14 de junho de 2014

via Apostolado da Oração


Lembram-se da Síria?
Elias Couto
Depois de cerca de 160 mil mortos e milhões de refugiados numa guerra civil sem fim à vista, já "ninguém" se lembra da Síria nem quer saber dela. Agora é o Iraque. Parte do norte e centro do país deixou de ser controlado pelo governo central e os terroristas do "Estado Islâmico do Iraque e Levante" (ISIS) ameaçam concretizar aquilo que vêm anunciando há tempos: a criação de um "califado" no Médio Oriente, estendendo-se entre a Síria e o Iraque mas com desejos de chegar à Jordânia e ao Líbano.

Lenta mas metodicamente, todo o Médio Oriente está em convulsão: a Síria é um buraco negro de morte e destruição; o Iraque parece seguir o mesmo caminho, sendo que a fronteira entre este país e a Síria é um corredor aberto para os jihadistas; o Egipto instalou um novo presidente, apoiado pelos militares, mas parte do Sinai está nas mãos de extremistas islâmicos; a Faixa de Gaza é terra de eleição para qualquer extremista muçulmano com desejos de morrer "mártir" matando israelitas; a Arábia Saudita está numa corrida contra o tempo com o Irão, por causa das ambições atómicas deste, e tem problemas internos com a sua minoria shiita; na Jordânia, tenta-se a todo o custo evitar confusões e a tomada do poder pela maioria da população, com filiações palestinianas... E uma galáxia de militantes islâmicos extremistas, vindos um pouco de todo o lado, assentou arraiais na região, ora combatendo-se uns aos outros, ora combatendo algum inimigo comum e todos com os olhos no prémio maior: a possibilidade de um ataque bem sucedido e em larga escala contra o pequeno Estado de Israel, o único país estável e democrático da região.

A Europa olha e finge não acreditar: o Irão prossegue o seu caminho para se tornar uma potência nuclear com mísseis capazes de atingir parte do continente europeu, mas os governos europeus assobiam para o lado e fingem que discutem a sério com os iranianos; o espectro do califado ergue-se em parte da Síria e do Iraque, mas espera-se que seja uma coisa passageira e que o Irão faça no Iraque o que fez na Síria; cidadãos europeus vão em viagem até à Síria, aprofundam a ideologia jihadista e tornam-se mestres no uso de armas, mas a democracia é isso mesmo: prende-se e multa-se mais depressa alguém que se manifesta a favor da família fundada no casamento entre um homem e uma mulher do que alguém que vai, de forma ilegal, combater na guerra civil de outro país e regressa disposto a tudo para impor a ideologia da jihad.

Céptica, agnóstica, ateia, a Europa esforça-se por não compreender o que se passa no Médio Oriente. Olha tudo segundo o prisma da política, das esferas de influência, do poder do dinheiro, e não aceita que haja algo mais profundo, mais enraizado na noite dos tempos e mais poderoso do que todas as considerações políticas. Sem alma, materialista e niilista, não dispõe das ferramentas espirituais necessárias para lidar com uma cultura profundamente marcada pelo religioso. Fala constantemente de diálogo, mas não tem nada a dizer a gente que a considera decadente, imoral e pronta para a conquista. Promove o multiculturalismo, embora sabendo que do outro lado o conceito não faz nenhum sentido – e por isso não consegue integrar os emigrantes islâmicos, os quais não trocam a sua identidade por uma coisa amorfa, incapaz de se afirmar e com vergonha de si mesma.

A Europa – e também os Estados Unidos – pagará cada vez mais caro o facto de pretender ignorar que o século do Islão submisso (a partir, sobretudo, do fim do império otomano, nos finais da primeira guerra mundial) chegou ao fim. O islão afirmativo, culturalmente convencido da sua superioridade perante a uma Europa decadente, sem convicções e sem alma, veio para ficar. Este islão, muitas vezes ressentido e amargo face ao sucesso do Ocidente, será uma reserva permanente para o islão violento, anti-cristão e anti-judaico. E nem um nem outro vão desaparecer. Se o Ocidente não recuperar as raízes culturais da sua diferença, se continuar de cócoras, cultivando todos os "ismos" politicamente correctos e denunciando como fobias (sobretudo como "islamofobia") todos os pensamentos que se atrevem a questionar o seu multiculturalismo derrotista, as dinâmicas da história tenderão a favorecer quem não tem vergonha de si. E não é esse o caso da Europa.

1 comentário:

Anónimo disse...

Como na transição entre os Romanos e os Cristãos Romanos, a destruição pelos bárbaros é conduzida de forma a destruir a memória e o passado. Agora querem usar o ISIS que parecem paus mandados dos USA e tecnologia Hollywood. Mais uma vez tentam apagar os Anunnaki e o passado da espécie humana. Mas de uma falsidade não escapam: Cristo não é o rei dos Judeus enquanto existirem Judeus que neguem que cristo é deus, e também não foi pela personagem (Jesus) aparecer que veio a paz ao mundo, assim o mito Jesus cai, pela própria incoerência.