5 de janeiro de 2014

EPIFANIA DO SENHOR



Depois da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a liturgia do tempo de Natal propõe-nos hoje uma outra Solenidade: a Epifania do Senhor. Recordamos, neste dia, que Jesus vem para Se manifestar aos homens e mulheres de todos os povos, nações, raças e culturas.

Ainda em ambiente do Presépio de Belém, o Evangelho de S. Mateus convida-nos a contemplar a visita dos Reis Magos. Vêm do Oriente guiados por uma estrela, trazendo presentes preciosos para entregar a Jesus. Muito se tem dito sobre estes homens misteriosos, mas o fundamental é ver neles, como dizia já Santo Agostinho no século V, as «primícias das nações estrangeiras a Israel» que representam os povos vindos de todas as partes do mundo. Se a história da salvação tinha tido um povo predilecto – o povo hebreu – os Magos vêm lembrar-nos que somos todos convidados ao banquete do Reino de Deus. Como diz S. Paulo na Epístola aos Efésios, que hoje lemos, «os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho». Na interiorização destas palavras, avaliemos a forma como estamos disponíveis para os outros, como nos abrimos à novidade de quem nos rodeia e é diferente de nós. Temos de ser universais nos nossos gestos de acolhimento e serviço, para continuarmos em nós a obra do próprio Deus.

Um outro aspecto curioso do relato dos Magos é a referência à estrela que os guia até Belém. No caminho, são interpelados pelo rei Herodes, que sente ameaçado o seu poder. No nosso caminho de fé também nos deparamos com «estrelas» que nos levam a Deus, no testemunho de pessoas santas, simples e discretas, que manifestam com a vida o amor de Deus pelos homens; por outro lado, há muitos «reis Herodes» que nos seduzem com formas de vida que afastam de Deus, nas lógicas de manipulação, falsas ideologias, jogos de poder e de influências que aprisionam. Temos de caminhar vigilantes e atentos, discernindo os acontecimentos e formando bem a consciência, para não perdermos o rumo certo.

Por fim, a manifestação da divindade de Jesus revela-se nos presentes que os Magos Lhe oferecem: ouro, incenso e mirra. Ainda o mesmo Santo Agostinho, num sermão da Epifania, dizia que «se oferece o ouro a Jesus como a um grande rei, queima-se o incenso na sua presença como diante de Deus e oferece-se a mirra como a quem haveria de morrer pela salvação de todos os homens». O ambiente natalício recorda-nos que Jesus é o nosso Salvador, é n'Ele que devemos colocar os tesouros das nossas vidas, pondo a render os dons que vamos recebendo, as pessoas que nos rodeiam, os sonhos e projectos que desejamos concretizar. Só Ele nos pode conduzir ao seu encontro e reunir na sua presença. Repetindo as palavras do profeta Isaías que lemos na primeira leitura, «quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações».

                               in http://www.apostoladodaoracao.pt/index.php/oracao/meditacao-diaria

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