27 de agosto de 2013

Por uma Igreja próxima (2)




Jornalista: O Senhor optou por viver na Casa Santa Marta?

Papa Francisco: Quanto à decisão de viver em Santa Marta, não foi tanto por razões de simplicidade. Porque o apartamento papal é grande mas não é luxuoso. É lindo, mas não tem o luxo que tem a biblioteca dos andares de baixo onde recebemos as pessoas. Lá há muitas obras de arte, é muito bonito. Mas o apartamento é simples.  A minha decisão de ficar em Santa Marta tem a ver com o meu modo de ser. Não consigo viver só. Não posso viver fechado. Preciso do contacto com o povo… de estar com as pessoas. Santa Marta é uma casa de hóspedes em que vivem uns quarenta bispos e sacerdotes que trabalham na Santa Sé. Tem uns 130 quartos, mais ou menos, e há sacerdotes, bispos, cardeais e leigos que moram lá. Eu como no refeitório comum a todos. Café da manhã, almoço e jantar. E a gente sempre encontra pessoas diferentes, e isso agrada-me. Essas são as razões.

(Entrevista transmitida no dia 28 de Julho no programa ‘Fantástico’ da Rede Globo, Brasil e publicada no jornal L’Osservatore Romano, edição em português, 17.08.2013, p. 8))

25 de agosto de 2013

Por uma Igreja próxima


Jornalista: Santo Padre, no Brasil o Senhor utilizou e continua a utilizar um carro modelo muito simples. … Essa sua simplicidade é uma nova determinação a ser seguida por padres, bispos e cardeais?

Papa Francisco: O carro que estou a usar aqui é muito parecido com o que eu uso em Roma. Em Roma uso um Ford Focus azul. Simples, do tipo que qualquer um pode ter. Sobre isso, penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade – eu diria, inclusivé, de pobreza. O nosso povo exige a pobreza dos nossos sacerdotes. Exige, no bom sentido, não pede isso. O povo sente o seu coração magoado quando as pessoas consagradas são apegadas ao dinheiro. Isso é mau. E, realmente, não é um bom exemplo que um sacerdote tenha um carro último tipo, de marca. … É necessário que o padre tenha um carro, é necessário. Porque na paróquia há mil coisas a fazer, deslocamentos são necessários. Mas tem que ser num carro modesto.

(Entrevista transmitida no dia 28 de Julho no programa ‘Fantástico’ da Rede Globo, Brasil e publicada no jornal L’Osservatore Romano, edição em português, 17.08.2013, p. 8))

21 de agosto de 2013

conhece-te a ti mesmo

O argumento que considera que o discurso científico é o único fiável, parte do pressuposto de que ‘conhecimento’ e ‘conhecimento científico’ são semanticamente equivalentes. Mas não são. O célebre conselho de Sócrates ‘conhece-te a ti mesmo’ não equivale a ‘conhece-te cientificamente a ti mesmo’. A pintura, a poesia e outras variedades de expressão da experiência humana são formas de conhecimento que não entram em conflito com a ciência nem a ela se submetem, como se tivessem necessidade de adoptar a metodologia científica para se poderem legitimar. A religião, todas as religiões, colocam-se nesta perspectiva.

14 de agosto de 2013

Fé e ciência (in)compatíveis?


Uma das ideias recorrentes na argumentação que defende a incompatibilidade entre a ciência e a religião é a de que no ocidente, durante a Idade Média e até ao Renascimento, não houve ciência porque a Igreja o impediu. Esta perspectiva parece aceitar que a ciência moderna teve início - para além da tradição islâmica –apenas no Renascimento, como que a partir do zero, tendo a investigação científica entrado imediatamente em conflito com a autoridade religiosa, separando-se da sua esfera. Esta perspectiva persiste em ignorar estudos de história da ciência que colocam em evidência as raízes medievais da ciência moderna (Edward Grant, Os Fundamentos da Ciência Moderna na Idade Média; id., Physical Sciences in the Middle Ages; David Lindberg (ed), Cambridge History of Science: The Middle Ages; William Wallace, Prelude to Galileo: Essays on Medieval and Sixteenth-Century Sources of Galileo’s Thought).

Continua-se também a ignorar que o génio de Galileu não surgiu nem se formou a partir do nada, e que ele manteve estreitas relações com muitos dos seus contemporâneos Católicos, como os Jesuítas do Colégio Romano, que tinham um observatório astronómico no qual tinha lugar investigação do melhor nível que então se fazia na Europa, e cujos resultados transmitiam aos seus alunos em aulas às quais assistiu o próprio Galileu (William Wallace, Galileo and His Sources: Heritage of the Collegio Romano in Galileo’s Science). Ainda hoje os Jesuítas continuam a fazer investigação de ponta a partir do Observatório Astronómico de Castelgandolfo, e na sua secção no Arizona, Estados Unidos.
A argumentação a favor do conflito entre ciência e religião procede também por exemplos. Galileu e o seu conflito com a Inquisição é exemplo de citação obrigatória. Mas uma tal argumentação deve escolher cuidadosamente os casos de conflito e ignorar os casos de não conflito. Por exemplo, o Jesuíta Ruger Boskovic (1711-1787) é considerado um dos precursores da moderna teoria atómica da matéria e o Padre Georges Lemaître foi quem primeiro sugeriu o que mais tarde viria a chamar-se a teoria do Big Bang sobre a origem do universo (The Primeval Atom). Nenhum deles criou qualquer conflito com as autoridades religiosas, mas estes exemplos são cuidadosamente ignorados porque deitariam facilmente por terra toda a argumentação dos não crentes. Os crentes sabem que a questão é complexa, mas para os não crentes tudo parece muito simples e evidente.

4 de agosto de 2013

fama e razão



Segundo os não crentes, sobretudo os cientistas, os seres humanos habitam um planeta insignificante, perdido entre milhões de outros planetas, numa galáxia que é apenas uma entre uma quase infinidade de outras galáxias, surgiram aqui por um mero acaso, não se distinguem fundamentalmente dos demais seres vivos, acabarão como todos em pó e cinza. Ainda assim, efémeros seres que por aqui passam sem saber porquê nem para quê, os não crentes consideram-se suficientemente super-inteligentes para afirmar que o actual universo não teve a sua origem num ser super-inteligente.

É o caso do famoso Richard Dawkins.

No final de um debate com Francis Collins, Richard Dawkins afirmou que um criador que tivesse criado um universo tão complexo como o nosso, teria que ser super inteligente’, nunca o carpinteiro de Nazaré. Dawkins sabe como Deus deveria ter procedido, que género de universo deveria ter criado em vez do actual para nos convencer da sua existência. Coloca-se assim ao nível desse ser super-inteligente. 

Do famoso rei espanhol D. Afonso XI diz-se que terá afirmado: “Se Deus me tivesse consultado antes de criar o mundo teria recebido alguns bons conselhos.” 

Mas fama e razão nem sempre deram as mãos.

2 de agosto de 2013

B. Pedro Fabro, presbítero

Pedro Fabro nasceu no ano de 1506 em Villaret (Sabóia) e aí passou a adolescência apascentando os rebanhos de seu pai. Em 1525 foi estudar para Paris, onde teve como condiscípulos Francisco Xavier e Inácio de Loiola, de quem foi o primeiro companheiro. Ordenado em 1534, foi o primeiro sacerdote da Companhia de Jesus. Por ordem do Sumo Pontífice percorreu grande parte da Europa e promoveu com muito fruto a obra da restauração católica. Faleceu em Roma a 1 de Agosto de 1546 e foi beatificado por Pio IX em 1872.