14 de abril de 2014

Valadier IV - Tolerância mole



A tolerância «mole» onde cada um é enviado para «o seu negócio», logo para a sua solidão de indivíduo, isto é, soberano, é destrutora das identidades pessoais tanto como da ligação à sociedade. Os valores aos quais se adere podem e devem ser justificados perante si próprio e perante os outros para tomar forma humana e não ter caprichos injustificados; temos também toda a razão de perguntar ao outro as razões da sua própria adesão aos valores ou às crenças que não partilhamos, que nos admiram ou escandalizam. A tolerância assim compreendida é o trabalho da conversão comum onde cada um sabe que só existe na relação com o outro e é suportado por ela. Não se trata de interrogar para converter para si, para as suas ideias ou para as suas verdades, e não apresenta sequer as suas posições próprias como padrão de verdade com o qual tudo deve ser medido. A interrogação mútua, que não se deve aliás conceber à maneira de uma espécie de interrogatório generalizado e permanente, chama cada um a verificar as suas próprias crenças e a construir um pouco mais de verdade em si próprio, logo a abrir-se mais francamente. Nesse sentido, o relativismo que consagra não importa qual opinião do momento de que é proprietário, ultrapassa neste trabalho de relação mútua, trabalho pelo qual se tece secretamente e continuamente a ligação social.

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