistério do homem, que a revelação cristã manifesta aos que crêem. E assim, por Cristo e em Cristo, esclarece-se o enigma da dor e da morte, o qual, fora do seu Evangelho, nos esmaga. Cristo ressuscitou, destruindo a morte com a própria morte, e deu-nos a vida, para que, tornados filhos no Filho, exclamemos no Espírito: Abba, Pai (Rm 8,15).

da Gaudium et Spes,

7 de junho de 2013

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus



O Coração de Jesus é a marca física do verdadeira Amor. Uma possibilidade de passagem para o mundo interior, o lugar privilegiado da relação com o Pai e com o irmão.
A devoção ao Coração de Cristo, é também devoção à sua Humanidade, Àquele que assumiu a nossa condição por puro amor e para nos ensinar que só o amor incondicional é o caminho de salvação.
Do lado de Cristo, do Seu Coração, nasce a Igreja, nasce a possibilidade de entrarmos no íntimo do Seu Amor dando-lhe continuidade em cada dia lavados pela Água do Baptismo e bebendo o Sangue da Eucaristia que dEle brotam.

"Há uma força no Coração de Cristo que ninguém pode esconder."
Pedro Arrupe, sj

5 de junho de 2013

UMA ENTREVISTA ALTAMENTE SURPREENDENTE E IMPROVÁVEL, MAS surREAL ?




"Papa não fez exorcismo, mas doente realmente estava possuído"
Entrevista com Pe. Juan Rivas, L.C., sacerdote que levou o enfermo para receber a benção do Papa Francisco depois da missa de Pentecostes na Praça de São Pedro
Por Thácio Lincon Soares de Siqueira

BRASíLIA, 26 de Maio de 2013 (Zenit.org) - Um “suposto exorcismo” realizado pelo Papa Francisco, ao final da missa de Pentecostes, na praça de São Pedro foi notícia mundial em diversos meios de comunicação, especialmente depois do programa “Vaderretro” do canal SAT 2000, da televisão italiana.

Tal notícia foi esclarecida pelo Pe. Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, em nota do dia 21 de maio. (Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/vaticano-nega-suposto-exorcismo-feito-pelo-papa-francisco). Nessa, Pe. Lombardi explicou que o “Papa Francisco não teve nenhuma intenção de fazer um exorcismo, mas simplesmente de orar por uma pessoa que sofria e que lhe foi apresentada”.
No entanto, na nota da Assessoria de Imprensa da Santa Sé não se afirma e nem se nega que o tal enfermo apresentado numa cadeira de rodas, realmente era ou não era um “demopatólogo”, uma pessoa que padecia de uma possessão diabólica.

Para saber mais detalhes desse caso, ZENIT procurou o sacerdote que levou o enfermo ao Papa, Pe. Juan Rivas, LC, e lhe propomos uma entrevista.

Pe. Juan Rivas Pozas, L.C., é fundador do Centro Multimídia Hombre Nuevo e produtor do programa de rádio e TV que tem o mesmo nome, localizado na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Apresentamos aos nossos leitores a entrevista a seguir:
***
ZENIT: O homem que você apresentou ao Papa para ser abençoado depois da missa de Pentecostes, na praça de São Pedro, estava realmente possuído?
Pe. Juan Rivas: Sim. Tinha quatro demônios. O Pe. Gabriel Amorth fez o exorcismo e os quatro disseram o seu nome mas isso nós já sabíamos, porque essa pessoa recebeu 30 exorcismos de 10 sacerdotes.

ZENIT: Como vocês se conheceram? Quem é ele (se você pode dizer).
Pe. Juan Rivas: Eu o conheci em um café na sua cidade natal. Eu tinha ido a essa cidade para dar uma conferência sobre a Divina Misericórdia e ele pediu para falar comigo. Seu problema era que tinha 4 demônios. Os exorcistas diziam que era um caso estranho porque de acordo com os demônios, eles não saiam porque “A Senhora” não permitia, que provavelmente tinha uma missão mas que não sabiam qual era. Quando lhe pedi mais informação sobre os demônios me disse que um era um bruxo que antes do cristianismo oferecia sacrifícios de bebês não nascidos aos demônios. No mesmo instante entendi qual era a missão: como eu há anos já vinha dizendo ao meu auditório na cidade de Los Angeles que a violência no México estava relacionada com o aborto, porque aconteceu no mesmo ano em que se aprovou a lei, cresce em proporção e se parece na sua crueldade lhe disse: “Está claro qual é a tua missão”.

A sua possessão tem relação com o grande crime que cometeu México ao aprovar a lei do aborto.
Mas o crime é duplo porque se aprovou o aborto onde está Maria de Guadalupe, a Virgem grávida. Isso foi um claro não a Cristo dado pelos legisladores.
Mais detalhes sobre isso eu coloquei, já há alguns meses no meu livro: LO QUE ESTÁ POR VENIR. “A tua missão é dizer aos bispos mexicanos que denunciem o crime, alertem das consequências canônicas aos católicos que apoiam este crime, reparem Nossa Senhora de Guadalupe pela grave ofensa e consagrem de novo a Nação a Maria e façam a renúncia a Satanás como se faz nas promessas batismais”.

Ele pressentia que ao começar a fazer o que eu lhe dizia os demônios o atacariam mais e assim aconteceu. Me escrevia mensagens dizendo que sofria muito e sentia que morreria. Ao piorar a sua situação decidiu ver o Papa para que lhe desse a sua benção porque uma senhora (desconheço a história) afirmava que tinha sido liberta do demônio simplesmente vendo a eleição do Papa Francisco. Nossa intenção era pedir ao Papa a sua benção e entregar-lhe os documentos assinados pelos exorcistas onde afirmavam o que se pedia que os bispos mexicanos fizessem e o Pe. Amorth revelou na terça-feira seguinte.

ZENIT: Depois da oração do Papa, ele foi liberto?
Pe. Juan Rivas: Não foi liberto, os demônios dizem que “a Senhora” não os deixa até que os bispos não cumpram a condição, que é o ato de reparação e expiação e a consagração à Maria Imaculada que os bispos mexicanos têm que fazer pelo pecado do povo.

ZENIT: Algum exorcista em concreto deu a sua opinião sobre o caso?
Pe. Juan Rivas: Na opinião do Pe. Gabriel Amorth o Papa fez um verdadeiro exorcismo e o afirmou várias vezes. De acordo com o Pe. Fortea o Papa não fez nenhum exorcismo mas somente deu a sua benção e o demônio se manifestou. Eu sou desta segunda opinião que coincide com a declaração do porta-voz do Vaticano. Mas estou convencido de que essa bênção do Papa será decisiva na sua futura libertação, se os bispos Mexicanos cumprem com o requisito.
Na minha opinião é ridículo quando dizem que este exorcismo criou uma grave confusão no Vaticano. Seria difícil para o Vaticano e para o Papa se o exorcismo fosse um ato de obscurantismo medieval como, infelizmente, muitas pessoas pensam dentro da Igreja. Mas, na realidade, o exorcismo é um dever ordinário dos bispos e uma obra de misericórdia com os acorrentados pelo demônio, e Cristo nos deu o exemplo. 

ZENIT: Apesar do Papa não ter querido fazer uma oração de exorcismo, foi o que ele fez?
Pe. Juan Rivas: O Papa não fez exorcismo. O exorcismo foi feito pelo Pe. Amorth e participaram deste exorcismo outros dois sacerdotes espanhóis, um é exorcista de Valência, duas mulheres e dois assistentes do Pe. Amorth. O exorcismo não é um ato de magia, por isso, ainda que o começo da sua libertação, na minha opinião, começou com a benção do Papa, se requer ainda mais exorcismos, disseram os exorcistas.

ZENIT: Qual é o motivo das possessões diabólicas no México e no mundo?
Pe. Juan Rivas:  Não se pode generalizar. Mas os casos de possessão devem-se em primeiro lugar ao pecado mortal, com o pecado mortal expulsamos Deus da nossa alma e a casa, como diz Nosso Salvador, fica vazia. Não podemos viver em pecado mortal. No caso em que estamos falando, o de Angelo, a sua possessão está relacionada com o triunfo do Coração Imaculado de Maria prometido em Fátima. Os demônios não podem falar contra si mesmos se “a Senhora” não lhes obrigasse a fazê-lo ao pisar-lhes a cabeça. Para que este triunfo aconteça, México tem que reconher a sua missão de nação privilegiada e voltar à fé de sempre quando cantávamos: “A Virgem Maria é nossa protetora, nossa defensora, não tememos nada. Somos cristãos e somos mexicanos: Guerra, guerra contra Lucifer! O que pede Nossa Senhora não é nada extraordinário, mas um ato de fé e de reparação.

O demônio não é um deus poderoso, ele já foi vencido e derrotado por Cristo na cruz, mas o neo-paganismo, o apagão da fé no mundo atual, e que os pastores estejam adormecidos, distraídos, favorece a sua ação. Se as autoridades eclesiásticas corrigem a sua atitude e denunciam o aborto (e outras manifestações do mal) e trabalhamos todos por reverter essa lei que promove a violência contra os mais fracos e indefesos, se se renuncia a Satanás (até mesmo com um exorcismo do país) e se consagra o país à Maria, o demônio será acorrentado e chegará o Triunfo do Coração Imaculado de Maria. Esclareço que isso não é um ato de magia, mas todo um processo de conversão que começa de baixo, no lar.

                                                                                                             sem comentários

4 de junho de 2013

.Habilidade para calar.


Nestas décadas de tantas palavras, parece que o silêncio ganha valor. Merece respeito o silêncio sábio. Este silêncio é capaz de dizer muito. E não é um silêncio próprio de quem não tem nada a dizer, ou de quem consente passivamente sem se pronunciar, mas antes é um silêncio de quem pretende desmentir a farsa de tanto discurso vazio, de quem se refugia na mansidão calada duma verdade sem sílabas. Costuma o povo dizer que não é do tagarela de quem devemos ter medo, mas sim daquele que permanece calado. Quem não se pronuncia sobre um certo assunto pode estar a querer transmitir muito. Um silêncio oportuno tem a habilidade de fornecer sentido e ordem à algaravia de palavras que violam os discursos. As ideias não deveriam ser traídas pelos argumentos, mas antes aconchegadas ao calor dum silêncio esperançoso. Esta habilidade nunca foi hábito imediato, e precisa de constante treino. Aprender a calar garante que haja ouvidos atentos quando decidirmos falar. Falar sem descanso faz com que só se deseje um pouco de silêncio para esses mesmos ouvidos.
Neste sentido, Kierkegaard aponta que: “O ditado diz «a palavra é de prata, o silêncio é de oiro», porque as nossas palavras, como facto material, podem trazer-nos dissabores, o que é uma coisa real. Como se calar fosse uma coisa de nada! E é o maior dos perigos! O homem que se cala fica com efeito reduzido ao diálogo consigo próprio, e a realidade não o vem socorrer castigando-o, fazendo recair sobre ele as consequências das suas palavras. Nesse sentido não, nada custa calar-se. Aos olhos do mundo, o perigo está em arriscar (ou seja, em falar), pela simples razão de se poder perder. Evitar os riscos, eis a sabedoria. Contudo, a não arriscar, que espantosa facilidade de perder aquilo que, arriscando, só dificilmente se perderia. A vida castiga-me para me socorrer. Mas se nada arriscar, quem me ajudará? Tanto mais que arriscando no sentido mais lato ganho ainda por cima todos os bens deste mundo – e perco o meu eu”. E é que, em certo sentido, a verborreia de razões nunca poderá vencer à razão serena de quem fica voluntariamente calado.
Não costuma ser mais sábio quem mais fala.
Por isso mesmo, o exercício de recuperar o silêncio no meio de discussões ou confrontos pode vir a ser sinal de sossego interior em vez de de afronta dialéctica. Mas, a pesar desta minha defesa dum silêncio maduro e dialogante, o homem que (se) cala sofre. Calar faz sofrer, ao tempo que desabafar alivia; só que as consequências desse desabafo –na consciência daquele que o proferiu e na impressão daquele que o testemunhou- costumam desencadear outro tipo de sofrimento bem diferente por ser agora intrínseco a dois indivíduos e não só a um. Calar restringe a causa desse silêncio ao seu possuidor. Só o coração afectado conhece as razões da sua afectação  Os sentimentos não se oferecem se não a quem os souber desembrulhar. De resto, bem fazem em ficar dentro do individuo sentinte. Coração e cabeça devem funcionar adequadamente neste caso pois, se não, o risco de descompensação é grande. Apareceriam então casos de carência ou dependência afectiva, assim como de paranóias ou esquizofrenias em relação ao ambiente quotidiano. A tentação de calar, por vezes apresentada como recomendação, pode, pelos vistos, trazer incomodidades para o sujeito que opta por calar. Lá está o dilema: recomendação ou tentação? Arriscar -como sugeria Kierkegaard- ou evitar (pronunciar-se)? Calar ou falar? Em definitiva, as nossas palavras serão caminho de felicidade exprimida ou trilho de desespero contido?
Não há dúvida. Nada melhor que o senso comum para distinguir e indicar em que casos convém ficar calado e em quais atrever-se a falar. Contudo, a tal habilidade para calar supõe uma ferramenta nada desdenhável nas inercias comunicativas em que todo cidadão do século XXI anda imerso. 

3 de junho de 2013

Papa critica «fiscais da fé» que fecham portas da Igreja

O Papa Francisco evocou como exemplo os casos de  mulheres solteiras que querem batizar um filho


Cidade do Vaticano, 25 maio 2013 (Ecclesia) – O Papa criticou hoje no Vaticano o que denominou de “fiscais da fé” que fecham as portas da Igreja e afastam as pessoas, dando como exemplo os casos de mulheres solteiras que querem batizar um filho.

“Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: ‘Quero batizar o meu menino’. E quem a acolhe diz-lhe: ‘Não tu não podes porque não estás casada’. Atenção: esta rapariga que teve a coragem de continuar com uma gravidez e não devolver o seu filho ao remetente, o que é que encontra? Uma porta fechada”, lamentou Francisco, na homilia da missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, onde reside.

Segundo o Papa, esta atitude “afasta as pessoas” e deriva da fixação no que “o protocolo não permite”.
“Jesus instituiu sete sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral”, avisou.

Francisco pediu, por isso, que os “fiscais da fé” se transformem em “facilitadores da fé das pessoas”.
“Peçamos ao Senhor que todos os que se aproximam da Igreja encontrem as portas abertas, abertas para encontrar o amor de Jesus”, concluiu.