Depois da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a liturgia do tempo
de Natal propõe-nos hoje uma outra Solenidade: a Epifania do Senhor.
Recordamos, neste dia, que Jesus vem para Se manifestar aos homens e
mulheres de todos os povos, nações, raças e culturas.
Ainda em ambiente do Presépio de Belém, o Evangelho de S. Mateus
convida-nos a contemplar a visita dos Reis Magos. Vêm do Oriente guiados
por uma estrela, trazendo presentes preciosos para entregar a Jesus.
Muito se tem dito sobre estes homens misteriosos, mas o fundamental é
ver neles, como dizia já Santo Agostinho no século V, as «primícias das
nações estrangeiras a Israel» que representam os povos vindos de todas
as partes do mundo. Se a história da salvação tinha tido um povo
predilecto – o povo hebreu – os Magos vêm lembrar-nos que somos todos
convidados ao banquete do Reino de Deus. Como diz S. Paulo na Epístola
aos Efésios, que hoje lemos, «os gentios recebem a mesma herança que os
judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em
Cristo Jesus, por meio do Evangelho». Na interiorização destas palavras,
avaliemos a forma como estamos disponíveis para os outros, como nos
abrimos à novidade de quem nos rodeia e é diferente de nós. Temos de ser
universais nos nossos gestos de acolhimento e serviço, para
continuarmos em nós a obra do próprio Deus.
Um outro aspecto curioso do relato dos Magos é a referência à estrela
que os guia até Belém. No caminho, são interpelados pelo rei Herodes,
que sente ameaçado o seu poder. No nosso caminho de fé também nos
deparamos com «estrelas» que nos levam a Deus, no testemunho de pessoas
santas, simples e discretas, que manifestam com a vida o amor de Deus
pelos homens; por outro lado, há muitos «reis Herodes» que nos seduzem
com formas de vida que afastam de Deus, nas lógicas de manipulação,
falsas ideologias, jogos de poder e de influências que aprisionam. Temos
de caminhar vigilantes e atentos, discernindo os acontecimentos e
formando bem a consciência, para não perdermos o rumo certo.
Por fim, a manifestação da divindade de Jesus revela-se nos presentes
que os Magos Lhe oferecem: ouro, incenso e mirra. Ainda o mesmo Santo
Agostinho, num sermão da Epifania, dizia que «se oferece o ouro a Jesus
como a um grande rei, queima-se o incenso na sua presença como diante de
Deus e oferece-se a mirra como a quem haveria de morrer pela salvação
de todos os homens». O ambiente natalício recorda-nos que Jesus é o
nosso Salvador, é n'Ele que devemos colocar os tesouros das nossas
vidas, pondo a render os dons que vamos recebendo, as pessoas que nos
rodeiam, os sonhos e projectos que desejamos concretizar. Só Ele nos
pode conduzir ao seu encontro e reunir na sua presença. Repetindo as
palavras do profeta Isaías que lemos na primeira leitura, «quando o
vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a
ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações».
in http://www.apostoladodaoracao.pt/index.php/oracao/meditacao-diaria
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