21 de julho de 2014

Comentar Richard Rorty - Atulhados em ruído



Há uma reconciliação com a contingência a fazer, não o neguemos. Mais grave se torna quando, ainda que Rorty coloque como marca distintiva destes tempos a mudança de paradigma do ahistórico para o histórico, vemos nas expetativas de hoje a mesma ânsia de eternidade, assumida pessoalmente no investimento em tecnologia e cosméticos. O afã de tudo fotografar, de tudo registar, de tudo dizer, de tudo saber e de tudo mostrar, é bem patente nas redes sociais, a mesma expetativa eterna de sempre num horizonte contingente, agora autossustentada, já não dependente de uma divindade. Cresce assim o perigo do canibalismo e da autofagia sociais, movidos que estão pelo alargar do campo optativo das relações no mundo ocidental.
Para os anseios de sempre, a complexidade das novas soluções questionam-nos de uma forma que não nos é bem percetível. E atulhados que estamos em ruído, é intrincado encontrar o problema e dirigir-nos a ele. Quando nos encontramos em dificuldades, a única pedagogia que nos parece restar é a da proibição, a qual, assegurando subsistência, deixa pouca margem para crescimento.
                Este conflito que Dewey identifica entre instituições herdadas e novas tendências é um espaço ótimo para a filosofia ocupar. Devíamos esperar do filósofo a combinação entre porteiro e profeta, o encarregado de limpeza que se vê livre do desperdício que é resquício do antigo, e voz sóbria que lança o novo. A grande tentação é ver este porteiro como alguém que determina quem entra e quem sai do edifício, função que Rorty provavelmente desprezaria, mas da qual acaba por estar perto ao delinear uma linha da filosofia, ainda que sob a regência de atividade-tipo e não de matéria-alvo.
Fazemo-lo constantemente, sempre que se adota uma perspetiva em detrimento de outra, sempre que se prefere um escrito de um determinado autor em detrimento de outros escritos do mesmo autor. Esta atividade seletiva permanente, mesmo que não degenere numa atitude policial, implicará sempre um moldar seletivo de mundo.

2 comentários:

Emmanuel disse...

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Anónimo disse...

Prezados, minha página tem o objetivo de divulgar a participação dos religiosos nas descobertas científicas. Como exemplos: A Genética foi fundada pelo monge Gregor Mendel; a Geologia tem o bispo Nicolau Steno como um de seus fundadores; a difração da luz foi descoberta pelo padre Francesco Maria Grimaldi; os jesuítas contribuíram ativamente com a Sismologia, física e matemática. Se quiser saber mais, curta a página no facebook e acompanhe as atualizações:

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